
A Argentina não ganha uma Copa do Mundo há 21 anos. Não ganha uma Copa América há 14 anos. Nos últimos anos, colecionou sapatadas históricas. Outro dia mesmo... levou um chocolate do Brasil na Inglaterra. Pois bem, eis que a Argentina em jejum – incrível, impressionante – é a nova líder do ranking da Fifa. O que provocou uma série de interrogações incrédulas como Hã? Hein? Como? Quando? Onde? A ascensão da Argentina sugere uma questão que você já leu, ouviu ou formulou:
Pontos eram oferecidos para o resultado, para a importância da partida, para a força do adversário, para a força da confederação do adversário, para o fato de jogar fora de casa e para o número de gols pró (ou contra). Os resultados dos últimos oito anos tinham a mesma importância. E eram levadas em conta a média entre as sete melhores partidas da seleção... e todas as partidas. Parece complexo? Isso porque não ousarei explicar o método usada para calcular cada um dos quesitos citados.
O texto sobre Leandro, publicado aqui na terça-feira, gerou uma série de comentários e e-mails. Reações que podem ser divididas em dois tipos. Aqueles malhavam o colunista por criticar Leandro em vez de entrar de carrinho em Antonio Carlos e Fábio Costa, enxergando nisso uma suposta apologia à violência. E aqueles que (obrigado) cumprimentavam vosso humilde servo por ter enaltecido o ator-cigano-Igor que existe dentro do jogador do São Paulo. A Caixa Postal seleciona uma lista dos mais distintos. E, claro, termina com a ofensa da semana.
O siciliano Luigi Pirandello, que entendia um pouquinho de teatro, escreveu que um fato é como um saco. Não fica em pé se estiver vazio. Houvesse uma autoridade galática em espírito esportivo... e toda essa discussão pós Santos x São Paulo nem teria começado. Porque, como num desenho animado, Leandro ganharia um imenso zíper nos lábios a cada vez que tentasse reclamar de violência. Tentou abrir a boca? Zip! Mas... Zip! Qualquer outro tema seria permitido – falar de sarrafo em campo não. Porque se Leandro sentisse realmente a dor que aparenta nos gramados... seria faquir e não jogador.
E Leandro apanha – como todo atacante. Futebol é um jogo de contato e, no futebol brasileiro, onde as arbitragens tem um extenso componente político, o sarrafo nem sempre é coibido. Aliás – nem no futebol europeu. Mas a cada vez que um zagueiro se aproxima, Leandro parece ter uma síncope. E isso irrita especialmente os zagueiros adversários, que ficam com aquela vontade de justificar tanto drama, descendo a mamona verdadeiramente. Isso meio que explica (embora não perdoe) a frase de Wanderley Luxemburgo depois do jogo:
Ana Paula erra muito pouco. Mas erra. E cometer um erro decisivo na partida mais importante da rodada é o pesadelo de qualquer árbitro. Quando fechou os olhos, de bandeirinha baixa, Ana Paula deve ter pensado “Errei”. Errou. Foi traída por seus olhos, sempre tão precisos. Havia um jogador do Santos impedido. Mas não era Jonas.