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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
A absolvição ilusória


Alguns torcedores do Flamengo fizeram uma distinta proposta para evitar que o STJD puna o clube pela latinha de cerveja que alvejou o quarto árbitro, no intervalo da vitória rubro-negra, no último domingo, sobre o Grêmio. Ofereceu comida – algo bonito – mas completamente fora de contexto. Doar alimentos, fazer caridade... é sempre uma atitude nobre – desde que desinteressada. Fazer isso em troca de alguma coisa... não é exatamente bacana.

Uma alma vil poderia dizer que os torcedores responsáveis pelo manifesto inventaram uma nova modalidade de corrupção: a propina solidária. Arrumamos toneladas de alimento para matar a fome alheia... .se você não cumprir a lei contra a gente. E disfarçamos isso com uma esperta lógica: o erro de um não pode prejudicar a multidão. Infelizmente pode. Porque assim diz a lei. A responsabilidade pelo erro não é o do lançador da lata – e sim do clube. Vejamos o que diz a lei, ou seja, o artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva:

Art. 213. Deixar de tomar providências capazes de prevenir ou reprimir desordens em sua praça de desportos.
PENA: multa de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) e perda do mando de campo de uma a três partidas, provas ou equivalente quando participante da competição oficial.

§ 1o. Incide nas mesmas penas a entidade que dentro de sua praça de desporto, não prevenir ou reprimir o lançamento de objeto no campo ou local da disputa do evento desportivo, que possa causar gravame aos que dele estejam participando, bem como, sua invasão.

§ 2o. Caso a invasão seja feita pela torcida da entidade adversária, sofrerá esta a mesma apenação.


E a lei não é assim à toa – se o clube não for punido esportivamente por seus desatinos, o torcedor não sentirá na carne. E ainda há a chicane – caso o “criminoso” seja identificado, o clube tem saída. Mas, ao que parece, só dois sujeitos foram identificados no caso do Flamengo x Grêmio: o primeiro lançou um morteiro; o segundo, uma latinha de refrigerante. O juiz Sálvio Spínola garantiu na súmula... que a bebida que veio em sua direção era cerveja.

Ou seja, sejamos claros: se a lei for cumprida, o Flamengo perderá ao menos um mando de campo. E agradecerá aos céus por isso. O ônus de uma absolvição que o senso comum considere injusta é terrível. Num país de justiça frágil como o nosso... nada é pior do que um culpado público. Os inocentes arrumam um jeito de crucificar esse culpado – mesmo que ele seja puro.

Não é injusto que 73 mil rubro-negros paguem pelo crime de um infeliz? É, claro que é. Mas onde estaria tamanha indignação cívica quando o São Paulo jogou de portões fechados, na primeira rodada? Ou quando o Botafogo foi obrigado a jogar sem torcida contra o Juventude por motivos semelhantes? A lei é para todos – e os dirigentes rubro-negros, se forem espertos, aceitarão a pílula amarga em silêncio. Receberão um jogo de suspensão e, de lambuja, recebem o sempre adorável papel de vítima.

Se o Flamengo escapar, correrá o risco de sofrer calvário semelhante ao do Botafogo, pós-absolvição de Dodô. Se tornará o vilão do momento. E, vale anotar, antes da latinha de cerveja voadora, o time de Joel Santana ainda será julgado por copos d’água enviados ao campo na partida contra o Vasco. Se for punido, o Flamengo sai como vítima. Se for absolvido, vira vilão.

O argumento a ser usado a favor da absolvição nada tem a ver com as arquibancadas. E sim com outros julgamentos recentes em que o STJD passou a mão na cabeça dos clubes – a saber Santos, Vasco e São Paulo. O primeiro caso é o mais flagrante – um torcedor do Santos jogou um tênis no campo na Vila Belmiro. De toda forma, o tênis não acertou o quarto árbitro. Imaginem se uma lata de cerveja acerta um juiz na Europa – o que não aconteceria? Ironia ou não, o torcedor rubro-negro deve torcer... por um jogo com estádio vazio.


P.S. - Ao torcedor do Flamengo que ler essa crônica e sentir o visceral impulso de clicar na tecla de comentários aí embaixo para xingar o colunista, uma pergunta: se a latinha tivesse sido jogada por um vascaíno/tricolor/botafoguense... você continuaria considerando injusta a punição?
Escrito em 25/10/2007
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Ranking da Fifa - reciclando o post



Este post foi publicado originalmente no início do ano. Resolvi reciclá-lo - ou revisitá-lo - diante do novo e esperadíssimo ranking da FIFA, publicado hoje pela entidade (que mantém a Argentina na liderança). A idéia do post é explicar como funciona o dito cujo. Boa sorte ao curioso que se aventurar pelas abaixo mal-traçadas:



Caro amigo leitor, uma advertência é necessária. Ler este artigo pode transformar seu cérebro em geléia. Eu sei, muita gente que gasta os olhos neste pequeno espaço provavelmente já não tem este dispensável aparelho pensador. Há quem jure que o próprio colunista não é provido de um. Eu, sinceramente, achava que tinha cérebro. Agora, depois de duas horas tentando entender o ranking da Fifa, não tenho mais certeza.

A Argentina não ganha uma Copa do Mundo há 21 anos. Não ganha uma Copa América há 14 anos. Nos últimos anos, colecionou sapatadas históricas. Outro dia mesmo... levou um chocolate do Brasil na Inglaterra. Pois bem, eis que a Argentina em jejum – incrível, impressionante – é a nova líder do ranking da Fifa. O que provocou uma série de interrogações incrédulas como Hã? Hein? Como? Quando? Onde? A ascensão da Argentina sugere uma questão que você já leu, ouviu ou formulou:

- PARA QUE SERVE O RANKING DA FIFA?

Em tese, o ranking é um retrato das forças do futebol. Imitando, ligeiramente, o ranking de tenistas – que dá e tira pontos por torneios anualmente. Mas... serve para alguma coisa além de receber o logo do refrigerante patrocinador? Não. Aliás, serve... para produzir manchetes sem profundidade mundo afora. Se fosse para valer deveria ser o critério para nomear os cabeças-de-chave das Copas do Mundo, por exemplo. Na prática, o ranking é uma imensa e virtual buzina de avião. Um factóide que não serve sequer para badalar a seleção comercialmente. Você não vê anúncios dizendo “primeiro colocado no ranking da FIFA” ou algo do tipo. Até porque estar em primeiro... não significa nada. Não traz vantagem nenhuma.

E como nem o repórter mais analítico é capaz de dizer quem está em primeiro e ainda traduzir em idioma compreensível porque los fulanos estão em primeiro, gli sicrani em segundo e nós em terceiro... eis aqui outra pergunta que você já fez, ouviu e provavelmente não soube responder:

- COMO FUNCIONA O RANKING DA FIFA?

De 1993 até o ano passado, o ranking tinha uma fórmula absolutamente críptica. Decifrá-la era missão para um Champollion futebolístico com paciência de monge tibetano. Tentemos resumi-la para moer a massa cinzenta do leitor:

Pontos eram oferecidos para o resultado, para a importância da partida, para a força do adversário, para a força da confederação do adversário, para o fato de jogar fora de casa e para o número de gols pró (ou contra). Os resultados dos últimos oito anos tinham a mesma importância. E eram levadas em conta a média entre as sete melhores partidas da seleção... e todas as partidas. Parece complexo? Isso porque não ousarei explicar o método usada para calcular cada um dos quesitos citados.

Como esses singelos critérios fariam o supracitado monge tibetado dançar salsa, lambada e afoxé, o ranking começou a ser espinafrado, espancado e maltratado. E a FIFA acusou o golpe. Em 2006, depois de testar 20 fórmulas e 700 combinações diferentes, resolveu simplificar. E começou usando a seguinte frase:

“O novo método de cálculo dá importância central ao resultado de cada partida usando o seguinte e costumeiro sistema de pontos:
Vitória – 3 pontos
Empate – 1 ponto
Derrota – 0 ponto”


Essa contagem de pontos... a gente já viu em algum lugar, certo? Traduzindo o inacreditável: é isso mesmo, antes, o resultado das partidas tinha importância menor. Mas... quem achou que essa simplificação era assim simplória... precisa entender o resto da fórmula. Os pontos da partida são multiplicados por outros quatro números para chegar ao resultado da equação do ranking:

a) Status da partida
Amistoso – 1.0
Eliminatórias de Copa/Torneios continentais – 2.5
Torneios continentais/Copa das Confederações – 3.0
Jogo de Copa do Mundo – 5.0


b) Força do adversário
Depende da colocação no ranking. Como o ranking tem 200 posições, o líder vale 2.00. O vice líder vale 1.99. O décimo vale 1.90. E por aí vai até o número 150 do ranking. Abaixo disso todo mundo vale 0.50.

c) Força regional
As confederações são desequilibradas. Como 84% das partidas são intra-confederação, seria desequilibrado deixar uma partida da Oceania valer o mesmo que uma partida entre continentes ou dentro da Europa, por exemplo. Então, a partir de um cálculo feito pelo número de vitórias dos membros de uma confederação contra outras nas últimas três Copas do Mundo, o ranking concedeu a seguinte pontuação:

UEFA – 1.0
CONMEBOL – 0.98
CONCACAF – 0.85
AFC – 0.85
CAF – 0.85
OFC – 0.85.

Sendo que 0.85 é a pontuação mínima. Ou seja, só UEFA e Conmebol tem pontuação acima disso.


d) Períodos
Partidas dos últimos quatro anos são consideradas. Mas com pesos diferentes. Os resultados do ano vigente valem 100%. Os do último ano valem 50%. Os do antepenúltimo... 30%. E os do anterior... 20%.


e) Multiplicação por 100
Para garantir que o número final seja inteiro, a pontuação final é sempre multiplicada por cem.

Um exemplo prático:

O Brasil, terceiro do ranking, enfrenta Gana, 19ª do ranking. Se vencer, quantos pontos o Brasil ganha? Vamos à fórmula:

Seus três pontos são multiplicados pelo status da partida (1.0), depois pela força do adversário (1.81), depois pela força regional (0.85)... e depois por 100. O total são 461 pontos no ranking.

Isso seria o suficiente, em tese, para retomar a liderança no próximo ranking – a ser publicado em abril. Mas esse não é único dado a ser levado em conta. Em abril de 2007, os resultados de abril de 2006 perdem metade do seu valor. Os resultados de abril 2005 caem de 50% para 30%; os de abril de 2004 de 30% para 20%; e os de abril 2003 desaparecem. Essa desvalorização é que fez a Argentina pular para o topo do ranking – somada à sua vitória sobre a França no Stade de France no mês passado. A Fifa promete introduzir, ainda este ano, uma ferramenta que permita prever quantos pontos cada partida vai valer... e quantos pontos o time perderá no ranking naquele mês.

Isso talvez dê alguma importância ao ranking. Porque atualmente ele é apenas um amontoado impenetrável de números e contas – que não acrescenta nada ao esporte. E não acrescenta porque sua fórmula, que pretende ser justa, tem variáveis demais. Só a extensa explicação do ranking no site da FIFA já sugere uma outra pergunta:

- O FUTEBOL PRECISA DE UM RANKING MENSAL DE SELEÇÕES?

A resposta dessa é simples: não. O factóide da FIFA é absolutamente inútil. Caso o dedicado leitor tenha chegado até este derradeiro parágrafo, receba os justos cumprimentos e o conselho de descansar o cérebro até a próxima coluna.
Escrito em 24/10/2007
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O bom campeonato



1 - Faltam seis rodadas. A taça, bem sabemos, já está encomendada. A quinta estrela bordada no uniforme do São Paulo trará a efígie de Rogério Ceni e da melhor defesa que o Campeonato Brasileiro já viu. O Brasil valoriza muito a habilidade, o ataque. Este São Paulo será o campeão da eficiência, da precisão e da competência defensiva. Pode parecer má notícia. Os arautos do apocalipse continuarão soando suas trombetas, criticando o nível técnico do futebol brasileiro. O torcedor? Esse está no estádio curtindo o melhor Brasileirão da era dos pontos corridos. Nada menos do que 305 mil pessoas estiveram nos estádios nesta rodada (média de 30,5 mil/jogo). Será que o nível técnico é tão baixo assim?

1.1 - Nossos beatles emigraram. Não temos Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Kaká & Cia. Mas o futebol por estas bandas jogadas não é tão ruim assim. Quem ganhou os dois últimos mundiais interclubes e foi vice da Libertadores este ano? O futebol panamenho?

1.2 - O público nos estádios é um argumentos contra essa tristeza vocacional, esse narcisismo às avessas - diagnóstico de Nelson Rodrigues nos anos 50. Adoramos cuspir em nossa própria imagem - seja rindo, dando de ombros, aplaudindo tortura, chamando a realidade de fascista ou urinando no cartão postal. O Campeonato Brasileiro não tem os melhores jogadores do Brasil. Mas está longe - muito longe - de ser ruim.

2 – O São Paulo ganhou no melhor estilo “competitivo”. Jogou uma partida razoável, foi pressionado, viu o Cruzeiro perder um ou outro gol. E, quando o domínio do time mineiro era grande, aproveitou um contra-ataque. E aí armou sua muralha. A eficiência da defesa tricolor é impressionante. O time oferece muito poucas chances ao adversário – mesmo quando dominado. Não por acaso, levou apenas 12 gols no campeonato inteiro. Não houve uma partida – UMA – em que o tricolor tenha levado mais de um gol.

2.2 – A rodada teve dez vitórias dos times que jogaram em casa. Não por acaso, a Bola de Cristal, caseiríssima, acertou OITO em dez resultados. Onde estarão, a esta altura, os detratores da humilde e cristalina esfera?

2.3 - Quando perdeu Edmundo, as esperanças de Libertadores do Palmeiras pareceram se desfazer. Mas o surgimento de Caio, a reencarnação de Rodrigão... e uma gana que contagia cada milímetro de Parque Antártica trouxeram o Verdão de volta. Quem diria, há dois meses, que o time de Caio Júnior estaria brigando pela vice-liderança do Brasileirão? É um time brigador, um time Pierre, um time Makelele. Pode não ser bonito - mas corre e disputa cada bola como se fosse a última. E, talvez por isso, receba uma ou outra ajuda dos deuses boleiros - como no caso da bola na trave. Ah, e ter Diego Cavalieri no gol só ajuda...

2.4 - O Goiás respirou profundamente com a insólita vitória por 5 a 3 sobre o Fluminense. O jogo teve três pênaltis daqueles diminutivos, que o juiz normalmente ignora. Foram lances da chamada "faltinha", marcada no meio-campo, ignorada dentro da área. Leonardo Gaciba, porém, resolveu apontar a marca de cal. Elogios para ele... e para Paulo Baier, que fatiou e deglutiu a bola. Será que o Fluminense vai se esforçar pelo abstrato título de "melhor do Rio" mesmo? Ou já está pensando em 2008?

3 - O Botafogo afastou a maré de azar e venceu o Sport com autoridade. Jogou bem - mas não muito melhor do que havia jogado contra o Santos, por exemplo. Só que, dessa vez, as bolas entraram. Aliás, dois golaços - o primeiro e o terceiro. A volta de Diguinho ajuda - porque traz consistência ao meio-campo. Ninguém se lembra disso -mas a crise do time de Cuca (e Mário Sérgio) coincide com o período em que a equipe perdeu seus dois "segundos" volantes. Túlio, suspenso. E Diguinho, contundido. No esquema alvinegro, os volantes são fundamentais.

4 – O Grêmio jogou melhor que o Flamengo no primeiro tempo. Mas Souza, na única boa chance rubro-negra, abriu o placar. Joel Santana adiantou sua marcação no segundo tempo e o Flamengo cresceu. Muito se fala na torcida como “responsável” pela boa fase do time. É claro que ela ajuda. Mas bons jogadores ajudam mais. As contratações de Fábio Luciano, Ibson, Christian e Máxi foram fundamentais na recuperação rubro-negra. Os dois primeiros, em especial, fazem muita diferença. Ibson está jogando um futebol de primeiro mundo – defende e ataca com talento ímpar. Dunga, olho nele.

5 – Faltam seis rodadas. Briga pela Libertadores de um lado, briga contra o rebaixamento do outro. Não era chato o campeonato de pontos corridos?


As seleções da rodada

Seleção (3-5-2)
Felipe (COR) – Só não pegou o pênalti.
Fábio Luciano (FLA) – Xerife.
Miranda (SPO) – Autoridade.
Dininho (PAL) – De volta.
Makelele (PAL) - Incansável
Ibson (FLA) – Excelente.
Diguinho (BOT) - O melhor em campo no Engenhão.
Magrão (INT) – Que gol.
Paulo Baier (GOI) - O dono do time.
Fernandão (INT) – Voltando.
Souza (FLA) – Prende os zagueiros, faz gol e ainda defende.
Técnico: Joel Santana (FLA) – Subindo.


Selebaba (4-4-2)
Michel Alves (JUV) – Aceitando.
Eduardo (VAS) – Pediu o vermelho.
Wescley (JUV) – Limitado.
César (SPT) – Chegando atrasado.
Kléber (SAN) – Gol contra.
Rodrigo Souto (SAN) – Matou no joelho o empate.
Diego Souza (GRE) – Jogou com sono.
Romerito (SPO) – Só bateu.
Aílton (COR) – Que pênalti inútil...
Adriano Gabiru (SPT) - Não é atacante.
Alex Dias (FLU) - Que fase...
Técnico: Saulo (PAR) – Quase sem esperança...
Escrito em 21/10/2007
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Bola de Cristal telegráfica


Palmeiras 4 x 1 Paraná
Goiás 1 x 1 Fluminense
Botafogo 2 x 0 Sport
São Paulo 1 x 0 Cruzeiro
Atlético-MG 2 x 1 Vasco
Náutico 1 x 0 Corinthians
Atlético-PR 3 x 0 América-RN
Figueirense 1 x 1 Santos
Internacional 2 x 0 Juventude
Flamengo 3 x 2 Grêmio

Escrito em 19/10/2007
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Ectoplasmas e calculadoras


Poucas páginas serão mais acessadas neste fim do Brasileiro do que nosso Guia Anti-Rebaixamento. A briga será figadal. Faltam sete rodadas e, no fio da espada, 12 times ainda correm riscos de ser rebaixados. O América-RN já inaugurou a guilhotina, sendo oficialmente decapitado no sábado, ao perder para o Atlético-MG por 1 a 0 - num pênalti estranhíssimo e burro cometido pelo zagueiro Tony. Mas o cadáver do Dragão já estava encomendado há eras. O Juventude é outro corpo que caminha apenas por convicção - a alma do Ju já parece penada. O Paraná subiu os primeiros degraus do cadafalso e já recebeu uma piscadela do carrasco. Com 34 pontos, e nenhuma partida fácil pela frente... parece difícil que o tricolor paranaense consiga se salvar. Mas e a outra vaga? Essa é a assombração.

Com 38 pontos, o Corinthians sente a lâmina momentânea no pescoço. Mas nem o Vasco, que ganhou neste domingo e está na sétima colocação, está completamente a salvo com seus 43 pontos. Isso quer dizer que nada menos que 12 times (o Paraná incluído) ainda brigam para escapar da Série B. Ectoplasmicamente falando, as situações mais dramáticas parecem ser do Goiás (sem jogos fáceis no cardápio), do próprio Timão (idem) e do Figueirense que, apesar dos 42 pontos, só tem fios desencapados pela frente.

O Botafogo, em queda livre, tem como principal adversário o espelho. Depois de cinco derrotas seguidas, o time de Cuca 2.0 sentiu a água chegar nas canelas - mas tem alguns jogos relativamente fáceis (Sport e Paraná em casa; América-RN fora). O Inter precisa muito da vitória sobre o Juventude na próxima rodada - porque depois encara seis partidas complicadas. O Náutico, em franca recuperação, ainda vai enfrentar o Dragão em casa - três pontos mais que prováveis. Outros times que pegam o Dragão - e por isso tem grande chance de se livrar, são os rubro-negros Atlético-PR e Flamengo .

Teremos agora alguns confrontos entre rebaixáveis. Primeiro, o clássico adiado entre Vasco e Flamengo, na próxima quinta-feira. Depois, o time de Celso Roth enfrenta o Atlético-MG no Mineirão. O Corinthians enfrenta o Náutico sem Acosta nos Aflitos. E há o supracitado confronto entre Internacional e Juventude no Beira-Rio. Os matemáticos dizem que serão necessários 49 pontos para driblar a lâmina. Em outras palavras e em tese, o Corinthians precisa de três vitórias e dois empates para escapar. Entramos, enfim, na chamada fase da calculadora angustiada. Uma fase promete trazer as maiores emoções deste fim de Brasileirão.


Cinco reflexões reflexivas


1 - Este humilde servo do leitor previu que o São Paulo ganharia o título... contra o América-RN. O sopro de Nostradamus é quase um vento. Aguardemos.

1.1 - Não foi pênalti em Gabriel. Foi pênalti em Aloísio. O São Paulo, porém, não pode reclamar de arbitragem nesse Brasileirão. Já teve erros a seu favor também.

2 - O Flamengo era completamente dominado pelo Paraná quando o juiz Alício Pena Júnior viu um fantasmagórico pênalti de Léo Medeiros. Foi a melhor coisa que aconteceu para o rubro-negro carioca. Bruno pegou o pênalti e a enfática reclamação de Fábio Luciano pressionou o árbitro. No lance seguinte, Adriano foi ingênuo e esbarrou em Christian (que errou uma cotovelada). O bandeirinha viu algo parecido com uma agressão... e Alício, lembrando talvez o pênalti mandrake, pôs o jogador do Paraná para fora. O Flamengo assumiu o jogo e ganhou... num gol de Fábio Luciano. Xerife, muitas vezes, faz diferença.

2.1 – Que o diga o Botafogo – que mais uma vez perdeu uma partida que tinha tudo para ganhar. O Botafogo cobrou uma dezena de faltas na área do Vasco. O Vasco cobrou duas na área do Botafogo – e nas duas um zagueiro ficou livre para fazer o gol. Júlio Santos perdeu na primeira – Jorge Luís não. Leandro Amaral jogou muito, mas o time de Celso Roth se encolheu, bateu demais, demorou a ter um jogador expulso. Mas arrumou um caminho para a vitória. O time de Cuca esbarrou nas traves e na incompetência crônica de sua defesa na bola aérea.

3 – Palmeiras e Santos fizeram um jogo pegadíssimo de dois times que parecem ter tudo para garantir a vaga na Libertadores. No gol de Caio, Fábio Costa bobeou... mas a falha maior talvez tenha sido de Alessandro, o homem do primeiro pau. O gol do Santos teve muito mérito de Rodrigo Souto, que vem fazendo um belo Brasileirão.


3.1 – O Cruzeiro que abra o olho. O time perdeu 10 dos últimos 12 pontos e a Libertadores que parecia garantida... está ameaçada. Há quatro times brigando por três vagas. E Grêmio, Palmeiras e Santos estão jogando bem melhor que o time de Dorival Junior. A favor do Cruzeiro o fato de jogar contra Atlético-PR e América-RN em casa. Contra? O próximo jogo é contra um outro certo time que não ganha há quatro partidas – um certo São Paulo.


4 – O Grêmio não se abalou com os cinco pontos perdidos nos últimos dois jogos... e embora não tenha um time tecnicamente muito bom, sabe fazer valer seu futebol-força em casa. E ainda enfrenta Náutico no Olímpico e o América-RN fora.


5 – E o Fluminense, que fará até o final do Brasileirão? Estragará a vida alheia ou apenas vagará com um sonâmbulo? Somália não joga mais em 2007. E Thiago Neves, parece, está fora do próximo jogo. O adversário – o ameaçadíssimo Goiás – agradece.


Seleção da rodada (3-5-2)
Viáfara (ATL-PR) - Fechou o gol.
Chicão (FIG) - Salvador.
Fábio Luciano (FLA) - Decisivo.
Jorge Luís (VAS) - Bem atrás e na frente.
Ivan (FLU) - Sua melhor atuação.
Pierre (PAL) - Incansável.
Rodrigo Souto (SAN) – Vem melhorando.
Caio (PAL) - Fazendo diferença.
Acosta (NAU) - Mesmo expulso...
Leandro Amaral (VAS) - Há algum atacante melhor no Brasil hoje?
Tuta (GRE) - Decidiu.
Técnico: Roberto Fernandes (NAU) - Quase ganhou.

Selebaba da rodada (4-4-2)
Fábio Costa (SAN) - Bobeou.
Gabriel (FLU) - Muita pose.
Tony (AME-RN) - Uma mão na bola ridícula.
Alex (BOT) - Falhou nos dois gols do Vasco.
Paulo Rodrigues (PAR) - Muito limitado.
Amaral (VAS) - Sarrafo F.C.
Adriano (PAR) - Ingênuo.
Thiago Marin (BOT) - Uma falta desnecessária e decisiva
Souza (AME-RN) - Expulsão tola.
Maxi (FLA) - Seu pior jogo.
Josiel (PAR) - Displicente.
Técnico: Cuca (BOT) - Não adiantou a folga...

Escrito em 14/10/2007
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Bola de Cristal telegráfica
Rodada 31


Fluminense 0 x 0 São Paulo
Paraná 3 x 2 Flamengo
Santos 2 x 2 Palmeiras
Cruzeiro 3 x 1 Náutico
Corinthians 1 x 1 Internacional
Grêmio 2 x 0 Goiás
Juventude 2 x 1 Atlético-PR
América-RN 1 x 2 Atlético-MG
Sport 3 x 1 Figueirense
Vasco 1 x 1 Botafogo
Escrito em 12/10/2007
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"Que ótima notícia!"


O Náutico correu e renovou com o uruguaio Acosta, percebendo que perderia o uruguaio de graça no fim do ano. Quase quadriplicou o salário do apoiador/atacante substancialmente (a grana teria pulado de R$ 12 mil para R$ 40 mil). E a multa rescisória foi fixada em R$ 3 milhões. Ontem, o presidente do Timbu, Ricardo Valois, foi informado por Tiago Medeiros, nosso homem no Nordeste, sobre a notícia de que o Fluminense já teria acertado com Acosta. Valois festejou :

- Que ótima notícia você me deu – disse Valois para Tiago – Vou agora mesmo tirar um extrato da conta bancária do Náutico e aplicar os três milhões.

Foi uma ironia em forma de disfarce. O Náutico quer muito vender Acosta – R$ 3 milhões para o Timbu é uma fortuna. É praticamente tudo o que o time recebeu da receita de TV pela Série A. O que salta aos olhos é a diferença econômica entre os times. O salário de Acosta com aumento equivale a um jogador mediano no Rio e em São Paulo. É menos da metade do que ganha o lateral tricolor Júnior César, por exemplo. Talvez por isso, El Loco Acosta esteja literalmente louco para vestir a camisa 25 do Fluminense. Isso claro se mantiver seu número no Timbu...


Escrito em 11/10/2007
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Cristal despedaçado


Pobre e humilde bola de cristal, tão maltratada. Não há uma rodada em que ela não seja alvejada por disparos, balas perdidas e encontradas, torcedores coléricos, babando, capazes da ofensa maior e também da menor. Pobre e humilde bola de cristal, tão maltratada. A toda rodada, apesar de tantos e figadais inimigos, ela segue em sua ingrata tarefa de enxergar o futuro próximo e futebolístico. E recebe tão poucos afagos. E dispõe de tão pouco carinho.

E então, eis que numa hora perdida da noite, chega o e-mail. E ao saber dele, a bola se agita. Nuvens se formam em seu horizonte interno e infinito. Há algo de líquido e translúcido... quem sabe uma lágrima. Isso tudo por causa do e-mail abaixo, que agora transcrevo.



Boa noite Gustavo Poli,

Antes de mais nada, deixe eu me apresentar, me chamo Wilker Rodrigues de Almeida, sou de Cataguases/MG, Palmeirense doente e leitor assíduo de sua coluna no site Globo.com
Desde o início do campeonato brasileiro venho acompanhando seus palpites a cada rodada para os jogos, e de uns dias para que me bateu uma curiosidade:

- Como estaria hoje, o Campeonato Brasileiro se você tivesse acertado todos os seus resultados ????


Para não ficar com essa dúvida, resolvi pegar todos os palpites de todas as rodadas até hoje e fazer uma tabela do "Brasileirão Gustavo Poli". Algumas coisas no seu brasileirão como no verdadeiro brasileirão estão iguais como o São Paulo, Cruzeiro e Santos brigando pelo título, apesar de no seu, o ultimo é quem lidera com 56 pontos e até agora, invicto no segundo turno. América de Natal, Juventude e Paraná brigando para não cair, sendo que o ultimo ainda não está na zona de rebaixamento. O Paraná é também o único time em que você cravou o número de vitorias, empates de derrotas do brasileirão, e conseqüentemente, acertou o número de pontos também.



Outras coisas você também está acertando, apesar de serem números diferentes, como o São Paulo como melhor defesa, o Cruzeiro melhor ataque, o América de Natal, pior defesa e pior ataque. Porem, apesar de vários acerto e como também nem tudo é perfeito, algumas mancadas estão sendo cometidas, como o Internacional, que hoje briga para não cair no brasileirão, estaria em terceiro lugar, o meu Palmeiras que hoje é quarto colocado, com 50 pontos estaria em décimo segundo com 39 e surpreendentes 15 empates (foi o time que mais empatou). O botafogo que apesar de estar em decadência no atual brasileiro, entrou como um dos grandes favoritos e no seu brasileirão estaria na zona de rebaixamento. Corinthians e Atlético Mineiro estão longe da zona de rebaixamento no seu Brasileirão, Dentre outras coisas que você mesmo pode conferir.

Como alguns jogos do brasileiro foram adiados ou adiantados e remarcados para outras datas, os palpites para estes jogos não foram dados no mesmo dia dos palpites dos jogos da mesma rodada, portanto, para estes jogos eu utilizei os resultados reais desses jogos. Estou mandando abaixo a tabela atual, até a Trigésima rodada com a classificação atual e estou mandando também a tabela do primeiro turno, que teve o São Paulo como campeão e o surpreendente Sport recife em segundo lugar. Estarei acompanhando o seus resultados, atualizarei a tabela a cada rodada e vamos ver quem será o grande Campeão do “Campeonato Brasileiro Gustavo Poli”.



Se quiser, tenho essas tabelas em um arquivo do Excel, porém fiquei com medo de enviar um arquivo em anexo e você não ler com medo de que seja algum vírus ou talvez você não recebesse, porém se quiser, lhe envio o mesmo em um próximo e-mail. Um abraço de um fã que admira o seu trabalho, seu profissionalismo e principalmente a sua competência para comentar todos os assuntos referente aos mais variado esportes.




Comentário: Wilker, primeiro obrigado pelo impressionante trabalho (e pela inacreditável paciência). Não sei exatamente o que esses resultados mostram, além de comprovar que este vago profeta tem um lado charlatão. Esse julgamento, na verdade, fica com o leitor.
Escrito em 09/10/2007
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Consistência


Uma breve análise do topo da tabela do Campeonato Brasileiro confirma uma tendência. O Brasileirão de pontos corridos – pelo qual este escriba nutre especial simpatia – favorece o surgimento de uma elite. Os cinco times na ponta da tabela têm muito em comum. Centros de treinamento modernos, divisões de base estruturadas, capacidade gerencial e planejamento de bom nível. Além disso, São Paulo, Santos, Palmeiras e Grêmio têm estádios próprios. A exceção é o Cruzeiro – que divide o Mineirão com o Atlético-MG.

Desde que o Brasileirão mudou de fórmula, em 2003, São Paulo e Santos apresentam as melhores performances. Cruzeiro, Palmeiras e Inter também se destacam – o Grêmio é prejudicado pela péssima campanha do rebaixamento. Mas... a presença constante desses times no alto da tabela mostra que dinheiro não é tudo. São Paulo e Palmeiras fazem parte da elite financeira do Brasileirão – o grupo de times que recebe a maior fatia dos direitos televisivos (ao lado de Corinthians, Vasco e Flamengo). Cruzeiro, Grêmio e Inter recebem a mesma coisa que Botafogo e Fluminense, por exemplo.

A diferença está na estrutura. E no gerenciamento profissional. Na adaptação à realidade imposta pela Lei Pelé, que tirou dos clubes o oxigênio artificial do passe (e exagerou, tornando a formação de jogadores um investimento de alto risco). Isso criou um novo universo, no qual saber vender jogadores novos é fundamental.

O Cruzeiro, por exemplo, se especializou em negociar bem até juniores. Vende sem pudor – mas compra também com eficiência. Agora, em 2007, vendeu Araújo – seu melhor atacante – mas trouxe Alecsandro e Wágner de volta. E já foi às compras para o ano que vem, trazendo do Vitória o promissor lateral direito (ou ala) Apodi. O Internacional está num ano de entresafra, mas já se planeja para 2008 com boas contratações e o suporte das divisões de base. O São Paulo perdeu Josué e Fabão, e já inventou Breno, Alex Silva e Hernanes.

A histórica falta de planejamento talvez explique a decadência do futebol carioca. Flamengo, Vasco e Fluminense continuam revelando bons jogadores, mas não conseguem vendê-los tão bem. As receitas comprometidas por dívidas históricas limitam a capacidade de investimento. O Vasco não explora São Januário como poderia. O Engenhão pode significar um salto de qualidade para o Botafogo. Mas há quanto tempo um time carioca não figura nas primeiras posições do Brasileirão no fim do ano?


Reflexões da rodada

1 – A briga contra o rebaixamento promete ser a grande atração das últimas rodadas. A linha d’água está em 37 pontos (o “último rebaixado”). Ninguém que tenha 42 pontos está a salvo. São nada menos que 10 times brigando para não cair (levando em conta que Juventude e América-RN já estão encomendados). O Paraná, com 34 pontos, é favoritíssimo. Mas... depois disso... é velho oeste puro. Botafogo e Vasco, em franca decadência, já estão ameaçados.

2 – O Santos não merecia vencer o Cruzeiro. Venceu. Não merecia vencer o Botafogo. Venceu. Futebol e justiça não caminham juntos. O time de Wanderley Luxemburgo é eficiente – e tem alguns jogadores que podem fazer a diferença como Kléber, Petkovic e Kléber Pereira. Às vezes, basta só um.

3 – O Palmeiras venceu o Grêmio com autoridade, muito graças ao talento de Caio (segunda vitória consecutiva em que o camisa 16 fez diferença). Mas o time inteiro jogou bem, com raça e se apoiando na torcida. As chances de Libertadores aumentam. O Grêmio sentiu os desfalques e, especialmente, o primeiro gol palmeirense.

3.1 – Esse suspiro coletivo que ouvimos agora... é o alívio da Fiel com a inesperada e semi-milagrosa vitória no Morumbi. O Corinthians jogou com impressionante raça e explorou uma das virtudes do São Paulo – a bola parada com zagueiros – para fazer o gol da vitória.

4 – O Botafogo ficou nove dias sem Cuca. Nesses nove dias, deixou a briga pela Libertadores em três derrotas. E entrou na briga para não cair. A diretoria do Botafogo tinha que fazer algo – uma vez que Mário Sérgio não tinha como recuperar a moral dos jogadores com a torcida. Cuca, que teve seu nome gritado nas arquibancadas, terá a tarefa de reconquistar o elenco.

5 – O Fluminense neutralizou o Flamengo, jogando fechado e explorando as saídas rápidas, muito por conta do gol de Somália logo no início. Arouca fez grande partida, assim como Thiago Silva, que merece realmente uma chance na Seleção. Tem recuperação, colocação e não perde uma dividida. É muito bom zagueiro.


As seleções da rodada

Seleção (3-4-3)
Fábio Costa (SAN) – Uma defesa impressionante.
Sidny (NAU) – Habilidoso.
Chicão (FIG) – Goleador.
Thiago Silva (FLU) – Joga muito.
Makelele (PAL) – Um carrapato.
Arouca (FLU) – Presente nos dois gols tricolores.
Kléber (SAN) – Faz a diferença.
Caio (PAL) – Chutando muito.
Danilinho (ATL-MG) – Veloz e habilidoso.
Felipe (NAU) – Gol, chute na trave, passe...
Ferreira (NAU) - Que golaço.
Técnico: Roberto Fernandes (NAU) – Rumo à Sul-Americana?


Selebaba (4-3-3)
Sílvio Luiz (VAS) – Que saída horrível.
Vandinho (PAR) – Pênalti inútil e burríssimo.
Juninho (BOT) – A fase é péssima.
Carlos Eduardo (AME-RN) – Série B, aqui vou eu.
Juan (FLA) – Sua pior atuação no ano.
Gavilán (GRE) – O pugilista.
Adriano (PAR) - Perdido.
Alex Alves (JUV) – Improdutivo.
Borges (SPO) – Sumidão.
Josiel (PAR) - Jogou?
Reinaldo (BOT) – Só acerta quando erra.
Técnico: Lori Sandri (PAR) – É...
Escrito em 07/10/2007
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Órbita rubro-negra


Por ora, é ficção científica. Mas digamos que já existisse um Google Earth com vídeo em tempo real. E pudéssemos descer com nossos olhos, controlando um satélite virtual, e pousar nossa curiosidade sobre o Maracanã, na última quinta-feira. O que teríamos visto?

Pouco mais de cinquenta anos atrás, mais precisamente 50 anos e dois dias atrás, a falecida União Soviética pôs o primeiro artefato humano em órbita. No dia 4 de outubro de 1957, o satélite Sputnik – em bom russo, companheiro viajante – decolou da Ilha de Gorgon e deixou este planetinha azul. Pela primeira vez, estirávamos nossas manguinhas para fora da Terra. O Sputnik, essa distinta esfera metálica de alumínio, magnésio e titânio aí do lado, emitiu sinais de rádio por 22 dias... e caiu na Terra três meses depois.

Hoje, a órbita terrestre tem uma multidão de satélites. Antenas que nos observam, medem, controlam e informam. Olhos que nos fornecem mapas, são capazes de identificar um cachorro batizando o poste da esquina. Pois bem, mirasse uma dessas lentes para o centro do Rio de Janeiro na última quarta-feira.. e ela provavelmente enxergaria um bicho meio dinâmico, uma construção viva. Uma espécie de pulsante coração rubro-negro. Era o Maracanã.


A torcida do Flamengo é única. Não apenas por seu indiscutível gigantismo, ou porque seja mais apaixonada do que as outras (todas são iguais nesse sentido). O que torna a torcida rubro-negra diferente é sua paixão por si mesma. Não há uma torcida que se orgulhe mais de suas virtudes, que tenha certeza absoluta de sua superioridade eterna e incomparável – não apenas numérica. A torcida do Flamengo age como se fosse uma força da natureza – como se a vitória em campo dependesse dela. Não porque seja melhor que as outras – mas porque acredita piamente em seus super-poderes. Acredita realmente que faz a diferença – e, não raro, faz.

Foi com essa fé que a torcida rubro-negra tomou o Maracanã e empurrou seu time goela abaixo do virtual campeão, o São Paulo, só pelo prazer de dizer, depois, que ganhou do líder. Que ganhou do campeão. O jogo poderia ter outro resultado – mas o clima criado pela torcida, antes, durante e depois, moveu o time na direção da vitória – como se fosse inevitável. Era como se tudo estivesse voltado para isso – os desfalques do São Paulo, a recuperação dos principaios jogadores, mesmo o acaso que fez um bate-rebate jogar a bola no peito de Ibson e prepará-la paro o arremate decisivo.

A posterior loucura nas arquibancadas alimentou o mito – o mito da camisa que joga sozinha, a linda imagem criada por Nelson Rodrigues, uma mão que cabe sempre na mesma luva. A torcida do Flamengo recebe méritos mesmo quando fica apática – como na final do Campeonato Estadual – na qual, uma maioria rubro-negra em silêncio viu o goleiro Bruno evitar a vitória do Botafogo (e depois se consagrar nos pênaltis). A manchete de O GLOBO no dia seguinte foi “Torcida faz diferença e Fla ganha o Estadual”. Naquele jogo em maio, a torcida não fez diferença. Mas ontem fez. E como fez.

Cantando, dançando, ecoando e pulsando, os rubro-negros deixaram o Maracanã como se tivessem conquistando um título casual. Comemoravam a vitória do time sobre o São Paulo – e também a vitória da torcida sobre o São Paulo. Mais que isso, a confirmação dos poderes da torcida. O São Paulo perdeu no campo, sim – mas sobretudo nas arquibancadas.

Nosso fictício Google Earth em tempo real, quem sabe, poderia eternizar o orgulho do Maracanã em vermelho e preto desta quinta-feira - 50 anos e dois dias depois que o Sputnik venceu a atmosfera terrestre. Mas não seria capaz de flagrar a verdadeira história por trás da festa – a fé que levou cada um dos 70 mil rubro-negros ao estádio. A certeza de cada um deles de que faz parte de algo especial e invencível.


As seleções da rodada

Seleção da rodada
Bruno (FLA) – Que defesa.
Fábio Luciano (FLA) – Xerife.
Adaílton (SAN) – Com sorte...
Vinícius (ATL-MG) - Certeiro.
Luizinho Neto (SPT) – Muito bem.
Júnior Maranhão (SPT) – Decisivo.
Caio (PAL) – Pé quente...
Ibson (FLA) – Desarma e cria.
Anderson Aquino (SPT) – Que golaço.
Ferreira (ATL-PR) – Dois passes.
Wesley Brasília (AME-RN) – Dois gols.
Técnico: Joel Santana (FLA) – Marcação implacável.


Selebaba da rodada
Homenagem ao único time que conseguiu perder seis pontos para o América-RN.
Flávio (PAR)
Daniel Marques (PAR)
Nem (PAR)
Luiz Henrique (PAR)
Vandinho (PAR)
Adriano (PAR)
Rafael Muçamba (PAR)
Batista (PAR)
Adriano Bahia (PAR)
Jefferson (PAR)
Josiel (PAR)
Técnico: Lori Sandri (PAR)


*****


Cartola FC
Foi trágica, lastimável e sofrível a atuação do Zebra Listrada na Rodada 28. Pouco mais que miseráveis 28 pontos foram computados para o pobre Zebrinha, que despencou para a vergonhosa 590 posição da Série Z-1 – agora liderada pelo distinto beast team, do cartoal Marcelão. Segue a escalação do ZL para a próxima rodada:

Zebra Listrada FC
Júlio César (BOT)
Sidny (NAU)
Juninho (BOT)
Thiago Silva (FLU)
Juan (FLA)
Diego Souza (GRE)
Valdívia (PAL)
Ibson (FLA)
Fernandão (INT)
Jonas (GRE)
Marcelo Moreno (CRU)


Bola de cristal telegráfica


Botafogo 0 x 2 Santos
Palmeiras 1 x 1 Grêmio
Náutico 3 x 1 Juventude
Goiás 1 x 2 Cruzeiro
Figueirense 1 x 0 Paraná
Flamengo 2 x 2 Fluminense
Atlético-PR 1 x 2 Vasco
Internacional 4 x 0 América-RN
Atlético-MG 2 x 1 Sport
São Paulo 1 x 0 Corinthians
Escrito em 06/10/2007
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