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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
Thiago Coimbra na Turquia


Thiago Coimbra vai treinar na Turquia. O filho de Zico vai treinar no Fenerbahce, time comandado pelo maior craque da história rubro-negra. Thiago, que está parado desde que deixou o Flamengo, embarca neste sábado para Istambul e vai treinar com os juvenis do clube. Fará também um trabalho com o preparador físico Moraci Santana. Se for bem... pode até jogar no campeonato turco.


Escrito em 24/11/2006
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Bola de Cristal, Rodada 37
(e Obina Top 5)


A duas rodadas do fim do Brasileiro, este humilde blog recebeu uma dose cavalar de impropérios porque disse o óbvio: Obina não pode ser considerado um dos DOIS melhores atacantes deste Campeonato Brasileiro. Assim como Marcelo Mattos não pode ser considerado um dos DOIS melhores volantes. Assim como o goleiro Bruno não pode ser considerado O MELHOR goleiro do Brasileirão/2006. Mas, peraí, dirá o astuto leitor – eles só estão entre “os indicados”. Aí é que está o pulo do gato malandro.

A eleição deste ano se deu da seguinte forma: quase 400 eleitores, entre jornalistas, jogadores e técnicos, receberam um papel para escolher um time. Só era possível votar no melhor de cada posição. Isso significa, democraticamente, que Obina foi um dos seis mais votados (assim como Bruno, Marcelo Mattos, Paulo Baier etc). Em outras palavras, vários eleitores cravaram Obina como um dos DOIS melhores atacantes do Brasileirão.

Obina fez um bom campeonato, virou xodó da torcida rubro-negra (por causa da final da Copa do Brasil), mas vamos combinar: não foi um dos DOIS melhores atacantes do campeonato. Por dizer isso (e tão somente isso) recebi uma legião de e-mails ofensivos e mal-educados. E uma profusão de comentários pré-civilizados e toscos. É chato ter que ficar apagando palavrões de marmanjos mal-resolvidos, mas faz parte. Mas os comentários inteligentes acabam diluídos e o debate se perde no mar de burrice e grosseria. Mas procuremos ver o lado bom da coisa. Pois há momentos de diversão. Separei, antes de entrar na bola de cristal da semana, os melhores comentários sobre o tema, uma espécie de Obina Top 5. Então, vamos a eles:


OBINA TOP 5


1 –"O Obina fez um ótimo Brasileirão fez 11 gols é o artilheiro do Flamengo, por isto merece sim uma chance de Dunga , na Copa do Brasil ele como reserva entrou na Final e foi um dos destaques fazendo importante gol para o título do flamengo, o Dunga já deu chance pra quem nem merecia estar lá, é o caso do frangueiro do goleiro do Curzeiro Fábio, então o Obina pode muito bem ter a chance dele. E se tiver a chance dele vai mostrar que merecia!!!! " - Andre Luiz Silva

Comentário: Pelo visto, o Brasil foi mal na Copa porque não teve Obina.

2 - ”Se é para colocar o Obina coloca o Romário... mas com 80 anos e cercado de cangurus........ O Obina é piada de mau gosto!!!!!!! Isso somente prova que a imprensa carioca é maioria flamenguista!!!!!!” - FJV

Comentário: Obina, Romário e o canguru... isso parece título de filme.

3 – “Meu querido, o Sr. é um amador no campo do jornalismo! Só um comentário para o Sr. OBINA É O NOVO DEUS DOS GRAMADOS!!!!!!!!!!!!
E quem é você?
- Jovani

Comentário: Se o Obina é o deus dos gramados, prefiro não saber quem sou eu.


4 – “Como pode uma pessoa que trabalha em um veiculo de comunicação que atinge tantas pessoas dizer uma bobagem dessas! Amigo, com todo respeito vou mandar minha avó trabalhar trabalhar no seu lugar , ela coitada que não sabe nem quem é o homem de preto que fica correndo pra lá e pra cá ,que não toca na bola sabe mais de futebol que vc! gostaria de saber quais são os criterios pra se ter uma coluna dessas no site do Jornal? Quando vc fala em flamengo não esta falando de um mero clube de futebol! SOMOS UMA NAÇÃO! OBINA é campeão da libertadores pelo Fla, é eleito o melhor jogador, hexacampeão pelo brasil, AGUARDE QUEM VIVER VERÁ!!! - Márcio

Comentário: Olha, Márcio, não sei se sua avó daria uma boa colunista. Talvez, quem sabe. Se for para comparar, ela começa igual a mim. Assim como ela, não sei quem é o “homem de preto” que fica correndo pra lá e pra cá. Você está falando dos árbitros, esses que não usam preto há mais de dez anos? Anotei as equilibradíssimas previsões.


5 - MEUS PARABENS ! VC ACABA DE CONSEGUIR 33 MILHOES DE ANTI POLI ! Aliás POLI ! q nome mais lindo meu amigo ! Má sorte na sua carreira, vc é um péssimo profissional ! VC É UM DESCONHECIDO QUE FEZ ESSE TOPICO SOMENTE COM O OBJETIVO DE APARECER ! - Bruno

Comentário: Caro Bruno, obrigado pelo elogio ao sobrenome. E pela deferência. Sobre aparecer – olha, tenho que admitir,você descobriu meu estratagema secreto! Era essa a estratégia – criticar o intocável Obina!!! Uma estratégia infalível. E agora espere: o melhor ainda virá! O post na verdade elogiava o atacante rubro-negro. Imagine se fosse uma crítica? Gostei dos 33 milhões de “Anti-Poli”. Muito distinto. Em outras palavras, ai de ti, analista independente, se ousar discordar do torcedor.


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Bom, depois desse intervalo bem-humorado, encaremos a bola de cristal da penúltima rodada. Todos os jogos são no domingo, dia 26, no mesmo horário. Paraná e Vasco disputam a última vaga na Libertadores, com o Figueirense correndo por fora. Fluminense, Palmeiras, Ponte Preta e São Caetano correm para escapar da degola - mas os dois últimos devem receber suas sentenças já nesta rodada.


Botafogo x Corinthians
Maracanã, 16h

Dois times em ritmo de férias. E o empate é até bom resultado para ambos. Mas o Botafogo tem algo engasgada a derrota no primeiro turno. O Corinthians corre muito mas carece de inspiração. O Botafogo é um time cadenciado e deverá começar com Lúcio Flávio.
O palpite: Botafogo 2 x 1 Corinthians.


Grêmio, Flamengo
Olímpico, 16h

Ganha um Obina fofinho de brinquedo quem disser cravar (e acertar) Flamengo neste palpite.
Uma vitória assegura ao Grêmio a vaga da Libertadores-sem-pré. O Flamengo, que já garantiu esse direito, só pensa em 2007. O problema é que para alguns jogadores... boa parte dos salários de 2006 ainda não veio. Obina estará em campo – e promete jogar mais do que contra o Figueirense, quando nada produziu no ataque e ainda deixou Schwenck livre para fazer o segundo gol do Figueira. O Grêmio é favorito, mas fica no empate.
O palpite: Grêmio 1 x 1 Flamengo (gol de Obina!).


Juventude x Fortaleza
Alfredo Jaconi, 16h

Para o Juventude, o jogo vale pela possibilidade de chegar à Sul-Americana. Mas o time estará desfalcado de Fabrício e Alexandre. O Fortaleza, que correu muito contra a Ponte Preta, cumpre tabela.
O palpite: Juventude 1 x 0 Fortaleza.


São Paulo x Cruzeiro
Morumbi, 16h

O jogo da taça, das faixas e da festa... não poderia ter adversário melhor. O decepcionante Cruzeiro não se importará muito em perder, ganhar ou empatar no Morumbi lotado. O campeão brasileiro não terá Aloísio (nem o suspneso Lenílson). O Cruzeiro jogará sem Wagner e Gladstone. No banco, o contraste entre o elétrico Muricy e o glacial Oswaldo de Oliveira.
O palpite: São Paulo 3 x 1 Cruzeiro.


São Caetano x Paraná
Anacleto Campanela, 16

O deserto do Anacleto acompanha as últimas esperanças do São Caetano. A derrota em casa para o Vasco roubou o gás da reação do Azulão. Pior: o time jogará sem a zaga titular (Thiago está machucado e Júlio César suspenso). O Paraná sonha com a Libertadores, tem um time ajeitado, com contra-ataque eficiente e uma zaga sólida.

O palpite: São Caetano 1 x 2 Paraná.


Atlético-PR x Figueirense
Arena da Baixada

O Figueira ainda acredita na Libertadores. Com 53 pontos, torce contra Vasco e Paraná. O Furacão não terá Erandir, Marcos Aurélio e Michel – todos suspensos. E vem da depressiva goleada para o Pachuca. Mas precisa do resultado para se garantir na Sul-Americana. O time catarinense, por sua vez, aposta em Schwenck e Soares, a dupla que já fez 26 gols neste Brasileirão.
O palpite: Atlético 2 x 1 Figueirense


Vasco x Santos
São Januário, 16h

O Vasco ganhou do São Caetano jogando mal... e enfrentará uma das melhores defesas do campeonato (desfalcada de Luiz Alberto). São Januário estará lotado e o time de Renato Gaúcho melhora muito com apoio da torcida – em especial se Jean jogar. Sem ele, o time perde muito em inspiração ofensiva. Vanderlei Luxemburgo deve escalar três zagueiros. O time do Santos é mais talentoso. O do Vasco corre mais.
O palpite: Vasco 1 x 0 Santos.


Goiás x Ponte Preta
Serra Dourada, 16h

Desfalcado de Galeano e Romerito, o Goiás parte para cima da fraquíssima Macaca em busca da vaga na Sul-Americana. A Ponte tem a volta de Emerson, mas jogará praticamente sem laterais. Iran, Wellington e Nei estão suspensos, assim como o volante Pituca. O Goiás é muito melhor, tem Souza e o bom Whelliton. A Ponte jogará fechada, buscando o contra-ataque e deverá deixar o Serra Dourada rebaixada.
O palpite: Goiás 3 x 0 Ponte Preta.


Santa Cruz x Fluminense
Estádio do Arruda, 16h.

O Santa Cruz movido a mala preta encara o desesperado Fluminense. O tricolor carioca está tentando desesperadamente ser rebaixado, mas a Ponte Preta não deve deixar. Arouca e Petkovic voltam no Flu. No Santinha, garotos como Jairo, Jadeílson e Vítor são um prenúncio de 2007. Foi contra o Santa que em 1998 o Fluminense começou a ser rebaixado para a Série C. Desta vez, o tricolor escapa da nova tragédia.
O palpite: Santa Cruz 1 x 3 Fluminense.


Palmeiras x Internacional
Parque Antártica, 16h

Com a volta de Clemer e a estréia do promissor Alexandre Pato, o Inter afina suas baterias para o Mundial. O Palmeiras, que muito torcerá pelo Goiás, não terá Edmundo, Nen e Francis. A defesa do Inter é muito sólida. E, com Fernandão no meio-campo, o time ganha um ótimo lançador para aproveitar a velocidade de Iarley. E um excelente cabeceador.
O palpite: Palmeiras 0 x 1 Internacional.

Escrito em 24/11/2006
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Presença de Obina


A presença de Obina entre os indicados para “melhor atacante do Campeonato Brasileiro” mostra que muita gente votou no folclore – ou com o coração – na eleição dos melhores jogadores da competição. Numa competição que teve Soares, Leandro, Jean, Souza, Aloísio, Iarley, Fernandão e Denis Marques... é quase um escândalo a presença de Obina como um dos seis mais votados. Isso quer dizer que muita gente escolheu Obina como um dos DOIS melhores atacantes desse Campeonato Brasileiro. E, que me desculpem os rubro-negros, Obina não podia estar nessa lista.

Ele marcou 11 gols no Brasileirão, sim, mas não era sequer titular do Flamengo até a metade do Campeonato. E se o número de gols marcados for justificar voto, Tuta (que fez 13 gols) apareceria antes de Obina. E Dodô, do Botafogo, fez nove gols jogando apenas dez jogos. Quantos atacantes não fizeram um campeonato melhor que Obina? Eis uma pequena lista (que exclui os oito acima citados): Schwenck (13 gols), Reinaldo (11 gols), Cristiano, Leonardo, Marcos Aurélio... Welliton, Wagner, Enílton e Edmundo também poderiam entrar nesse time.

Obina até fez um bom campeonato, mas não brilhou. Fez boas partidas – como contra o Corinthians no Maracanã. Mas esteve longe de ser um dos DOIS melhores atacantes do campeonato. O mesmo vale, em menor escala, para a presença do ótimo goleiro Bruno, também do Flamengo, entre os indicados. Cássio (Vasco), Harley (Goiás), Renan (Internacional), Kleber (Atlético-PR), Marcelo (Corinthians) e Andrey (Figueirense) tiveram atuações mais destacadas do que as do goleiro do Flamengo. A indicação de Marcelo Mattos, do Corinthians, é outra que me soa injusta. Edinho (Inter) e Clayton (Botafogo) fizeram campeonatos melhores... até Jeovânio (Grêmio) merecia mais. Mas... democracia é assim.
Escrito em 23/11/2006
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Eleições e seleções


Na semana passada, enviei meu humilde voto para a eleição do craque do Brasileirão. É um voto coletivo – os eleitores escolhem uma seleção do campeonato... e o jogador que receber mais votos acaba eleito. Isso pode provocar injustiças – uma vez que um grande jogador pode ter “concorrência” em sua posição. E outro mediano pode não ter. Mas, como a última impressão influencia os eleitores, dificilmente Mineiro perderá o título de melhor jogador do campeonato. Quem deixaria de fora o volante são-paulino de sua seleção?

Uma votação desse tipo tem características interessantes. Se pudéssemos mapear os votos regionalmente... é provável que notássemos que a imprensa não escapa da influência regional. Diego Cavalieri, do Palmeiras, por exemplo... terá o grosso de seus votos em São Paulo. Zé Roberto, do Botafogo, certamente será mais votado no Rio do que alhures. E isso é até natural – porque os jornalistas acompanham mais os times de seus estados. Não é fácil, pois, encontrar equilíbrio na hora de votar. Mas é nosso dever tentar.

Abaixo, listo minha seleção... e minha Seleção-B (formada por jogadores que mereciam muito ter sido votados). A Selebaba... a gente faz depois.

Seleção do Campeonato (4-4-2):

1 – Diego Cavalieri (PAL)
2 – Souza (SPO)
3 – Luís Alberto (SAN)
4 - Fabiano Eller (INT)
6 – Kleber (SAN)
5 – Mineiro (SPO)
8 – Lucas (GRE)
10 – Ferreira (ATL-PR)
11 – Zé Roberto (BOT)
7 – Fernandão (INT)
9 – Souza (GOI)

Melhor técnico: Muricy Ramalho (SPO)
Melhor juiz: Leonardo Gaciba (RS)
Melhor jogador do campeonato: Mineiro (SPO)


Seleção B:

1 – Renan (INT)
2 – Vítor (GOI)
3 – Fabão (SPO)
4 – William (GRE)
6 – Jadílson (GOI)
5 – Edinho (INT)
8 – Andrade (VAS)
10 – Renato (FLA)
11 – Danilo (SPO)
7 – Jean (VAS)
9 – Soares (FIG)
Escrito em 21/11/2006
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O torcedor do Náutico Capibaribe




Ecoemos aqui o blog co-irmão do Milton Leite para falar da merecidíssima volta do Náutico à Série A. Falar dos 20.669 torcedores que estiveram nos Aflitos, no sábado, para ver o alvirubro pernambucano derrotar o Ituano por 2 a 0. É uma história que parece pequena, num canto de Pernambuco. Mas é uma história que começa no ano passado, quando o time conseguiu perder dois pênaltis e o jogo para um Grêmio que jogava com sete jogadores. Houve quem decretasse a falência moral do Náutico. Houve quem temesse pelo desaparecimento do Timbu.

No sábado, os 20.669 torcedores que ecoaram cada letra do nome do time, começando por um maiúsculo N, participavam da grande redenção do ano. Maior que a do Atlético-MG, maior que a do Sport. Ninguém foi tão fundo quanto o Náutico. Ninguém conseguiu perder de forma tão grotesca e clamorosa. O Náutico carrega um fatalismo, uma sina que mescla provação e sofrimento. Por isso, o torcedor do Timbu saboreia a glória de maneira diferente. Ele sabe que a felicidade é rara. Quem vive na tempestade aprecia melhor a bonança.. Se a batalha dos Aflitos de 2005 tivesse ocorrido com o Botafogo, aquele clichê (mais que verdadeiro) das “coisas que só acontecem” seria mil vezes repetido.

E eis que o Náutico deixa sua aflita tumba e se levanta. Para entender um pouco das emoções vividas no Estádio dos Aflitos, busco o depoimento do repórter George Guilherme, da TV Globo (na foto durante uma reportagem em Angola) que acompanhou a partida no local (o nome do estádio, na verdade, é Eládio de Barros Carvalho, antigo presidente do clube. A capela de Nossa Senhora dos Aflitos dá nome ao bairro do clube). Eis as palavras de George:

“Pouco depois do segundo gol do Náutico, olhei para o campo e vi Kuki, que havia dado o passe para o gol, parado no meio-campo. Fiquei observando... e vi que ele estava chorando. Chorando dentro de campo. Enquanto isso, a torcida gritava “Primeira.... primeira”... e “Vamos subir Náutico, vamos subir Náutico!”. Breno, filho de Zé do Carmo, chorava. Jaime, zagueiro que era junior e viu a tragédia de 2005 na arquibancada... e quis o destino que começasse o jogo como titular, também chorava. O Náutico fez 1 a 0 e começou a cair uma chuva... uma imensa chuva... como que para lavar a alma da torcida. No fim do jogo, entra a faixa em campo: “Batalha dos Aflitos – II, Náutico na primeira divisão”.

Os dirigentes do Náutico sabem que permanecer na Série A não será tarefa fácil. Só de início, eles comparam o orçamento do Timbu com o do Sport, que também subiu. Como membro do Clube dos 13, o Sport tem direito a uma fatia razoável de cotas televisivas. A estimativa do Timbu é receber em 2007 R$ 3 milhões contra R$ 23 milhões do Sport.” (que me parece uma soma algo exagerada).


George Guilherme completa seu depoimento sugerindo a publicação de um poema do pernambucano João Cabral de Melo Neto. O poema fala sobre o América F.C., o alviverde de Pernambuco, campeão de 1922. Mas, como diz George, poderia estar falando do Clube Náutico Capibaribe.



O Torcedor do América F.C.

O desábito de vencer
não cria o calo da vitória;
não dá à vitória o fio cego
nem lhe cansa as molas nervosas.
Guarda-a sem mofo: coisa fresca,
pele sensível, núbil, nova,
ácida à língua qual cajá,
salto do sol no Cais da Aurora.
Escrito em 20/11/2006
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O tetra coletivo


O papel picado baixou, a taça flexionada acima das cabeças tricolores já desceu, a belíssima camisa 4-3-3 já virou hit e recordação. As loas para Rogério Ceni, Muricy Ramalho e Mineiro estamparão as páginas de todos os jornais. São elogios justos, pois todo time requer símbolos e o título tricolor, coincidência ou não, tem justamente três. O goleiro-artilheiro, cujo nome é sinônimo de Morumbi; o volante operário dos gols fundamentais; e o técnico zangado, com seu perfil de hobbit e temperamento de senhor dos anéis. Mas talvez este São Paulo seja o time mais coletivo a conquistar o título no passado recente.

O Corinthians tinha Tevez em 2005. O Santos de 2004 tinha Robinho. O Cruzeiro de 2003 tinha Alex. O São Paulo não tem esse jogador-assinatura. Tem símbolos. Mas não tem um jogador que saia do time e faça absoluta diferença. Neste Campeonato, o São Paulo jogou sem Mineiro, sem Rogério, sem Josué, sem Júnior... sem a zaga titular... e continuou vencendo. Até porque o time não tem craques. É uma equipe na acepção da palavra – sua grande virtude é o elenco.

Vejamos o caso de Leandro, o clássico “jogador de grupo”. Leandro perde gols incríveis, adora um salto ornamental... mas é incapaz de desistir. Joga a cem por hora o tempo todo. Facilita a vida dos companheiros sem receber muito crédito por isso. Seu histórico não é casual: jogou no Goiás de 2004 – que acabou na sexta posição no Brasileiro. Jogou no Fluminense de 2005 (campeão carioca num passe dele, quinto colocado no Brasileirão). Quando o São Paulo foi buscá-lo, sabia o que estava fazendo.

Assim como sabia o que fazia quando apostou em Souza, em Mineiro, em Josué, em Danilo, em Fabão... nenhum deles egresso das divisões de base do time (que aliás, apesar de muito elogiadas, não têm grandes representantes nesse título – só mesmo Rogério Ceni).
Não custa lembrar que o time perdeu Cicinho, Lugano e Ricardo Oliveira. Foi capaz de roubar Ilsinho do Palmeiras, repatriar Miranda a custo baixo. E apostar em Aloísio, outro jogador-operário.

O que será deste São Paulo em 2007? A primeira contratação do time para a próxima temporada nos ajuda a responder essa pergunta. Jadílson, lateral esquerdo do Goiás, vem para a mesma posição de Júnior, um dos decanos do elenco. Mas, no São Paulo, não vemos ninguém reclamar da reserva publicamente. Alguém acha que Alex Dias, com o traseiro profundamente grudado no banco de reservas tricolor, está feliz? Certamente não está. Mas alguém ouviu algum pio insatisfeito dele?

Com a vinda de Jadílson, sobrará uma camisa. Mas o clube é tão bem administrado – com bons salários sempre em dia – que ninguém vai reclamar. Na festa do pódio, por exemplo, um espectador descamisado chamava atenção. Era Rodrigo Fabri, que já foi objeto de cobiça de inúmeros times. No São Paulo, mal jogou. Mas, além de não reclamar, Fabri jamais cavou para sair do Morumbi.

Em suma, o título brasileiro do São Paulo começa fora de campo. Com estrutura, os bons jogadores crescem. Mineiro, por exemplo, veio do São Caetano (depois de um bom período na Ponte Preta) como um reforço mediano. Quem diria, anos atrás, que ele poderia ser eleito o melhor jogador de qualquer campeonato? Mineiro não é um volante clássico. Não joga de cabeça em pé, não é um distribuidor de jogo. Ele marca como carrapato, mas com a bola é um velocista, se projeta ao ataque, aparece de surpresa. De certa forma, sintetiza este São Paulo, um time operário com flashes de brilhantismo. Muito mais que merecidamente, o campeão brasileiro de 2006.


Frase da semana
“Eu sou um cara que passou fome, que morou em favela... pensar que um cara como eu pôde chegar aqui... num clube como o São Paulo... Disseram que eu não tinha condição, que era jogador de time pequeno... e cheguei aqui”Souza, o coringa do tricolor.

A defesa da rodada
Ricardo Berna (FLU) – Aos dois minutos do segundo tempo, Daniel (COR) recebeu livre na área... e chutou. Berna fez uma primeira defesa espetacular, cercou o atacante do Corinthians e fez uma segunda ótima e decisiva defesa, que preservou o empate.

O lance da rodada
O lançamento de Rogério Ceni que encontrou Ilsinho ao lado da área do Atlético-PR, no primeiro tempo, foi espetacular. Ilsinho cruzou, Danilo cabeceou e Kléber salvou. Mas o lançamento valeu o ingresso.

O passe da rodada
Ramon (VAS) descobriu Claudemir (VAS) livrinho nas costas de Alessandro... um passe perfeito, uma finalização precisa para destroçar uma certa bola de cristal.

A acomodação da semana
O carrinho de Gustavo (ATL-PR) em Leandro (SPO) não pode ter outra cor senão vermelho. Como Alício Pena Junior deu amarelo? Da falta, saiu o gol do São Paulo.

A acomodação da semana 2.0
Leonardo Gaciba conseguiu não expulsar Danilo Portugal (GOI) no Maracanã mesmo depois que ele agarrou Zé Roberto (BOT) pela camisa já com cartão amarelo. Da falta, saiu o segundo gol do Botafogo.


Cinco tiros indiretos


1 – Ficou entre Paraná e Vasco mesmo a briga pela Libertadores, com alguma chance para o Figueirense. O Figueira precisa secar muito. Primeiro, torce para que o Vasco não vença o Santos. Depois, para que o Paraná não derrote o moribundo São Caetano. Vai precisar de toalha. E vai precisar ganhar também do Atlético-PR na Arena da Baixada...

2 – Paraná e Inter foi uma boa partida debaixo d’água – apesar das condições do gramado. O Inter jogou bem, mesmo tendo um a menos desde os 10 minutos de jogo. Iarley perdeu dois gols cara a cara depois disso – em ambos foi prejudicado pelas poças. E o Paraná manteve viva o sonho da América.

3 – O Vasco, por sua vez, foi dominado pelo frágil Azulão... mas jogou o suficiente para ganhar. Sua zaga não foi muito incomodada, mas o time deve ter batido o recorde de contra-ataques desperdiçados de maneira burra.

4 - Corinthians 1 x 1 Fluminense e Fortaleza 1 x 0 Ponte Preta foram dois dos piores espetáculos deste Brasileirão. No Pacaembu, a bola foi agredida, torturada e maltratada sem piedade. No PV, o Fortaleza merece elogios por jogar com seriedade mesmo já rebaixado. A Ponte, por sua vez, parece desejar ardentemente a Série B. O Fluminense continua sem jogar bem, mas passou a correr desesperadamente.

5 - O São Paulo pode estar em festa... mas o futebol paulista deverá ter em 2006 seu menor número de representantes no Campeonato Brasileiro desde 1971. São Caetano e Ponte Preta entraram em coma profundo ontem, para alívio de Fluminense e Palmeiras. Se o Paulista não conseguir o milagre de subir, São Paulo deve ter apenas quatro representantes na Série A em 2007.


Seleção (4-4-2)

Ricardo Berna (FLU) - Duas defesas fundamentais no mesmo lance.
Ilsinho (SPO) - Tem potencial pra chegar na Seleção.
Fabão (SPO) - Um gol de luxo.
Dudar (VAS) - Sóbrio e eficiente em São Caetano.
Eltinho (PAR) - Responsável pela expulsão de Ceará.
Mineiro (SPO) - Onipresente.
Christian (ATL-PR) - Um belo gol no Morumbi lotado.
Sandro (PAR) - Habilidoso e raçudo.
Fernandão (INT) - Bem mesmo na derrota.
Cristiano (PAR) - Um pênalti, um gol.
Leandro (SPO) - O operário que funciona.
Técnico: - Muricy Ramalho (SPO) – Vida e obra.


Selebaba (4-3-3)

Felipe (SAN)– Piu, piu e piu.
Alessandro (SCA) – Pegou 200 vezes na bola e nada produziu.
Rodrigo Arroz (FLA) - Fraco.
Felipe Saad (BOT) - Ruim até para fingir que estava for a de campo.
André (FLA) – O lateral do cruzamento errado
Júnior (SPO) – Muito mal no dia do título (deslocado para o meio aqui).
Marabá (SCA) - Matar a bola não deve ser tão dificíl...
Carlinhos (PON) - Muito mal.
Leandro Amaral (VAS) - Errou absolutamente tudo.
Caio (PON) - Nulidade total.
Obina (FLA) - Uma atuação horrorosa.
Técnico - Vanderlei Paiva (PON) – Afundando...
Escrito em 19/11/2006
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