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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
Pequeno guia do BID


É tempo de feira livre no futebol brasileiro. Uma breve pesquisa no BID da CBF mostra os jogadores cujos contratos se encerram neste fim de ano nos clubes da Série A - para deleite de seus empresários e dos clubes com caixa cheia. Estendendo um pouco a análise, vosso humilde servo aqui divisou alguns contratos interessantes... e outros nem tanto. Passando os olhos nos registros da CBF, é possível constatar que times que se planejam (como Goiás, Atlético-PR e São Paulo) já protegeram suas principais promessas.


Atlético-PR
Navarro Montoya
Evanílson
Marcos Aurélio - deve renovar
Willian – contrato até 2008 - BOA!
Válber – contrato até 2008 - BOA!


Botafogo
Felipe Saad
Júnior César – Fluminense contratou.
Ruy
Joílson
Maicon
Scheidt
Wando
Zé Roberto – contrato até 2007 - BOA!
Rafael Marques – contrato até 2008!!!! - UGH!


Corinthians
André Leone
Fagner – jogador da sub-20, boa promessa - PERIGO!
Nádson – voltou para a Coréia?
Renato
Rubens Júnior


Cruzeiro
Michel
Gabriel – contrato até junho/07 - PERIGO!


Figueirense
Andrey
Alexandre Garcia Ribeiro
Carlos Alberto
Cícero
Schwenck
Flávio
Diego Macedo
Soares - contrato até 2008 - BOA!


Flamengo
Fernando
Léo Medeiros - renovado hoje
Paulinho - renovado
Renato Silva
Peralta


Fluminense
Cláudio Pitbull
Evando
Gabriel Santos
Jean
Marcão
Tuta
Roger
Thiago Silva
Djordevic – contrato até 13/02/2008 - UGH!
Arouca – contrato até 2009 - BOA!


Fortaleza
Albérico
Finazzi
André Cunha
Geufer
Glauber
Igor
Jorge Mutt
Leandro Smith
Patrick


Goiás
Cléber
Muñoz
Galeano
Nonato
Raul – renovado até 2011 - BOA!
Róbson Luiz
Rogério Correa
Souza
Whelliton – contrato até 2009 - BOA!


Grêmio
Evaldo
Jeovânio
Maidana
Patrício
Sandro
Tcheco – já renovou
Lucas – contrato até 2009 - BOA!


Inter
Caio - perigo
Clemer
Fabiano Eler
Alexandre Pato – contrato até 12/2008 - BOA!


Juventude
Antonio Carlos
Cristiano
Everson
Igor
Leandrinho
Márcio Rozário
Renan


Palmeiras
Alceu
Juninho
Rosembrick
Roger
Sérgio
Enílton – contrato até 2008 - HMMM...



Paraná
Cristiano
Emerson
Batista
Peter
Leandro
Marcos Leandro
Eltinho (emprestado - contrato até 2009)


Ponte Preta
Luís Mário
Preto
Régis
Emerson – contrato até abril/07 - Perigo!
Iran – contrato até maio/07
Nei – contrato até 2009 - BOA!


Santa Cruz
Nenê
Cássio
Júnior Maranhão
Jorge Henrique – contrato até 2008 - BOA!



São Caetano
Anaílson
Anderson Lima (2007) - 34 anos em março
Gustavo
Márcio Hahm
Neto
Mádson
Leandro Lima – contrato até 2011 - BOA!


São Paulo
Ilsinho – contrato até 2010 - BOA!


Vasco
Éder
Fábio Brás
Dudar – deve renovar
Leandro Amaral – já renovou
Ramon
Jean – Fluminense de olho
Valdiram – contrato até 2008 - UGH!
Escrito em 08/12/2006
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Edmundo e o fair play


Desde 1993, a Fifa oferece um troféu não exatamente belo para celebrar o principal pilar ético de seu edifício esportivo – o chamado Fair Play. O “Troféu Fair Play” é uma loa ao espírito do futebol – jogar pelas regras, não roubar, não enganar, competir com justiça. No troféu, a bola paira na altura do joelho de um jogador estilizado. Como dominar a bola com o joelho requer um talento bastante raro, talvez possamos supor alguma ironia por parte do artista responsável pela peça. Os deuses do futebol sempre foram irônicos.

O troféu já teve diversos ganhadores – desde fãs do Dundee United, um time escocês, passando pelo brasileiro Jorginho até federações inteiras. O mais recente Troféu Fair Play foi concedido em 2001 para um italiano chamado Paolo Di Canio. Em dezembro daquele ano, jogando pelo West Ham, Di Canio avançava com a bola dominada na direção do gol do Everton quando percebeu que o goleiro adversário, machucado, estava estirado no chão. Em vez de fazer o gol, Di Canio interrompeu o jogo, segurou a bola, e pediu atendimento para o goleiro. Foi aplaudido, incensado, premiado.

Em dezembro de 2005, Di Canio já havia voltado a jogar na Itália, mais particularmente na Lazio. Num derby contra a Roma, ele fez um gol e resolveu comemorar com um gesto muito usado por parte da torcida – uma saudação fascista. No mesmo corpo, o cavalheiro de 2001 e o fascista de 2005. Somos complexos, sem dúvida.

Mas faço todo esse preâmbulo para falar de um lance que aconteceu em janeiro de 2006. Jogavam Palmeiras e Mogi-Mirim pelo Campeonato Paulista. Nesta época distante, o técnico do Palmeiras era Emerson Leão. O Palmeiras venceu por 2 a 1, mas o grande lance da partida foi um gol de mão de Edmundo anulado pelo bandeirinha. Segundo Edmundo, o bandeira anulou o lance porque foi “avisado por um jornalista”.

Se a raça humana fosse composta apenas de Edmundos, talvez Augusto dos Anjos tivesse que revisar seu poema. A mão do mais polêmico dos craques apedreja mesmo quando afaga . Seu carinhoso toque na bola que parou no fundo das redes do Mogi-Mirim foi uma pedrada moral. Não contente em roubar descaradamente em campo, Edmundo ainda reclamou de ter sido descoberto. E vale a pena reviver esse episódio porque são muitos os os significados do que disse Edmundo.

Não sejamos hipócritas de acreditar que a televisão não influi no futebol de hoje. Influi e muito. E influi sanitariamente. Hoje os juízes sabem que é muito mais difícil apitar uma partida e por isso se preparam mais e melhor. Eles sabem que a multiplicação de câmeras reduz as desculpas. Ironicamente, a TV ressalta o erro humano - que antes não era comprovável – e aumenta a sensação de que todo árbitro é ruim ou ladrão. Mas esse é outro tema. Voltemos a Edmundo.

A naturalidade e o descaro do jogador ao falar de um lance em que ele descumpria flagrantemente as regras do jogo são lapidares. Se a Fifa tem um troféu para Fair Play, e se em Copas do Mundo a entidade se esmera em punir jogadores teatrais (como Rivaldo contra a Turquia em 2002), como é possível que lances como o do Edmundo escapem de qualquer sanção?

Talvez seja a desculpa do drible, a desculpa da malandragem. A essência do futebol é enganar o adversário, driblá-lo, superá-lo. Sim, mas isso deve acontecer dentro das regras. E elas, as regras, não incluem a mão, não incluem saltos acrobáticos na área adversária, como não incluem carrinhos voadores. O apreço pela ginga não deve tornar nebulosa a clara fronteira ética que existe entre jogar e roubar.

A mão de Deus de Maradona em 1986 deveria ter sido exemplarmente decepada. Roubar ostensivamente deve presumir punição, suspensão, multa. Se Maradona tivesse sido suspenso após surrupiar aquele gol, talvez pensasse duas vezes antes de repetir o gesto. O jogador que encena um pênalti, que engana o árbitro, deve enfrenter penas severas. Só assim o malandro deixará de acreditar que roubar vale a pena. Ou isso ou o Troféu Fair Play é apenas uma desculpa em forma de escultura ruim.

Edmundo reclamou como Castor de Andrade, célebre bicheiro do Rio, que, preso em flagrante, esperneou: “Que Polícia é essa que não avisa, pô?”. A indignação do bandido com a súbita honestidade policial diz muito sobre o Brasil. As regras aqui só são cumpridas quando o juiz está de olho – seja ele um árbitro de futebol ou a opinião pública. O susto de Castor, que não por acaso era dirigente de futebol, como a reação de Edmundo são retratos da mesma desfaçatez.

Edmundo não estava sendo cínico, nem cara-de-pau. Estava sinceramente indignado. E estava em campo no jogo seguinte do Palmeiras, como se nada tivesse acontecido.
Escrito em 08/12/2006
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O uniforme-placar


Não há dúvida que a tecnologia vai mudar completamente o rosto do esporte. Mas, na era da informação, às vezes a velocidade da mudança é surpreendente. Você já imaginou um jogo de basquete onde as estatísticas de cada jogador vão aparecendo em números fluorescentes no uniforme dos jogadores? Soa ficção científica, né? Mas os australianos já estão testando isso. Vale conferir aqui (infelizmente, só em inglês).
Escrito em 07/12/2006
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Os aparelhos da pós-temporada


O fim de temporada é o ambiente de dois conhecidos aparelhos: a escavadeira profunda, manuseada por agentes, empresários e jogadores; e seu primo, o especulômetro chutador, defesa jornalística para toda sorte de cavada. É uma época divertida, onde jogadores pulam de time em time com facilidade. Os repórteres têm a ingrata tarefa de separar o joio do trigo num período em que tudo parece possível. Muitas vezes por trás daquela notícia pretensamente exclusiva se esconde uma enorme pá. O colunista, porém, pode alugar um especulômetro de segunda mão... e analisar as notícias já publicadas. Liguemos, pois, o dito cujo:


1 - O São Paulo segue investindo bem. Jadílson e Hugo (que parece praticamente certo) são duas excelentes contratações – que farão contratos longos e poderão ser revendidos para o exterior. De certa forma, o São Paulo se tornou o topo da cadeia alimentar do futebol brasileiro. Poucos clubes podem concorrer com o tricolor paulista, que também é vitrine. O Fluminense, vitaminado pelo patrocinador, também está fazendo propostas altas – vide os casos Fabiano Eller e Júnior César (ver abaixo).

*****


2 - A novela Clayton pode ir parar em São Paulo. O especulômetro aponta agora que o Corinthians também quer o volante. Mas uma briga jurídica se avizinha para quem fechar com o jogador. O contrato dele com o Botafogo tinha uma cláusula que dizia que o compromisso “pode ser renovado por um ano se o jogador tiver um aumento de 30%”. O problema é o verbo “poder”.

*****


3 - Júnior César deixou o Botafogo porque o Fluminense ofereceu R$ 70 mil mensais e R$ 200 mil de luvas ao lateral. Nada menos do que R$ 1,04 milhão/ano – algo que comprometeria bastante o orçamento pé-no-chão do alvinegro. Cá entre nós... Júnior é bom lateral... mas será que vale isso tudo? A contratação sinaliza a saída de Jean (que, segundo o especulômetro, pode ir parar no Palmeiras). Mas há nas Laranjeiras quem diga que Ulisses, lateral que veio da base, é melhor que Júnior César...

*****


4 - Outro jogador do Paraná pode pintar no Rio de Janeiro: o volante Batista. E nas Laranjeiras.

*****


5 - Caio Júnior está entre a cruz e a espada. Sabe que o Paraná não tem bala para ir muito longe na Libertadores. O Palmeiras é uma chance rara... mas será que vale a pena? O clube dá muito mais exposição – mas é politicamente instável.

*****


Comentário final: Não foi curiosa a notícia de que a Fifa quer adotar um calendário anual? Será que a CBF continua pensando em adotar o modelo europeu? Mas a chance dos grandes clubes europeus ouvirem Blatter tende a zero.


Escrito em 06/12/2006
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A hora e a vez dos anti-prêmios



As cortinas do Teatro Municipal já baixaram. Na memória, as belas imagens do Cirque de Soleil na CBF, a dança de Rogério Ceni e a espetacular coleção de gafes dos apresentadores. Evandro Mesquita abusou das piadas de humor distante. Taís Araújo trocou o time de um volante, culpou a produção e ainda se justificou dizendo que era mulher. Renato, do Flamengo, virou Renato Silva, o zagueiro. Na apresentação de Kleber, do Santos, apareceu a fuça de Luiz Alberto. Mas tudo bem... estava tudo em casa. A festa foi muito bonita e os pequenos deslizes até são úteis: alimentam os comentários. Mas aproveitemos a onda de gafes para cumprir a promessa. É hora da Selebaba do Campeonato Brasileiro de 2006, os piores entre os piores. É hora de pegar a contra-mão da CBF e oferecer nossos anti-troféus do Brasileirão. Com a ressalva de que aqui julgamos performance e não talento.


Os piores goleiros:
Indicados:
Fernando Henrique (FLU), Diego (FLU), Guto (SCR) e Marcos (PAL)

Vencedor:
Marcos (PAL) - Jogou pouco e, quando jogou, abusou do direito ao penoso.

Os piores laterais
Indicados:
Rogério (FLU), Gustavo Nery (COR), Dida (BOT), Reginaldo Araújo (SCR), Triguinho (SCA)

Vencedores:
Rogério (FLU) – Uma tragédia física e técnica.
Gustavo Nery (COR) – Um campeonato horrorso.

Os piores zagueiros
Indicados:
Fernando (FLA), Rafael Marques (BOT), Sebá (COR), Dezinho (FOR), Alan (FOR), Glauber (FOR), Váldson (SCR), Márcio Alemão (SCR), Gladstone (CRU).

Vencedores:
Rafael Marques (BOT) – Uma falha ou gol contra por jogo.
Glauber (FOR) – O pior de uma das piores defesas.
Sebá (COR) - Um talento para chegar atrasado.

Os piores meias:
Indicados:
Augusto Recife (SCR), Carlinhos (PON), Wendel (PAL), Fábio Santos (CRU), Marabá (SCA), Danilo Portugal (GOI), Zada (SCR), Bechara (FOR), Fernando (FLU), Peralta (FLA), Ângelo (FLU)

Vencedores:
Augusto Recife (SCR) – Sarrafo F.C.
Bechara (FOR) – Quebrador...
Fernando (FLU) – Uma ausência em forma de lacuna.

O pior atacante

Indicados:
Wando (BOT), Cláudio Pitbull (FLU), Valdiram (VAS), Val Baiano (SCR), Neto Baiano (PAL), Felipe Adão (BOT), Faioli (VAS), Márcio Mixirica (SCR), Gustavo Gaúcho (SCA).

Vencedores:
Márcio Mixirica (SCR) – Foi quase um cone.
Valdiram (VAS) – E seu hábito de driblar até fora do campo.


Selebaba do Campeonato (3-5-2):
Escalamos três zagueiros para dar chance aos piores. Mas ainda assim houve muito candidato para pouca vaga.

1 – Marcos (PAL)
2 – Rogério (FLU)
3 – Dezinho (FOR)
4 – Sebá (COR)
5 – Rafael Marques (BOT)
6 – Gustavo Nery (COR)
8 – Fernando (FLU)
10 – Bechara (FOR)
11 – Augusto Recife (SCR)
7 – Valdiram (VAS)
9 – Márcio Mixirica (SCR)

Anti-troféu Jack Palance para Jumência extremada e incrível – Acredite se quiser.

Indicados:
1) Carlinhos Bala (CRU) – O camisa 38 pareceu ter QI 38 quando, em impedimento, resolveu tocar sobre a linha numa bola chutada por Diego contra o Fluminense.

2) Enílton (PAL) – Deu um lençol no goleiro André (JUV), ficou absoluto com o gol... e cabeceou para fora.

3) Christian (JUV) – Contra o Corinthians, conseguiu perder sem goleiro da marca do pênalti.

4) Igor e Bechara (FOR) - Um momento de muita empatia, o encontro inesquecível dos dois jogadores do Fortaleza, na partida contra o São Caetano no Castelão. O evento se deu no fim do primeiro tempo. O Leão tinha uma falta a seu favor. Igor foi cobrar. Bechara foi também. Chegaram juntos, mas Igor foi mais rápido do que Bechara. Este, por sua vez, tomou a perna do companheiro como sendo a bola. Bicou-a. Igor caiu no chão mugindo de dor. Bechara não perdeu o rebolado e cobrou (mal) a falta. O jogo foi interrompido. Igor foi retirado de campo de maca. Meia hora depois veio a notícia: ele tinha quebrado a perna.

O vencedor: Por absoluta e inquestionável unanimidade, Igor e Bechara dividem o prêmio.


Anti-troféu Gol contra

Indicados:
1) Rafael Marques (BOT) – Cruzamento de Renato Augusto, Rafael Marques vê a bola quicando na área e, sem medo de ser feliz, aplica uma joelhada na esférica. A dita cuja estufa as redes do goleiro Lopes. (Botafogo 0 x 2 Flamengo)

2) Daniel (PAL) – Cruzamento de Alexandre Pato, carrinho certeiro do zagueiro palmeirense para deixar a bola dentro do gol vazio (Palmeiras 1 x 4 Internacional).

3) Andrade (VAS) – Danilo (SPO) cruza, Andrade entra de carrinho e manda no ângulo do goleiro Cássio (São Paulo 5 x 1 Vasco)

O vencedor: Rafael Marques, pelo talento inequívoco da joelhada, que pegou na orelha da bola e deixou atônitos o atacante Luisão, do Flamengo, e o goleiro Lopes.



Anti-troféu Penoso


Os indicados:
1) Flávio (PAR) no jogo Santos 1 x 0 Paraná – A falta cobrada por Rodrigo Tabata foi direto para as mãos do goleiro. Infelizmente, ambas se encontraram e a bola passou, lisa, lépida e fagueira, e caiu quicando dentro do gol. As mãos – direita e esquerda – ficaram com as penas.

2) Felipe (SAN) no jogo Cruzeiro 1 x 1 Santos – O chute de Gladstone pedia uma defesa fácil e tranqüila. Mas gerou um penoso clássico, com a bola passando entre as canetas do jovem goleiro santista.

3) Cássio (VAS) no jogo Cruzeiro 3 x 2 Vasco – O chute mole do atacante Diego nem precisava ser espalmado. Cássio tentou abraçar a bola. A esférica ricocheteou em seu peito e foi direto pra rede.

4) Fábio (CRU) no jogo Santa Cruz 4 x 1 Cruzeiro – O arremate de Júnior Maranhão, do meio da rua, veio com força... mas não muita. Fábio foi com confiança... a bola escapou, devagar, e vagarosamente caminhou para dentro das redes.

5) Fernando Henrique (FLU) no jogo São Caetano 1 x 1 Fluminense – O chute veio no meio do gol. Fernando Henrique resolveu socar a bola. Conseguiu. Infelizmente a esfera tomou a direção das redes.

O vencedor: Fábio, pela plasticidade e pelo tom clássico do frango, vagoroso, autêntico, macio. Se fosse carne, seria filé-mignon.


Anti-troféu Óculos de grau do ano:

Indicados:
1) Alicio Pena Junior (BOT 1 x 3 PAL) – Alicio conseguiu não ver um grotesco empurrão de Enílton em Rafael Marques. Rafael se chocou com Lopes... e a bola sobrou para o próprio Enílton fazer o segundo gol palmeirense.

2) Ivanir Lima (GOI 2 x 2 INT) – O bandeirinha Ivanir conseguiu marcar um impedimento inacreditável de Iarley... que estava um metro e meio antes do último zagueiro do Goiás. E anular um gol legítimo... o que evitou a vitória do Inter no Serra Dourada.

3) Leonardo Gaciba (VAS 2 x 2 PON) – O melhor juiz do Brasileiro conseguiu anular um gol legal do Vasco... e não deu um pênalti a favor do time da Colina.

O vencedor: Alicio, com muitos, inúmeros, corpos de vantagem. Foi um erro grotesco e evidente demais.

Escrito em 05/12/2006
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Melancolia e otimismo


Com uma algo melancólica última rodada, o Brasileirão de 2006 se despediu dos brasileiros. Houve emoção em Florianópolis até o último instante. Houve emoção em Curitiba. Afora isso, foram oito jogos sem sal. O Brasileirão termina com uma média de público de 12,5 mil pagantes. Em 2005, a média havia sido melhor – 13,6 mil. A aposta aqui é que, com a queda de São Caetano e Ponte Preta, esses números sejam substancialmente vitaminados em 2007.

Os apóstolos dos pontos corridos estão tímidos. Os arautos do mata-mata afiam os dentes. Falemos desse debate em breve, mas numa pequena prévia vale dizer que é muito improvável que o Brasileirão-07 termine de forma tão insossa. Por mais que a luta pelo título se decida com antecedência – e isso costuma acontecer com pontos corridos – a briga no outro lado na tabela tende a ser mais equilibrada.

Em 2006, os rebaixados despencaram muito cedo – e isso provavelmente não se repetirá no ano que vem. Mais do que isso, a briga por vaga na Libertadores já se transformou numa competição à parte. Basta ver a comemoração da torcida do Paraná ontem, as declarações de jogadores, a euforia de Caio Júnior em contraste com as lágrimas de Renato Gaúcho. Para que os pontos corridos tupiniquins ganhem mais graça... um clube grande brasileiro precisa vencer a Copa Sul-Americana. Enquanto isso não acontecer, a competição seguirá com esse sabor de sabão neutro.

Daqui a pouco, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, serão entregues os prêmios para a Seleção do Brasileirão. Já antecipei aqui meu voto na eleição da CBF. Vamos ver o que os envelopes trazem. Amanhã, entregamos nossos troféus virtuais, comandados pela concorridíssima Selebaba do Campeonato.

A defesa da rodada
Aos 43 minutos do segundo tempo. O chute de Mádson foi traiçoeiro, em curva... Andrey voou e com a ponta dos dedos evitou a derrota do Figueirense. O goleiro do Figueira fez outra defesa espetacular – numa cabeçada deLeandro Amaral.

A frase da rodada
"A sensação é de título" - Caio Júnior, técnico do Paraná.

O azar da rodada
O chute de Leandro Amaral na trave foi impressionante. A bola voltou nos pés de Jean, que como de hábito chutou em Marte. Aos 46 minutos do segundo tempo, o destino dizia não ao Vasco.

A pergunta da rodada
Amoroso tirou a camisa depois de seu belo gol contra o Juventude. Não havia uma determinação da Fifa para dar cartão vermelho nesses casos?

O golaço da rodada
Francismar (CRU) - Arrancando do meio, passou por Juninho, deixou Felipe Saad na saudade e tocou na saída de Júlio César. Um belo gol do instável Francismar.

A lambança a dois da rodada
Sob o inclemente sol do Maracanã, passe errado no ataque do Fluminense. A bola chega nos pés de Wendel. Que mata na canela e deixa a dita cuja nos pés de Beto, atacante tricolor. Beto avança, dribla Wendel, que desmorona no gramado. Beto fica livre diante do goleiro Sérgio... e perde a bola para o goleiro. Foi muita ruindade para um lance só.


A bola de cristal da rodada.
Acertou cinco resultados. Acertou, em especial, os empates que definiram a vaga da Libertadores. Não é mérito, é palpite. Muita gente não entendeu que a Bola de Cristal é um exercício de futurologia, uma grande brincadeira. Vascaínos e gremistas, em especial, destilaram revolta. O mais divertido e-mail foi o seguinte:

"Se você dependesse de acertos, com certeza o senhor já estaria desempregado. Apostar em vitória de 4x1 do Flamengo nessas circunstâcias é um tremendo absurdo. O Vasco não vencerá o Figueirense?Se você não sabe, vão haver (sic) mais vascaínos do que torcedores do Figueirense no O. Scarpelli e o Vasco está com um time melhor e jogará para frente, portanto após o término de minha opinião sobre os resultados,espero que as suas opiniões estejam bastante distintas da minha. Espero o Club de Regatas Vasco da Gama no ano de 2007 na Taça Libertadores da América da qual já possui um título." - Raul.

Comentário: Raul, dessa vez, por acaso, eu acertei o placar. E acertei o empate do Vasco. Mas a graça do futebol é justamente... sua imprevisibilidade. Ninguém entende mais ou menos de futebol por errar uma previsão.

A ofensa da rodada
Mas o grande prêmio de ofensa da rodada vai para um internauta de pseudônimo criativo.

"Poli, eu sei que o que vou colocar não tem nada a ver, mas o seu sobrenome é muito sem graça cara. POLI é muito simples. É como CHUCHU, não tem impacto nenhum. Poderia ser aPOLInho, aPOLInato, POLIano etc. Para o seu bem cara, vai por mim, troque o seu sobrenome por um outro. Talvez o seu sobrenome materno seria mais impactante. Vai por mim Gustavo, pois muitas pessoas não lêem seu blog porque o seu sobrenome não causa impacto. Eu só quero seu bem meu rapaz. Portanto, é melhor vc trocar o seu sobrenome." - GUGU SHERILOBHERSQUI.

Comentário: Estou sem palavras.


Cinco tiros indiretos

1 - Como diz o companheiro de TV Globo Alexandre Marum... o Vasco conseguiu
uma proeza.
É o melhor carioca do Campeonato Brasileiro. E o único que
termina sua campanha triste. Mais do que isso - é o único time do Rio que
nada comemorou em 2006. O Botafogo foi campeão carioca. O Flamengo levou a
Copa do Brasil (e a vaga na Libertadores). E o Fluminense comemorou a fuga
do rebaixamento. Pior: o Vasco passou a semana pedindo ajuda ao São Paulo. E o
São Paulo ajudou. O time da Colina deveria ser orgulhar pois fez sua melhor campanha recente e foi o “melhor do Rio”. Mas vá dizer isso hoje para a torcida cruz-maltina...


2 - O misto do Cruzeiro ganhou dos reservas Botafogo no Mineirão... sem
convencer ninguém. O time carioca cansou de perder chances com Jefferson
Feijão e Wando. O goleiro Fábio fez belas defesas... e a Raposa se despediu
de sua Idade do Gelo (o comando do super emotivo Oswaldo de Oliveira) com
uma vitória sem sal.


3 - Palmeiras e Fluminense sofreram com o calor no Maracanã. E a bola sofreu
com o futebol de Fluminense e Palmeiras. Thiago Silva e Enílton conseguiram
ser expulsos por xingamento mútuo.


4 – Na última rodada, os árbitros apitaram com alguma preguiça, economizando cartões, ignorando pênaltis e permitindo toda sorte de cera. Sálvio Spínola, por exemplo, permitiu que um jogador do Figueirense atrasasse o jogo durante 20 segundos ficando na frente da bola após uma falta. Não só não deu cartão como mandou Morais, do Vasco, cobrar a falta de novo. Heber Roberto Lopes deixou passar um pênalti claro em Valdívia. Jamir Garcez não viu Fábio derrubar Jefferson Feijão... e assim terminamos o Brasileirão.


5 - Mas... bons ventos soprarão em 2007. Com a volta do Galo, do Sport, do Náutico e do América-RN, o Brasileirão tende a ser mais equilibrado. E a ter mais disputas na última rodada.



Seleção da rodada (4-4-2)


Andrey (FIG) - O melhor jogador do Paraná ontem.
Vítor (GOI) - Excelente.
Élder (FLA) - Um tempo e dois gols. Tem estrela.
Alex Silva (SPO) - Uma muralha.
Luciano Almeida (GOI) - Chuta e passa bem.
Marquinhos Paraná (FIG)O esteio do Figueira.
Beto (PAR) - A alma do meio-campo do Paraná.
Francismar (CRU) - Que golaço.
Roger (COR) - Joga quando quer...
Amoroso (COR) - Golaço 2.0.
Whelitton (GOI) - Rapidíssimo.
Técnico: Muricy Ramalho - que prometeu e cumpriu.


Selebaba da rodada (4-4-2)


Clemer (INT) - Um belo penoso.
Márcio Hamn(SCA) - Limitadíssimo.
Gladstone (CRU) - Como pode um zagueiro de Seleção ser driblado seguidamente por Wando e Jefferson Feijão?
Ediglê (INT) - Mal...
Bill (BOT) - Atacou mal e marcou pior.
Wendel (PAL) - Maltratou a bola...
Morais (VAS) - Mais uma vez... nada fez.
Rodrigo Fabri (SPO) - Especialista em expulsão burra.
Aloísio (GRE) - Corre muito, produz pouco.
Beto (FLU) - Um talento para perder gols cara-a-cara.
Enílton (PAL) - Muita vontade, pouca bola.
Técnico:Dorival Junior - Uma despedida melancólica.

Escrito em 04/12/2006
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