
Mesmo esse Mundial de Clubes de 2000... tem seus problemas de critério técnico. Até os portões do Parque São Jorge sabem que o Corinthians nunca ganhou a Taça Libertadores da América. Mas... como a FIFA resolveu fazer o Mundial de 2000 no Brasil... e precisava de estádios cheios... arrumou um convite para o campeão brasileiro. O Corinthians não tem culpa de ter sido convidado. Mas se o campeão brasileiro daquele ano fosse o Atlético-PR... bom, talvez a história fosse outra. Talvez o convite fosse outro.
A cada dentada, ele mastiga cabeças-de-área, técnicos teimosos e verdades universais. Sua saudade do futebol bem jogado, da arte em campo, é maltratada pelo presente. Ele geme, nostálgico, suspirando pelos vultos de sua belle époque. É um tempo que não volta mais. Mesmo os cronistas que transformaram esse esporte de bola em evento mitológico já se foram. Restou apenas ele, de pena luminosa na mão, guardião desse futebol de outrora, enfrentando a sanha assassina de técnicos científicos, jogadores fortões e jornalistas adulatórios. Dom Quixote diante de seus moinhos de vento.
Escapa ao arauto essa informação que quem já jogou qualquer tipo de pelada sabe: futebol se joga com e sem a bola. E saber jogar sem a bola é tão importante quanto jogar com ela. Time que não marca perde. Senão, a Seleção Brasileira deveria jogar com Robinho, Fred, Vagner Love, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Edmundo, Romário e o Palhaço Arrelia.
O Vasco vencia por 3 a 0, tinha a vitória mais do que no bolso, eram 45 minutos do segundo tempo. E a bola foi parar nas mãos do goleiro Cássio. Nunca, jamais, em tempo algum Cássio teve tanta pressa. E essa pressa era a pressa de toda a torcida do Vasco, justificada pela corrente elétrica que percorria o Maracanã inteiro, arrepiava cada torcedor cruz-maltino, e concentrava as atenções de todo o mundo futebolístico