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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
O presidente do gol


Está com moral, o Lulinha. O moleque de 16 anos, promessa do Corinthians e revelação primeira desta Sub-17 que navega no Equador, é a principal manchete do site da Conmebol. O apelido vale comparação com o presidente da República - o título do artigo é Lula, el 'presidente' del gol. A indústria brasileira de futebol para exportação produz cada vez mais ídolos precoces. Lulinha nunca jogou pelo profissional do Corinthians. Mas... quando jogar já terá uma tonelada de expectativa sobre seus ombros.
Escrito em 22/03/2007
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NOTA BREVE DE TERÇA-FEIRA - Pan, Pan, Pan

























Essa é uma imagem de hoje da piscina do Parque Aquático Pan-Americano no Complexo do Autódromo. Amanhã, a piscina começa a receber cerca de 3,8 milhões de litros d'água. A previsão é que esteja cheia em três dias. E o PAN terá seu primeiro "cartão postal" para mostrar. A obra ainda está longe do fim. Sobram andaimes, estruturas, concreto à mostra. Segundo a placa no Portão 5, faltam 42 dias para que o Complexo do Autódromo fique pronto.
Escrito em 20/03/2007
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O bom volante


Houve um tempo em que não havia time brasileiro que desprezasse um volante cinco. Você sabe, o irmão mais grosso do ponta onze, o cabeça-de-área, o chamado de primeiro homem do meio-campo. Para todo Falcão havia um Caçapava. Para todo Sócrates havia um Ruço. Para todo Didi havia um Zito. Quando Telê Santana escalou aquele meio-campo todo talentoso na Copa de 1982, Toninho Cerezzo resolveu errar um passe. Logo ele.

O jogador de destruição por definição sempre foi fundamental. E, no Brasil, sempre foi crucificado como um brucutu desprovido de técnica. Dunga até ganhou uma era de presente depois em 1990. E respondeu levantando uma Copa quatro anos depois, dividindo o meio-campo com outro jogador espetacular na arte de roubar a bola alheia – Mauro Silva. Mas algo tem mudado. O volante cinco tradicional está perdendo importância. Boa parte dos técnicos têm preferido abrir mão de algum poder de marcação em nome de melhor toque de bola.

Na Copa do Mundo, cansamos de ver volantes como peças fundamentais. Zé Roberto, Pirlo (Itália), Vieira (França), Yapi Yapo (Costa do Marfim) mostraram quão decisivo pode ser o primeiro passe. E a capacidade de projeção ofensiva da posição. O volante moderno marca, claro, mas também corre, avança, sabe virar o jogo e até driblar. E este foi um fim-de-semana de volantes. No Sul, o colombiano Vargas pôs o Juventude no bolso. No Rio, Diguinho foi a figura central do clássico Vovô. Em São Paulo, Martinez fez um gol de assinatura. E até o reserva Léo Medeiros acordou a coruja em Volta Redonda.

Essa ebulição de volantes-que-sabem-jogar é uma evolução até natural. Mas... se tivesse Dunga e Mauro Silva, hoje, você não os escalaria no seu time? Com especialistas em tomar a bola do adversário, esse seu time ficará mais tempo com ela. Se esses especialistas souberem começar as jogadas, virar o jogo, tocar a redonda... tanto melhor. A questão é que esse talento para roubar a bola sem fazer falta é raro. Exige força física, precisão, bom senso. E, mais raro que isso, é um bom ladrão que saiba jogar. No futebol existe essa regrinha cega, surda e muda que diz que, em geral, habilidade e capacidade de marcação são inversamente proporcionais.

Dunga e Mauro Silva marcavam com rara eficácia. Mas não eram cegos com a bola. Os carrapatos de hoje não são tão competentes. E, talvez por isso, os técnicos têm preferido talento à marcação monotemática - e essa é uma evolução. O perene sucesso do São Paulo começa por aí. Josué e Mineiro, ótimos marcadores, se completavam – um mais técnico, outro mais dinâmico. Souza é um pouco diferente, tem mais habilidade e visão de jogo. Os volantes do tricolor paulista podem se transformar em atacantes a toda hora – tônica do futebol moderno, onde surpreender a marcação adversária requer variações. Martinez, do Palmeiras, é outro volante-que-sabe-jogar, tem ótimo passe... e alguma habilidade – como mostrou no golaço de ontem. .

Não que o volante clássico tenha sucumbido. Há times que tem destruidores típicos como o Santos e o Corinthians. O chileno Maldonado é um dos melhores ladrões de bola do país, por exemplo (e está longe de ser cego com a bola). Mas, no Santos, a presença do chileno e de Rodrigo Souto garante mais liberdade aos laterais. No Corinthians, Magrão e Marcelo Mattos tem mais força do que técnica – mas não deixam de subir ao ataque. E de marcar gols.

No Rio, o Botafogo joga sem o volante fixo. Tanto Diguinho como Túlio são originalmente camisas oito. Nenhum dos dois marca, por exemplo, como um Jonílson ou um Fernando - cabeças-de-área clássicos que passaram pelo alvinegro recentemente sem passar da linha do meio-campo. Diguinho e Túlio atacam com freqüência. Na vitória de ontem, sobre o Fluminense, os riscos que Cuca gosta de correr valeram a pena. O time se expôs ao contra-ataque tricolor e acabou sendo premiado num chute de Diguinho, de longe. O Fluminense escalou o volante-operário Fabinho, que é melhor sem a bola do que com ela. E sentiu
muito a falta de Arouca – seu melhor “iniciador” de jogadas.

Talvez por isso seja tão difícil acreditar num título estadual do Vasco. O time tem os piores volantes do Rio. Yves, Roberto Lopes e Amaral têm extrema limitação no trato com a esférica. O Flamengo, pátria dos mil volantes, tem o luxo de deixar o bom Léo Medeiros no banco – em prol da alma do time, Paulinho, um destruidor onipresente – que joga como cabeça-de-área clássico – e compensa no coração a limitação técnica. Ambos vieram do Ipatinga, assim como Léo Silva, outro jogador de talento, hoje no Cruzeiro.

Ao falar de Diguinho, após a partida de ontem, Cuca citou Andrade, Josué, Magrão. Foi, digamos, descendo a escada. Seu objetivo era sublinhar a importância do volante-que-sabe-jogar no futebol atual. Citou Andrade, que era técnico como poucos. Desceu um degrau, citou o bom Josué. Desceu outro, incluiu o operário Magrão. No Brasil, que adora exaltar o talento ofensivo, é sempre bom quando alguma voz nos ajuda a lembrar o óbvio: time bom é aquele que sabe jogar com e sem a bola.


As notas da rodada


Nota 10

* Para o ataque do Cruzeiro. Com Marcinho e Araújo, até Nenê está jogando bem. E marcando.

* Para Romário, decisivo aos 42, artilheiro do Campeonato Carioca.

* Para Diguinho, o melhor em campo no Maracanã.

* Para Martinez, que golaço.

* Para o goleiro Júlio César, que pegou pênalti e fez outras duas boas defesas. No fim do jogo, porém, quis ser malandro, e fingiu uma contusão.

* Para o Grêmio do Campeonato Gaúcho. Esse é 100%.

* Para Marcelo, do Madureira, também artilheiro do Carioca.


Nota 9

* Para Marcos Aurélio, que deu sorte. Mas é sempre eficiente.

* Para Kuki, três gols.

* Para Keirrison, belo gol.

* Para Daniel Grando, que tem estrela.

* Para Márcio Goiano, que chute sem ângulo.

* Para Lázaro, goleiro do Volta Redonda, pela defesa no chute de curva.

* Para Leandro Amaral, fundamental para o Vasco, também artilheiro do Carioca.

* Para Fabrício Carvalho, que voltou confiante.

* Para a trave de Saja, que ajudou... e como ajudou o Grêmio em Caxias.

* Para Tchô e Danilinho, que melhoram o time do Galo.


Nota 8

* Para Hugo, simples e decisivo.

* Para Vandinho, sempre perigoso.

* Para William, talento, velocidade e raça corinthiana.

* Para Wanderley Luxemburgo, que mexeu muito bem em Itu.

* Para Alex, que melhorou e muito a defesa do Botafogo.

* Para o Volta Redonda, que novamente está chegando.

* Para o bandeirinha mineiro e estiloso Guilherme Camilo, que mira antes de marcar.

* Para Fernandão, voltando a marcar.

* Para Carlos Eduardo, que promete.


Nota 7

* Para Edmundo que fez dois gols. E perdeu outros dois inacreditáveis.

* Para o Fluminense de Joel Santana, um time que ganhou consistência. E não merecia perder no Maracanã.

* Para Adriano Felício, destaque do Volta Redonda.

* E também para Cuca, que arriscou e dessa vez deu sorte.


Nota 6

* Para Zé Roberto, que correu, driblou mas não foi decisivo.


Nota 5

* Para Antonio Schneider, que deixou a mamona cantar em Volta Redonda.

Nota 4
* Para Magrão, que sabe jogar. Mas entra duro demais.

* Para Leão, de cabeça quente, sendo preconceituoso.

* Para Dodô, uma ausência no clássico Vovô.


Nota 3

* Para Carlos Alberto, muita farinha e pouco angu.

* Para Robert, atacante do Volta Redonda, que bateu até na sombra. E ainda fez gol.

* Para Soares, que não pode perder tantos gols na cara do goleiro.


Nota 2

* Para Leandro Salino, que fez o segundo pênalti mais burro da semana.


Nota 1

* Para Emerson do Sertãozinho, que cometeu o pênalti mais burro da semana.

* Para o América-MG, que afunda cada vez mais.

Nota zero

* Para a defesa do Boavista. Onze gols contra em dois jogos.

* Para Wilson Souza de Mendonça ou Wilson de Souza Mendonça ou Wilson Criador de Caso Mendonça... que conseguiu fazer lambança num jogo entre Vera Cruz e Central de Caruaru. Ah, Wilson... Não dá pra anular um golaço de um cara chamado de Rivelino. Exame de vista, rápido!


Frase da semana

“Bota lá uma mulher pra apitar! Bota lá uma mulher pra apitar!”
Leão, soltando fogo preconceituoso pelas ventas, depois do erro da auxiliar Aline Lambert.

Frase da semana 2.0

“Seria mais gostoso se eles ficassem fora”
Magrão, falando do Palmeiras.


Seleção da rodada

Júlio César (Botafogo)
Gabriel (Cruzeiro)
Alex (Botafogo)
Adaílton (Santos)
Carlinhos (Santos)
Diguinho (Botafogo)
Vargas (Internacional)
Hugo (São Paulo)
Marcinho (Cruzeiro)
Kuki (Náutico)
Romário (Vasco)


Ponto final


“Gostei do time. Não gostei do resultado” –

Joel Santana, técnico do Fluminense.
Escrito em 18/03/2007
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