Os Novos Pequenos
São quatro rostos novinhos em folha – ou quase. Quatro times que, dez anos atrás, não figuravam em mapa futebolístico nenhum. Você já tinha ouvido falar no Touro dos Canaviais? No Galo Azul? No Ninho da Garça? Bom, todos esses ingredientes estão presentes no Campeonato Paulista, o mais equilibrado estadual do Brasil, que começou na tarde deste dia 17. E, se o leitor tiver talento musical, ele pode até ajudar a escolher o hino da mais nova sensação do interior paulista, o Grêmio Recreativo Barueri.

O Barueri publicou hoje, em seu site, um
edital de concurso público para escolha do hino do clube. Fundado em
1989, o
Barueri só passou a ter futebol profissional em
2001. De lá para cá, só pegou elevador para subir. Foi marchando de divisão em divisão... ganhou a Série A-3 em 2005... e a Série A-2 no ano passado. Conseguiu mais que isso – conquistou vaga na Série B do Campeonato Brasileiro de 2007. Com apoio maciço, substancial e agressivo da prefeitura da cidade, o Barueri disputa seu primeiro Paulistão cheio de estilo.
Em seu site, o time se orgulha de estipular um teto salarial de R$ 6 mil. E não fica por aí - diz que o objetivo do clube é contar com
atletas meio anônimos que estejam buscando projeção no futebol. A mascote do Barueri é uma abelha, pois o nome da cidade, em tupi-guarani, quer dizer “flor vermelha que encanta”. A prefeitura está reformando o estádio municipal – o objetivo é construir uma moderna arena para 40 mil pessoas, capaz de sediar jogos da Copa de 2014. Ah, e o compositor que mandar sua canção para Barueri até dia 28 de fevereiro... vai concorrer a um prêmio de R$ 5 mil.
Mas o Barueri é apenas o mais fashion e maquiado dos novos rostos do Paulistão. Nenhum outro estado projeta tantos times menores no cenário nacional. Nos anos 70, Guarani e Ponte Preta apareceram – o Bugre foi campeão brasileiro em 1978. Nos anos 80, tivemos a Inter de Limeira de Tato, Kita e Lê. Nos anos 90, o carrossel caipira do Bragantino, com Gil Baiano, Nei e Mazinho - liderados por Wanderley Luxemburgo. Nesta década, o São Caetano de Jair Picerni, duas vezes vice-campeão brasileiro, vice da Libertadores e campeão paulista de 2004. Até hoje, todos os fenômenos do interior apareceram, brilharam... e se apagaram – como o São Caetano ameaça fazer agora. Os novos pequenos têm a ingrata tarefa de driblar essa maldição. O modelo do Barueri, por exemplo, lembra muito o do São Caetano – o time conta com substancial apoio da prefeitura local.

Dos outros novos pequenos, o
Rio Claro traz a face mais recauchutada. Fundado em
1909, o time tem títulos regionais na década de 1930. Só recentemente, aplicou uma dose futebolística de botox no rosto e começou sua ascensão. Conhecido como Aguinha no passado, hoje faz questão de ser chamado de Azulão (ou Galo Azul). Joga no Estádio Augusto Schimidt Filho, conhecido como Schmidtão, que pode receber 10 mil torcedores. O Galo Azul tem patrocínio de quatro empresas: uma viação rodoviária, um bingo, uma fábrica de cerâmica e uma fábrica de resinas industriais. Rio Claro tem 180 mil habitantes e fica a 170km da capital do estado.

A mais jovem das caras novas do Paulistão vem de uma das mais antigas cidades do estado. Guaratinguetá foi fundada em 1630, mas o clube da cidade só nasceu em em 1999 – ainda não completou oito anos de vida. Já foi administrado por um grupo ligado a Rivaldo e César Sampaio. Hoje é uma empresa –
Guaratinguetá LTDA. A prefeitura da cidade investiu pesado no time e reformou o Estádio Dario Rodrigues Leite, o Ninho da Garça. Explique-se: Guaratinguetá, em tupi, quer dizer reunião de garças brancas. A cidade tem 110 mil habitantes e fica a 176 km da capital. O jogador mais conhecido do time é o goleiro Édson Bastos, que jogou na Série A do Brasileiro/06 pelo Fortaleza.


O quarto e último novo rosto, primeiro adversário do São Paulo na competição, é o Touro dos Canaviais, ou melhor, o
Sertãozinho. Dono de um escudo idêntico ao do Santos – a única diferença é a cor, o grená em vez do preto. O time da capital brasileira do hóquei sobre patins se tornou profissional nos anos 70 e só agora chegou à elite paulista. O Touro começou a galgar parâmetros e divisões no fim dos anos 90, quando os empresários José Alberto Gimenez e Antonio Savegnago assumiram o time. Hoje, Gimenez é prefeito de Sertãozinho; e Savegnago, o presidente do Sertãozinho FC. A estrela dourada no escudo comemora o título da Série A-3. Sertãozinho tem 105 mil habitantes e fica a 341 km da capital.
Escrito em 17/01/2007