Cartola FC + Bola de Cristal
Rodada 5
Até agora, este nostradamus de bolso tem mantido uma boa média. Apesar da má performance na quarta rodada (três acertos apenas), a performance geral é razoável: 17 chutes certos em 40 possíveis. Quase 50%. Vamos, pois, aos palpites deste fim-de-semana. E, a seguir, a escalação do potente Zebra Listrada FC para mais uma rodada do Cartola.
Bola de Cristal
Náutico 2 x 1 Paraná
O Timbu é um time que joga na base da empolgação. O Paraná sabe jogar no contra-ataque e Josiel, o artilheiro do campeonato, vem mostrando oportunismo. A vitória é muito importante para o Náutico - que vem de dois resultados muito ruins. O empate em casa contra o Vasco, com dois jogadores a mais; e a derrota fora para o ex-lanterna Internacional. Com um gol chorado de Kuki e outro do Marcel, dá Timbu.
Palmeiras 1 x 1 Botafogo
O muito desfalcado Palmeiras (sem Edmundo, Dininho e Martinez) enfrenta o algo desfalcado Botafogo (sem Joílson, Alex e talvez Jorge Henrique). O time de Caio Júnior tem laterais velozes que buscam a linha de fundo – algo que incomoda a sempre exposta defesa alvinegra. O Palmeiras tenta sempre marcar forte – mas a qualidade do Botafogo é grande. Se Jorge Henrique não jogar, o Cuca FR perde muito no ataque e também na defesa.
Vasco 1 x 0 Grêmio
O misto morno do Grêmio causou severos incômodos ao Botafogo na semana passada. E o Vasco marca melhor mas ataca pior que o time de Cuca. Celso Roth não terá Moraes, seu melhor criador. Mano Menezes, porém, resolveu escalar só reservas (e Lucas para ganhar ritmo) para o jogo deste sábado em São Januário. Por isso, o Vasco vence pelo placar miserável. Mas este é um jogo que planta uma pulga atrás da orelha visionária.
Atlético-PR 3 x 1 Goiás
O Furacão tem um ataque muito rápido – e a defesa do Goiás anda desconjuntada. Dênis Marques e Alex Mineiro devem estar com água na boca para pegar a zaga composta por Leyrielton, Paulo Henrique, Ernando e Diego. O Goiás tem um de seus piores times dos últimos tempos – não por acaso está na zona de rebaixamento – tendo como ponto forte o ataque, formado por Whelitton e Fabrício Carvalho. O Furacão não é nenhuma máquina, mas deve vencer sem problemas.
Figueirense 2 x 2 Flamengo (atualizado no sábado)
Estará mordido ou deprimido o Figueira depois da derrota na Copa do Brasil? Vamos apostar na primeira hipótese. O Flamengo tem jogado bem fora de casa – mas sua defesa continua insegura. Não há jogo em que o goleiro Bruno não faça pelo menos uma grande defesa. O Figueira vai adotar seu estilo de marcação incessante – e o time de Ney Franco buscará o empate.
Fluminense 3 x 2 Sport
Energizado pela conquista da Copa do Brasil, quem sabe o Fluminense não consegue até jogar bem neste domingo? O Maracanã estará cheio, com a eufórica torcida tricolor comemorando até gol contra. O Sport é perigoso, mas não terá seus principais articuladores: Fumagalli e Luciano Henrique. O jogo promete ser aberto – o meio-campo tricolor dá muito espaço. Mas... movido a Copa do Brasil, o Flu prevalece no fim.
América-RN 1 x 2 Corinthians
O Corinthians brigador de Paulo César Carpegianni enfrenta um estádio cheio e um time limitado. O torcedor potiguar que me perdoe, mas o Dragão, que perdeu para os reservas do Figueirense na semana passada, continua com sua precoce candidatura ao rebaixamento. O Timão, por sua vez, acertou a defesa e a marcação – e tem um contra-ataque rapidíssimo puxado por William. Corinthians na cabeça em Natal.
Cruzeiro 3 x 1 Juventude
Outro precoce favorito à Série B, o Ju vai até Minas encontrar Araújo & seus blue caps. Aliás, Araújo, Roni & seus blue caps. O experiente Roniéliton estreou com pé direito na vitória contra o Palmeiras. O Juventude ganhou do América-RN em casa, mas levou sustos e fez um gol sem querer. E olha que o Dragão estava com um a menos desde o primeiro tempo. A zaga do Cruzeiro melhorou com Thiago Heleno e Luizão, mas não é nenhuma maravilha – como demonstraram as quatro bolas na trave chutadas pelo Palmeiras. Mas, na qualidade, dá Cruzeiro.
São Paulo 1 x 1 Atlético-MG
Zetti contra o São Paulo no Morumbi. Promete ser um belo jogo. Na última rodada, O tricolor paulista venceu fora de casa – mas sem convencer muito e com especial auxílio da arbitragem. O Galo deixou de vencer o Furacão no último minuto com um pênalti cobrado na trave. O time de Zetti é rápido graças a Danilinho, Marcinho e Éder Luís. E se fecha com eficácia. Muricy terá que quebrar a cabeça para vencer a defesa mineira.
Internacional 0 x 1 Santos
A tríplice coroa encheu de brios o torcedor colorado. O Santos, por sua vez, perdeu na vitória. Time por time, o Santos é melhor, mesmo sem Zé Roberto. O Inter ainda não se ajeitou e penou um pouco para derrotar o Náutico na segunda-feira passada. Então, enfim, nostrabolso aqui aposta numa semi-zebra, no visitante vencedor inesperado da rodada. Dá Peixe.
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Cartola FC
ATUALIZADO ÀS 00:29
O treinador-professor-treineiro do Zebra Listrada FC fez 44,72 pontos na última rodada. O pênalti chutado por Coelho na trave não chegou exatamente a ajudar. Assim como a expulsão de Fumagalli. Quase todos os jogadores da equipe se desvalorizaram. Então... vamos em busca de alguns atletas baratos para tentar reequilibrar o caixa.
Gatti (CRU) – Tinha escalado Felipe (COR), mas atendendo uma sugestão do blogueiro César... mudei. Gatti está muito barato (0,10 cartoletas apenas)
Jorge Wagner (SPO) – Bate faltas, cruza bem, será uma opção ofensiva muito utilizada pelo tricolor no Morumbi diante da defesa do Galo.
Coelho (ATL-MG) – A recíproca é verdadeira... por mais que vá enfrentar justamente Jorge Wágner. Esperemos que não perca outro pênalti.
Thiago Heleno (CRU) – Contra o Juventude... em casa... vamos esperar que a defesa do Cruzeiro não seja vazada. E sai por módicas 2,01 cartoletas.
Cris (NAU) – O gigante do Timbu pode fazer um gol numa bola aérea vadia. E custa 2,52 pratas.
William (COR) – O rapidíssimo e talentoso apoiador do Timão... sofre muitas faltas. E é sempre uma ameaça ofensiva.
Arouca (FLU) – Era Renato (FLA) - mas a lesão dele no sábado... o transformou em dúvida. E é uma dúvida cara demais (grato ao blogueiro Arthur pelo aviso!). Só espero que o Arouca jogue...
Marcel (NAU) – O articulador ofensivo do Náutico... vez por outra marca seu golzinho. E custa apenas 3,11 pratas.
Washington (SPT) – O homem da orelhinha é excelente na cabeça. Está sempre levando perigo pelo alto. E a zaga tricolor é melhor no chão.
Dodô (BOT) – O outro jogador caro desta escalação... Dodô parece sempre deixar um golzinho. E o Palmeiras terá desfalques.
Finazzi (COR) – Cheguei a escalar Éverton Santos (COR), pensei em Welitton (GOI)... mas Finazzi está barato demais (0,66 cartoletas). Deve se valorizar.
Escrito em 08/06/2007
Eric Faria Informa
Kleber Leite e o Delírio Beleza
No último Eric Faria Informa, contamos aqui uma historinha do Flamengo de 1995. Informado pelo então presidente Kleber Leite de que teria US$ 5 milhões para contratar reforços para aquele Brasileirão , o técnico Wanderley Luxemburgo teria feito uma lista que incluía Zetti, Ronaldão, Mazinho Luizão e Giovanni (Santos). Kleber leu a história, que dizia que ele tinha preferido contratar Edmundo em vez da lista de Wanderley (uma opção que deu errado, obviamente). Leu... e teceu o seguinte comentário:
- Eu nunca vi essa lista. O Wanderley também deu aval para a contratação do Edmundo. Acho que ele está ficando maluco. Está começando a acreditar nas histórias que ele mesmo conta. Mas está tudo certo, não fico chateado com ele não... ele é um Delírio Beleza.
Está aí o registro da versão de Kléber. Fato é que o Animal foi contratado para formar o "melhor ataque do mundo" com Sávio e Romário. Não deu certo e Wanderley não ficou até o fim do filme - brigou com Romário e deixou o Flamengo, que tempos depois contratou o radialista Washington Rodrigues, o Apolinho. como treinador.
Escrito em 08/06/2007
Quarta tricolor
O imenso 1 a 0 e a resistência gaúcha
1 - De timinhos e máquinas
Foi uma vitória epicamente tricolor. Ou liricamente tricolor. Nada é mais Fluminense do que a vitória menor, do que a vitória inesperada, do que a vitória com o gol do reserva da última hora. Nada é mais Fluminense do que a vitória minúscula que se torna maiúscula. Nada é mais Fluminense do que dizer que sem Adriano Magrão não haveria título – por mais que existam Carlos Albertos, Cíceros e outros mais votados. Nada é mais Fluminense do que o 1 a 0, do que o 1 a 0 imenso, descomunal.
O Fluminense vive de títulos, não de ídolos. Vive de conquistas, não de glórias – a diferença é sutil. É um time que coleciona taças – venham elas de modo espetacular ou feio; estranho ou casual; no primeiro ou no último minuto; justo ou injusto. O que importa é o caneco – e ele costuma vir, seja com máquinas ou timinhos. Essa é a mística das três cores que traduzem tradição – essa amizade com a vitória – em suas variadas formas.
Ontem ela veio suada, sofrida, mastigada. O gol de Roger, logo no início do jogo, acabou com as virtudes do Figueirense, um time que vive de jogar atrás, recuperando a bola e partindo em velocidade. Se é obrigado a atacar, as limitações do time aparecem. . E dizer que Roger só entrou em campo porque o titular Luís Alberto estava machucado.
O Fluminense fez o gol em seu primeiro chute – e jogou o resto da partida na defesa. Foi pressionado, viu o Figueirense perder um gol inacreditável... e resistiu. Veio o segundo tempo... e a pressão do Figueira aumentou. O gol de empate parecia questão de tempo quando Mário Sérgio cometeu uma sandice. Tirou Diogo para botar o atacante Ramon e deslocou Ruy na lateral. Isso matou a movimentação do meio-campo catarinense. A partir daí, o Figueira ameaçou pouco. E Alex Dias teve duas chances de matar o jogo – e perdeu ambas.
O Figueirense provou de seu próprio remédio. Talvez tenha sido o melhor time nas duas partidas da decisão. E daí? A taça está seguindo para as Laranjeiras – assim como a vaga na Libertadores. Talvez só o Fluminense conseguisse esse feito raro de ganhar um título tão importante sem fazer uma grande partida - jogando uma, talvez duas vezes bem. Em seu caminho rumo a seu primeiro título nacional desde 1984, o tricolor carioca jogou quase bem duas vezes. Contra o Brasiliense no Maracanã... e contra o Atlético-PR na Arena da Baixada. E mesmo nessas partidas, Fernando Henrique, o goleiro com nome de presidente, foi um dos melhores jogadores do time - e contou com ajuda da trave.
No fim do primeiro jogo da decisão, semana passada no Maracanã, os jogadores do Figueirense se abraçaram, comemorando o empate em um jogo que venciam até os 43 minutos do segundo tempo. Ali, o título tricolor se desenhou. Era uma celebração tola. Do outro lado estava o Fluminense – equalquer comemoração contra time grande é precoce. Comemorar empate quando a vitória está a mão, então... A carruagem estava prestes a se transformar em abóbora. Do outro lado, a robusta abóbora tricolor – que tantos orangotangos pagou este ano – subitamente virou carruagem.
O Fluminense andava merecendo esse título há algum tempo – namorou com a Libertadores no início dos anos 2000, foi seguidas vezes o melhor carioca. E estranhamente, talvez pagando os pecados de um rebaixamento mal resolvido, nada levou – mesmo tendo bons times com Romário, Petkovic, Edmundo e Felipe. Ontem, com mais uma atuação opaca de seu grande jogador (Carlos Alberto), o Fluminense venceu com Fabinho, com Roger, com Arouca, com Magrão.
É, Magrão, Adriano Magrão, o avante pernalta, cuja perna direita por vezes teima em tomar a bola da esquerda. Magrão voltou às Laranjeiras renegado, no início do ano, vindo do Sport como uma espécie de oitavo reserva. E, no meio da Copa do Brasil, a chance de jogar apareceu. E a bola começou a sobrar para Magrão. E Magrão começou a deixá-la no fundo das redes. Foi assim contra o Atlético-PR, contra o Brasiliense e na primeira partida da decisão. Ontem, ele não fez gol – mas deu o passe. Sem Magrão não haveria título.
Nada mais coerente – eis que o Fluminense foi o campeão da vitória magra. De empate em empate, de vitória tosca em vitória tosca, o tricolor foi construindo a taça. Quando o silêncio tumular baixou sobre o Orlando Scarpelli, pudemos ouvir aquela célebre musiquinha do papa, de um outro papa, a mais tricolor das canções arquibaldas. A benção de João de Deus, no ano da visita de Bento, desceu novamente sobre as Laranjeiras com um magro e chorado gol.
Nada mais tricolor, nada mais Fluminense, do que o placar mínimamente eterno.
2 - O verbo resistir
Quem apostaria, no início do ano, que o Grêmio seria campeão gaúcho e chegaria à final da Libertadores? Quem viu as primeiras partidas do time, em que limitação rimava com falta de inspiração, ignorava que havia outra rima, bastante gaúcha: superação. Ontem, o Santos devolveu moeda por moeda o atropelamento da semana passada. Marcou em cima, sufocou, criou chances. E o Grêmio, copeiro como ele só, fez seu gol (e que golaço) e segurou e perdeu no limite – como perdem os times copeiros.
Méritos para o Santos, que fez uma partidaça, repleta de alma, e para Wanderley Luxemburgo, que apostou na fé e na paciência para vencer o bem armadíssimo bloqueio de Mano Menezes. E aí entrou o detalhe – a falha grosseira de Adaílton no primeiro jogo, o chute sensacional de Diego Souza – que vem, há algum tempo, sendo o melhor jogador tricolor. E duas belas defesas de Saja – em especial aquela logo no início do jogo.
Agora, o Grêmio espera o resultado da partida de amanhã. O Boca é mais tradicional, mais temível. Mas o time do Cúcuta, que Mano Menezes conhece bem e elogiou muito na primeira fase, é provavelmente melhor. Nenhum dos dois, porém, é melhor que o Santos. O Grêmio poderá perder Carlos Eduardo - mas deverá ter a volta de Lucas e Tuta. Uma única coisa é certa: a final será no Olímpico. Com avalanche de sobra.
Quem diria que, um ano depois da consagração colorada, o Grêmio teria a chance de responder título com título?
Escrito em 07/06/2007
Visões do erro
O futebol precisa do replay
O árbitro Leonardo Gaciba aponta para a marca do pênalti na Vila Capanema. Antes da cobrança, o torcedor do Paraná já busca o celular no bolso. Basta um minuto de conversa:
- Meu irmão está vendo o jogo em casa. Na TV, disseram que não foi nada. Ladrão! Ladrão!
O pênalti já foi marcado. O que busca o torcedor ao ligar para casa? Que diferença fará se foi o juiz acertou ou errou? Toda a diferença do mundo. O telefonema procura, no fundo da alma, a indignação sagrada, a ira santa dos injustiçados. Tivesse sido pênalti e o torcedor, resignado e desapontado, respiraria fundo. E esqueceria do juiz, de sua cândida genitora, de toda a família arbitral. Mas... não foi pênalti. O juiz errou contra seu time. Errou, não. Roubou. Assaltou. Furtou. Lesou. É seu o direito sacro de xingar. De esbravejar. De condenar. De incinerar cada ramo da árvore genealógica da família Gaciba.
É seu direito mais inconteste reduzir a pó a reputação do árbitro que, ao contrário dele, não pôde ligar pra casa, nem perguntar para um amigo, irmão, patrão ou colega... o que aconteceu na jogada. O árbitro não pôde passar a mão no celular. Não ligou para ninguém, não pensou. Não. Ele só pôde contar com seus dois olhos. Numa fração de segundo. Sem replay.
Esta é a sina de Gaciba, Ana Paula de Oliveira, Alfredo Seneme, Evandro Roman e tantos outros seres humanos que escolheram o apito ou a bandeira como forma de vida – ou de realização pessoal. Não haverá um dia de trabalho em que o juiz de futebol deixará de ser xingado, vaiado, humilhado. Isso não é novo. A novidade, a cada dia mais flagrante, é a distância sideral entre o que as câmeras mostram e o que o olho humano vê.
Desde 2004, quando a televisão passou a transmitir e gravar todas as partidas do Brasileirão, a sensação de que arbitragem brasileira é ruim começou a aumentar. Cada transmissão conta com, no mínimo, cinco câmeras para acompanhar todos os lances. São ao menos cinco ângulos – quatro a mais do que os disponíveis para aquele indivíduo com apito na boca e cronômetro no pulso. A grande ironia é que, de lá para cá os juízes melhoraram. Mas como eles não podem competir com as câmeras... a sensação geral é de que eles são ruins. Eles não são ruins – eles são humanos.
Não há jogo de futebol em que o juiz não erre. Em 90 minutos, o árbitro vai errar. Pode ser numa faltinha, num faltão, numa interpretação, num lance bobo. Ou pode ser num lance decisivo. Antes, os juízes erravam e o replay tinha no máximo um, dois ângulos. Hoje há jogos em que são utilizadas 15 câmeras. Parafraseando o provérbio cínico – ninguém resiste a um exame tão íntimo. Esse big brother futebolístico produz vilões semanais em série. Esta semana é Gaciba, na passada foi Ana Paula, antes foi Simon. Num país repleto de Zuleidos e Delúbios, é mais do que compreensível que a torcida enxergue um Edílson potencial atrás de cada apito. E que as teorias conspiratórias proliferem.
Por isso, e cada vez mais, é hora de aposentar aquele argumento empoeirado de que o erro do juiz faz parte do esporte. Se faz, não deveria fazer. Se há maneiras de reduziro erro em campo – elas devem ser utilizadas. Não fazer isso atenta contra o próprio espírito do jogo. Observe-se que todos os outros esportes já adotaram ou estão adotando recursos tecnológicos. Em alguns, eles são indispensáveis. No atletismo e na natação, vitórias e recordes dependem da tecnologia. No tênis, os juízes já se apoiam em computação gráfica para saber se a bola foi dentro ou fora. No basquete, há algo parecido. O princípio desses avanços é o mesmo: o erro evidente conspira contra a credibilidade do esporte.
Vejamos o caso do jogo da Vila Capanema. Leonardo Gaciba é, sem sombra de dúvida, um dos melhores juízes do Brasil. E errou no pênalti. Errou porque a vida não acontece em câmera lenta. Sem replay, à primeira vista, quem poderá dizer que não foi pênalti de Marcos Leandro em Aloísio? Vendo de novo, em close, com inúmeras repetições... é possível perceber a malandragem do atacante do São Paulo. Mas... sem esse recurso, sem reduzir a velocidade do lance, como seria possível ver isso? A resposta é simples: não seria. Antes do replay, a sensação geral foi de pênalti. Por isso, o torcedor do Paraná buscou seu telefone celular.
O mesmo vale para o último lance do jogo. Cruzamento na área do São Paulo, e Luiz Henrique, em condição amplamente legal, cabeceia para as redes. O auxiliar José Silveira, enganado por outros jogadores do Paraná em impedimento, levanta sua bandeira. Resumo da ópera: não fossem dois erros capitais de arbitragem, o Paraná teria ganho por 1 a 0 em vez de perder pelo mesmo placar. Mas Gaciba e Silveira não têm visão telescópica. Não tem visão com tecla pause. Erraram.
E esses erros poderiam ser corrigidos com o uso de um banal replay. Um quarto árbitro, confortavelmente instalado numa cabine, tiraria por rádio a dúvida do juiz nos lances polêmicos. Que mal isso faria? Não podemos instalar isso em todos os campeonatos do mundo? Paciência. Nem todos os gramados do mundo são bons, nem todos os estádios são iguais, nem todas as bolas têm o mesmo peso. O argumento de que isso criaria um esporte diferente também já caducou.
Esse sistema poderia até ser regulamentado, como no futebol americano, onde cada time tem dois “desafios” por tempo. O juiz marca um lance duvidoso? O técnico do time lança um lenço no campo. O juiz então analisa o lance num monitor e volta atrás – ou não. No futebol da bola oval, um esporte obviamente diferente, o critério usado para mudar o lance é interessante: a decisão de campo só é modificada se houver evidência irrefutável de que ela foi errada.
Mas... o que é evidência irrefutável? O bom senso decide. Popr isso, o replay não elimina o erro. Não elimina a interpretação. Um exemplo: Renato Marsiglia, amigo da coluna, viu pênalti ontem no lance em que Leonardo (FLA) caiu na área do Sport. Na opinião de vosso humilde servo aqui... o atacante rubro-negro foi tocado fora da área e desabou dentro. Evandro Roman achou pênalti – marcou, o Flamengo fez 1 a 0. Houvesse um sistema de replay como o acima citado – ele poderia mudar a decisão. Ou não. Mas teria mais elementos para decidir – a possibilidade de erro seria reduzida.
E é isso que importa – reduzir o erro, preservar a credibilidade dos árbitros e, por conseqüência, do esporte. Hoje os próprios árbitros fazem cara feia e bico quando se fala no uso do replay – logo eles, que seriam os maiores beneficiados. É uma idéia que soa ago utópica diante da velocidade de quelônio da International Board. Mas é inevitável, o progresso é inevitável. O futebol será obrigado a usar o replay – pode demorar dois, cinco, dez, vinte anos. As regras mudam a passos de jabuti, mas mudam.
Raio-X da rodada
O golaço da rodada
Juninho (BOT) pegou de três dedos, de muito longe, e encobriu Saja (GRE), dando alegria para os torcedores do Botafogo e para os técnicos (como este) que escalaram o zagueiro no Cartola FC.
O passe da rodada
Tiago (ATL-PR) dominou com o peito tirando o zagueiro e rolou para Alex Mineiro empatar no Mineirão. Uma bela jogada.
O risinho da rodada
Vai para Leonardo (FLA), ao comentar o lance de seu suposto pênalti em Recife. O atacante brincou, disse que já estava caindo e disse rindo debochadamente que havia sido penal. Tá certo, Leonardo...
O pênalti não marcado da rodada
Alan Bahia (ATL-PR) derrubou Marcinho (ATL-MG) na área do Furacão... e o juiz Domingos Viana (PA) não viu.
A bola na trave da rodada
Foram muitas... mas a mais impressionante foi a chutada por Florentín (PAL) depois de um passe excepcional de Edmundo. O paraguaio chutou bem... e a bola explodiu no travessão.
(Mais um) pênalti mal marcado da rodada
Em compensação, Domingos Viana viu uma penalidade ectoplásmica quando Danilo foi na bola, tirou o pé e Tchô se jogou aos 46 minutos do segundo tempo. Menos mal para o árbitro que Coelho chutou na trave.
O gol estranho da rodada
O segundo gol do Cruzeiro no Parque Antartica começou numa falta. Leandro Domingues errou a cabeçada, roçou com o braço na bola. A dita cuja sobrou para Ramirez e Roni... que dividiram o mesmo chute. Ramirez com o pé, Roni com o traseiro. Nova sobra para Ramirez, que chutou para o gol.
O gol sortudo da rodada
Ramon (FIG), que jogava muito mal, resolveu arriscar. Chutou mal. A bola resvalou em Cléber Gaúcho (GOI)... e entrou no cantinho de Harley.
O gol perdido da rodada
Edmundo (PAL) – que jogou muito - driblou o goleiro Lauro (CRU) e conseguiu chutar para fora. Seria o gol de empate no Parque Antártica.
O gol sem querer da rodada
Barão (JUV) foi cruzar... errou e enganou o goleiro Renê (AME-RN).
O sarrafo da rodada
A pancada de Schiavi (GRE) , que jogava bem até então, no joelho de Jorge Henrique (BOT) . Merecidíssima expulsão do gringo.
A frase da rodada
“Eu como Nei, pessoa Nei, sempre quero vencer.. Mas o resultado foi até bom” - Nei, a pessoa Nei, lateral do Atlético-PR, perguntado (a) se o resultado no Mineirão tinha agradado.
Acréscimos reflexivos
1 – O Botafogo é líder isolado – mas o placar da vitória sobre o misto gremista foi exagerado. O time de Cuca começou o jogo bem, fez seu gol e, como de hábito, piorou quando tinha a vantagem no marcador. O Grêmio quase empatou. Amoroso perdeu pênalti, Diego Souza cobrou uma falta no travessão... Não fosse a expulsão de Schiavi, mais do que justa e cavada pelo melhor jogador em campo (Jorge Henrique)... a história poderia ser diferente.
2 – Não passa uma rodada sem que o goleiro Bruno (FLA) não faça uma defesa impressionante. Ontem foram duas – a primeira numa cabeçada de Washington, a segunda num chute de Weldon. Ambas à queima-roupa. Se Bruno for embora, o Flamengo perderá mais do que pensa.
3 – Poucos resultados foram mais injustos do que a vitória do Cruzeiro sobre o Palmeiras no Parque Antártica. O time de Dorival Junior até jogou bem – mas teve a trave como principal defensor. Foram quatro bolas na trave no segundo tempo – algumas estranhíssimas. E Roni foi o melhor em campo, formando uma bela e veloz dupla com Araújo.
4 – Na Vila Belmiro, o placar foi justo... o Corinthians foi bem melhor no primeiro tempo. E o Santos bem melhor no segundo. O time de Paulo César Carpegianni corre muito – e de forma muito intensa. Não é um ritmo sustentável para 90 minutos. O Santos esteve muito perto da vitória nos minutos finais – e jogando com um time repleto de reservas.
5 – É cedo. Mas parece que Juventude, Goiás e América-RN são fortes candidatos a brigar na parte de baixo da tabela. O Inter, bom... tem tudo para largar a lanterna vermelha hoje contra o Náutico.
As seleções da rodada
Selebaba (3-4-3) ,
Fábio Costa (SAN) - Piu, piu, piu e piu.
Thiago Machado (AME-RN) - Expulsão em 34 minutos.
Schiavi (GRE) - Tirou o Grêmio do jogo.
David (PAL) - Sofreu com Roni e Araújo.
Vítor (GOI) - Uma expulsão decisiva.
Osmar (SPO) – Gol olimpicamente contra.
Cléber Gaúcho (GOI) - Limitado e azarado.
Lúcio Flávio (BOT) – Em péssimo dia.
Amoroso (GRE) – Improdutivo. E ainda perdeu o pênalti.
Romário (VAS) – Perdeu o gol 1001. E só.
William (AME-RN) – Ineficiente.
Técnico: Lori Sandri (AME-RN) – Perdeu para o lanterna...
Seleção (4-4-2)
Felipe (COR) - Duas excelentes defesas.
Rafael (FLU) - Não só pelo gol.
Domingos (SAN) – Marcou William muito bem.
Juninho (BOT) - Um golaço de longe e segurança na zaga.
Márcio Azevedo (JUV) – Bem no apoio e na marcação.
Ramirez (CRU) - Um gol e muita autoridade no meio.
Diego Souza (GRE) - Bela atuação mesmo na derrota.
Renato (FLA) – Decisivo.
Rodrigo Tabata (SAN) – Inteligente e refinado.
Jorge Henrique (BOT) - O melhor em campo no sábado chuvoso do Maracanã.
Roni (CRU) - Um gol, um passe e uma assistência de traseiro. Que estréia.
Técnico: Dorival Junior (CRU) – na semana passada, o posto era o da outra seleção...
Escrito em 04/06/2007