Fiscal ortográfico informa....
A agilidade dos homens que cuidam da página oficial da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro é impressionante. Ontem saiu uma decisão judicial de segunda instância, cassando o afastamento de Rubens Lopes da presidência da entidade. Mais que prontamente, o despacho do desembargador Sidney Hartung – da quarta câmara cível – foi publicado no site. A nota triste é o carrinho aplicado pela sentença na ortografia. Leiamos o trecho publicado no site da FERJ:
“ALEM DISSO, PENALIZA O DIRIGENTE ELEITO SEM QUE ESTE TENHA TIDO A OPORTUNIDADE DO CONTRADITORIO E DA AMPLA DEFESA, EIS QUE NAO FOI PARTE NA DEMANDA PRINCIPAL....POR OUTRO LADO O PERICULUM IN MORA ESTA IGUALMENTE LATENTE E CLARO A CADA MINUTO OU MESMO A CADA SEGUNDO QUE PREVALECE UMA DECISAO DESTA NATUREZA. OS DANOS CAUSADOS A FFERJ,PRINCIPALMENTE A EVENTUAL PARALIZACAO DE SUAS ATIVIDADEA E PRINCIPALMENTE DO CAMPEONATO ESTADUAL DE FUTEBOL, ALEM DOS DANOS PESSOAIS AOS DIRETORES LEGITIMAMENTE ELEITOS.....DIANTE DO EXPOSTO CONCEDO O EFEITO SUSPENSIVO, PARA REVOGAR O DESPACHO LIMINAR DO JUIZO DA 7a. VARA EMPRESARIAL. OFICIE-SE AO JUIZO AGRAVADO...AO AGRAVADO PARA RESPOSTA. APOS A D. PROCURADORIA DE JUSTICA.”
Como disse certa feita o poeta Abgar Renaut para um poeta iniciante... a palavra paralização não me parece existir. Obviamente, o objetivo do magistrado era escrever paralisação. Causa espécie a derrapagem ortográfica do desembargador. Mas causa ainda mais espécie a celeridade dos funcionários da FERJ para publicar as decisões da justiça quando elas são favoráveis a Rubinho. E o passo de tartaruga no caso contrário. O último afastamento de Rubinho só entrou no ar quando o mediador José Fernandes, nomeado a dedo por influentes amigos da situação na FERJ, foi ameaçado de multa diária de R$ 5 mil.
Escrito em 05/03/2007
Edmundo no espelho
Ver Edmundo jogando – e jogando muito – como ontem no Morumbi traz uma sensação paradoxal. Sentimos saudade do futebol de Edmundo, que em breve não estará mais em campo. Sentimos, porém, mais saudade do futebol que Edmundo poderia ter jogado – não fosse seu temperamento inflamável e sua vocação claramente trágica. É estranho. Edmundo, novo, iludia e confundia. Edmundo, velho, simplifica e esclarece. Edmundo está chegando aos 36 anos. Logo ali, na esquina de 2008, está a esperá-lo seu último vestiário. É para lá que vamos, adiantando nossos relógios, para acompanhar o Animal descendo sua última escada, tirando sua última camisa (verde?), caminhando com as câmeras pelas costas. Ali entramos, como a proverbial mosca-testemunha, para vê-lo descalçar suas últimas chuteiras, lavar o rosto e encontrar o derradeiro espelho. Edmundo olhando para sua imagem invertida. Edmundo encarando Odnumde.
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É nesse instante, dizem, que passa aquele filme rapidíssimo da vida-inteira-em-um-segundo. Edmundo assiste desde a concentração dos juniores do Botafogo, até o golaço contra o mesmo Botafogo pelos juniores do Vasco, os safanões de Júnior Baiano, os títulos com o Palmeiras, o Flamengo em 95, os títulos com o Vasco, o Brasileiro de 97, o rei, o príncipe, o bobo, a paz, os carros, o atropelamento, as brigas, as confusões, as outras brigas, as outras confusões, alguma maturidade ainda que tardia... a vida inteira em um segundo...
O menino no espelho começa a envelhecer. Se torna homem, pai de família, é acusado por um crime, é condenado. Joga pela Seleção Brasileira numa final de Copa do Mundo. O futebol transforma a infância pobre em riqueza. A mosca-testemunha, representante do leitor, do torcedor e do escriba, abaixa asas e flaps.
- É uma história de sucesso – diz Odnumde para Edmundo.
- É? – pergunta Edmundo.
Há um poema sobre isso em algum lugar... e é Manuel Bandeira, o segundo verso do melancólico
Pneumotórax:
A vida inteira que poderia ter sido e que não foi
Edmundo abaixa os olhos. Está triste porque sabe que nunca mais será tão especial em alguma coisa. Está triste porque sabe que poderia ter sido ainda mais especial nessa coisa específica. Ele levanta os olhos e vê os cabelos brancos no espelho e parece adivinhar um sorriso resignado. Essa é a sensação que Edmundo deixa. Ou vai deixar. A de um talento desperdiçado.
Por mais que ele tenha feito em campo (e fora dele), por mais paixões e ódios que tenha cativado, por mais gols e jogadas que tenha criado, Edmundo deixará uma herança frustrante. Porque poderia ter sido mais. Poderia ter sido interplanetário e acabou driblado por seu temperamento. Poderia estar num altar altíssimo – e não numa galeria intermediária. Mas nossa nostalgia é imprópria. É imprópria porque Edmundo é sinônimo de tristeza vil para algumas famílias - como a do caso do atropelamento na Lagoa. E é imprópria também porque não fosse o esporte e Edmundo provavelemnte não estaria vivo para se arrepender de erros como esse. Voltemos ao vestiário, voltemos para nossa mosca-testemunha, voltemos ao espelho.
- E agora? – pergunta Odnumde
E Edmundo, baixando o olhar, sabe que tem uma vida inteira para procurar uma resposta. Uma vida inteira que não poderia ter sido... não fosse o futebol.
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Notas de segunda-feiraNota 10* Para a espetacular atuação de
Valdívia ontem no Morumbi. Apesar das loas acima, e da decisiva atuação de Edmundo, o chileno jogou demais. O passe no primeiro gol e o drible no início da jogada do segundo... valeram o ingresso.
Nota 9* Para os dois golaços do Cruzeiro ontem no Mineirão. Com destaque para o segundo, em que a
tabelinha entre Marcinho e Araújo mesmerizou a defesa do América-MG. Como joga, aliás, esse tal de Araújo...
* E também para o golaço de
Fabrício Soares, do Coelho, que abriu o placar do Mineirão.
Nota 8* Para o
passe de peito de Fernandão aos quarenta e seis minutos do segundo tempo em Novo Hamburgo. Gabiru de cabelo vermelho... só agradeceu.
Para o passe de Zé Roberto para Rodrigo Tiuí no segundo gol do Santos. Ponto futuro é isso aí.
*Para o bandeira
Edney Guerreiro, que viu o burríssimo soco de Moisés em Fábio Júnior do outro lado do campo. Não viu a cotovelada do jogador do Madureira – mas aí seria pedir demais.
Nota 7*Para o toque de
Dênis Marques no segundo gol do Atlético-PR contra o Paraná.
*Para a marcação do Madureira no Maracanã. Destaque para Zé Augusto e Léo Fortunato.
Nota 6*Para
Leonardo Moura, que correu, driblou e suou.
Nota 5*Para
Roger, que pelo menos tentou. No terceiro gol do Palmeiras, era ele que tentava sem sucesso marcar Edmundo.
Nota 4*Para a escalação do meio-campo corintiano, com volantes limitados em excesso. Quando
Leão resolveu mudar... a vaca já tinha penetrado brejo adentro.
Nota 3*Para
Renato &
Renato Augusto – ineficazes, burocráticos e apáticos.
Nota 2*Para
Ney Franco, que não conseguiu fazer seu time jogar no Maracanã. Será que falta preparo físico?
Nota 1*Para o juiz
Marcelo Venito Pacheco, que ignorou dois pênaltis a favor do Flamengo (ambos difíceis) e compensou grotescamente não marcando a penalidade clara em cima de Marcelo... e ainda expulsando o jogador do Madureira. Um erro que tirou o principal jogador do tricolor suburbano da decisão.
Nota 0*Pior que Pacheco só o bandeirinha
Dibert Pedroza, que conseguiu ignorar um impedimento de dois metros no primeiro tempo (Souza estava numa banheira clamorosa). Não viu o pênalti sobre Marcelo. E não viu também a cotovelada de Fábio Júnior e o soco de Moisés. Miopia perde.
Escrito em 05/03/2007