Odvan, a taça, o helicóptero e a Seletiva...
Falemos um pouco mais do futebol carioca. Visitar a página (http://www.fferj.com.br) da Federação de Futebol do Rio de Janeiro é sempre divertido. Atualmente, ao chegar, você é surpreendido por um pop-up que comemora “Bangu, campeão da Seletiva 2006”. Dentro do pop-up, uma série de fotografias da fantástica conquista alvirrubra. São instantâneos que registram tudo o que aconteceu no último dia 25 – desde a chegada do presidente da Federação, Rubens Lopes, de helicóptero, ao Estádio de Moça Bonita, para acompanhar Bangu x Macaé – até a celebração eufórica dos jogadores comandados por Odvan.
A jornalística celebração da Seletiva contrasta com a página dos campeões estaduais, onde todos estão listados até... 2005. O campeão de 2006 ainda não foi incluído. Aliás, a página também chama atenção por outro detalhe: o campeonato de 2002 não tem campeão. Segundo a Federação, a taça não é do Fluminense. Está sub judice – confira aqui. Não está dito lá, mas isso acontece porque o Bangu entrou com um recurso alegando erros de arbitragem na semifinal (que aliás aconteceram). Mas voltemos ao presente. Voltemos às lindas fotos do título do Bangu!
Os fotógrafos captaram tudo – inclusive o orgulho do presidente do Madureira, Elias Duba, ao receber uma placa de agradecimento com escudinho do Bangu. Na placa, os verdadeiros desportistas agradecem “a imensurável ajuda e fundamental participação do Madureira na brilhante campanha e conquista da Seletiva” (e a placa foi confeccionada, obviamente, antes do jogo!). Pudera – o Madureira emprestou seu time para que o Bangu jogasse a competição.
A seguir, vemos fotos do jogo com faixas da torcida Bangang ao fundo. O empate que garantiu o título do Bangu veio com um pênalti marcado aos 49 minutos do segundo tempo – e permitiu a celebração dos jogadores do Bangureira, que também podemos acompanhar fotograficamente. Numa das fotos, a taça é erguida por Odvan.. e aparece algo semelhante a uma etiqueta em sua base.
Infelizmente, para o Bangu, a Seletiva não vale nada. E uma breve olhada no Estatuto do Torcedor (Lei 10.671 de 11/05/2003) mostra o motivo. O Campeonato da Segunda Divisão do Rio em 2006 teve 24 times ( Angra dos Reis, Bangu, Boa Vista, Bonsucesso, Ceres, CFZ, Artsul, CAEC, Guanabara, Itaperuna, Macaé, Mesquita, Estácio de Sá, São Cristóvão, Olaria, Serrano, Miguel Couto, Profute, Rio Branco, Teresópolis, Tigres, Rubro, Villa Rio e Duque de Caxias). Já a famigerada Seletiva incluiu por insondáveis mistérios uma porção de outros times: o Goytacaz, que estava licenciado, o Campo Grande, que é da Terceira Divisão e até a recém-rebaixada Portuguesa. Esse pode ter sido o grande erro dos doutores da Federação. Porque o Estatuto do Torcedor proíbe claramente a inclusão de qualquer time sem observação do critério técnico. Isso está expresso no artigo 10 da Lei 10.671:
Art. 10. É direito do torcedor que a participação das entidades de prática desportiva em competições organizadas pelas entidades de que trata o art. 5o seja exclusivamente em virtude de critério técnico previamente definido.
§ 1o Para os fins do disposto neste artigo, considera-se critério técnico a habilitação de entidade de prática desportiva em razão de colocação obtida em competição anterior.
§ 2o Fica vedada a adoção de qualquer outro critério, especialmente o convite, observado o disposto no art. 89 da Lei 9.615, de 24 de março de 1998.
O artigo 89 da Lei 9.615, a chamada Lei Pelé, diz o seguinte:
Art. 89 - Em campeonatos ou torneios regulares com mais de uma divisão, as entidades de administração do desporto determinarão em seus regulamentos o princípio do acesso e do descenso, observado sempre o critério técnico.
Ou seja, incluir times sem critério técnico é PROIBIDO. Lendo assim, fica evidente que a Seletiva não pode valer nada. Teremos o Estadual de 2007 com 12 times – mas fica a pergunta... e em 2008?
Escrito em 30/11/2006