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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
Bola de cristal – Rodada 36


Uma nuvem tricolor domina a cristalina esfera nesta sexta-feira. A 36ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2006 deve sacramentar o anunciado tetra do São Paulo Futebol Clube. Um título merecidíssimo de um time estruturado, bem treinado, preparado e talentoso. Este colunista discorda dos profetas do apocalipse, que enxergam no futebol brasileiro um arremedo de um suposto grande futebol mundial. Os grandes craques podem estar na Europa, mas o celeiro continua aqui.

Tivemos no Brasileirão/2006 grandes jogos. E jogos ruins. Todo campeonato espanhol tem seu Getafe. Todo campeonato italiano tem seu Perugia. Este Brasileirão nos trouxe grandes jogos (como Botafogo 4 x 3 Santos; São Paulo 3 x 2 Paraná, Grêmio 1 x 1 São Paulo), épicos (Corinthians 0 x 0 São Paulo) e grandes revelações (Diego Cavalieri, Marcelo, Lucas, Renato Augusto, Renan...). Foi um campeonato que valeu cada ingresso (tá bom, cada é exagero).

Mas, ainda não é tempo de fazer o necrológio completo do Brasileirão. A humilde e humilhada bola de cristal tem a missão de falar do futuro e não do passado. A previsão aqui é que o São Paulo abocanha o tetra nesta rodada. E que a situação de outro tricolor... fica complicada.


Corinthians x Fluminense
Pacaembu, 18/11, 18h10m

O Corinthians ainda acredita (acreditem) na Libertadores. O Fluminense ganhou do Cruzeiro depois que o time azul consumiu onze caixas de Lexotan. O Corinthians vai levar o jogo a sério. O Fluminense tem tudo a perder e, por mais que tenha corrido mais, tem jogado mal demais. PC Gusmão passou a semana em São Paulo para “unir” o grupo. O Corinthians, cada vez mais ex-MSI, vence com relativa facilidade.
O palpite: Corinthians 2 x 0 Fluminense.


Flamengo x Figueirense
Maracanã, 18/11, 18h10m

Depois da derrota lânguida contra a Ponte Preta, o Flamengo teve uma semana ruim. Enquanto os cartolas viajavam em busca de reforços caros, os salários continuavam atrasados. É a pior receita possível para um time que não quer mais nada, nada, nada no Campeonato. E vai jogar relaxado contra o Figueirense – que voltou miraculosamente a sonhar com a vaguinha na Libertadores. A bola de cristal vislumbra uma vitória rubro-negra, com boa atuação de Renato Augusto.
O palpite: Flamengo 3 x 1 Figueirense.


Grêmio x Santa Cruz
Estádio do Olímpico, 18/11, 18h10m

O Santa Cruz, o fantasma que caminha, faz seus três últimos e moribundos jogos na primeira divisão. Outro dia até ganhou do Sono Azul (vulgo Cruzeiro) e esboçou alguma dignidade. Na rodada seguinte, levou uma sonora sapatada do São Caetano. Contra o Grêmio, no Olímpico, a bola de cristal verifica um atropelamento. A picape do tricolor gaúcho passará por cima do rebaixado time pernambucano.
Grêmio 4 x 0 Santa Cruz.


Juventude x Palmeiras
Alfredo Jaconi, 19/11, 16h

O Palmeiras respirou aliviado na última rodada, mas ainda corre algum risco de rebaixamento... assim como o Juventude. E um empate não chega a ser um mau resultado para ambos. O vencedor deste jogo poderia até sonhar com uma vaga na Sul-Americana. Mas, quando se trata de rebaixamento, vale tudo para salvar o pescoço.
O palpite: Juventude 0 x 0 Palmeiras.


Paraná x Internacional
Vila Capanema, 19/11, 16h

O Inter ainda não jogou a toalha e tem Fernandão de volta, mas perdeu Alex, seu facilitador. Uma vitória deixa o Paraná muito perto da Libertadores. O goleiro Renan não leva gol há sete jogos... e a defesa comandada por Fabiano Eller é mais que sólida. O Paraná tem Leonardo e Cristiano – uma dupla de ataque rápida e habilidosa – e terá Gérson no meio-campo. O Durival de Brito estará abarrotado de torcedores tricolores... e a pressão sobre a arbitragem será grande. Esta semana, o Paraná chegou a lançar um DVD com os erros de arbitragem contra o tricolor (os erros a favor, claro, não entraram...). O palpite aqui é que o muro de Renan, enfim, cai.
O palpite: Paraná 1 x 0 Internacional.


São Caetano x Vasco
Anacleto Campanela, 19/11, 16h

Três vitórias em três rodadas e o morto azul se levantou. Se levantou e deve produzir até o milagre de levar gente a seu estádio. O Vasco, lutando bravamente pela Libertadores, tem o pior desfalque possível: Jean, a alma de seu ataque. O Azulão tem jogadores talentosos como Leandro Lima, Élton e Anderson Lima e precisa vencer de qualquer maneira. Para o Vasco, o empate não chega a ser uma tragédia. A bola de cristal... tem um tom azulado aqui.
O palpite: São Caetano 2 x 1 Vasco.


São Paulo x Atlético-PR
Morumbi, 19/11, 16h

O jogo do título anunciado. O Furacão-B é não chega a tempestade tropical, mas promete disposição e correria. No fundo, porém, tende a ser uma mera brisa no Morumbi lotado. O São Paulo, mesmo que fique sem Danilo, jogará observando o troféu. E não vai deixá-lo escapar. E olha que o Furacão-B tem bons jogadores como Válber, Pedro Oldoni e Paulo Rink. Mas o palco está completamente pronto para a festa tricolor.
O palpite: São Paulo 3 x 1 Atlético-PR.


Cruzeiro x Santos
Mineirão, 19/11, 18h10m

Olha o Moleza Azul aí, gente, o time que conseguiu perder do Santa Cruz e do Fluminense. Não fosse isso... O Cruzeiro seria favorito para a vaga na Libertadores. O técnico Oswaldo de Oliveira busca com sua calma zen um despertador para o time (e quem sabe para ele também). A Raposa tem ótimos valores (como Wagner e Gabriel) mas vem jogando com um sono impressionante. O Santos é um time sólido na defesa e Reinaldo-dependente no ataque. Jogando fora de casa, se fecha com extrema competência. O Cruzeiro pode ter Geovanni. O Santos precisa da vitória para continuar na briga pela Libertadores sem pré.
O palpite: Cruzeiro 0 x 1 Santos.


Botafogo x Goiás
Maracanã, 19/11, 18h10m

O Goiás jogou até bem contra o São Paulo, mas foi superado na técnica. Sem Reinaldo, o Botafogo não teve ataque contra o Palmeiras. O Goiás não terá o ótimo lateral Vítor, suspenso por excesso de dramaturgia contra o Corinthians. O Botafogo, em compensação, terá Wando, o atacante das mil pernas e nenhum gol (em jogo – no coletivo de sexta-feira, fez dois). Os dois times podem continuar sonhando com a improvável Libertadores em caso de vitória. Em casa, o Botafogo deve esquecer as derrotas em São Paulo e derrotar o time do artilheiro do campeonato.
O palpite: Botafogo 3 x 1 Goiás.


Fortaleza x Ponte Preta
Castelão, 19/11, 18h10m

O outro cadáver ambulante do campeonato, o tricolor de aço, recebe a Ponte Preta. A Macaca depurada precisa da vitória. Para o Fortaleza, o jogo nada significa, a não ser uma visita do homem da mala. A defesa do Fortaleza vem demonstrando novas formas de levar gol. A Ponte precisa desesperadamente da vitória.
O palpite: Fortaleza 0 x 2 Ponte Preta.
Escrito em 17/11/2006
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Amarelar é humano


A faca e o queijo estavam ali. Faltavam dois pontos para o Brasil conquistar o inédito título mundial. A seleção de vôlei feminino vencia a Rússia por 13 a 11 no quinto set. E então veio a pane. Ela, a pane. A inimiga íntima da seleção feminina. Quatro erros e menos de cinco minutos depois, o Brasil ganhava o direito de abaixar a cabeça para receber a medalha de prata. Pendurada no pescoço, entalada na garganta.

O Brasil jogou menos do que poderia. A Rússia jogou muito bem. Mas o que fez realmente diferença não foi técnica, não foi capacidade, não foi força física. Foram os nervos – eles, grandes e enfáticos pontos fracos de nossas seleções femininas. Quem não se lembra da Grande Amarelada Histórica das Olimpíadas, quando a seleção conseguiu perder uma semifinal olímpica para esta mesma Rússia depois de estar ganhando por 24 a 19 no quarto set... e por 13 a 11 (e 14 a 13) no quinto set? Ou o travamento inexplicável súbito da seleção de basquete, contra a Austrália, no início do último quarto do recente Mundial em São Paulo?

Os mais apressados talvez culpem o técnico José Roberto Guimarães. Mas antes, com Bernardinho, os resultados foram os mesmos: vitórias no Grand Prix, derrotas nos dois grandes torneios. Com Bernardinho, o time perdeu semifinais olímpicas que vencia (1996 e 2000) e foi vice-campeão mundial. Tudo bem que naquele tempo havia uma máquina cubana de jogar vôlei feminino. Mas as jogadoras brasileiras também eram tecnicamente melhores que as atuais.

Bernardinho fez a seleção feminina subir de degrau. Mas não conseguiu vencer a última barreira. A partir dele, o Brasil passou a ser potência. Zé Roberto Guimarães vem namorando o último passo... e vem esbarrando no mais cruel dos quases – aquele em que time perde para si mesmo. O time está a um centímetro de galgar o último parâmetro – aquele que separa o Brasil do ouro. Mas isso só vai acontecer quando a pane for embora.

O vôlei atual é equilibradíssimo. Vejamos o caso do Masculino. O título mundial do Brasil, que hoje parece natural, também veio no tie-break e justamente contra a Rússia... no tie-break (pelo mesmíssimo placar: 15 a 13). Giba & Cia ganharam várias ligas mundiais no detalhe, mostrando uma incrível superação contra times mais altos, mais fortes até. Em especial, mostrando a capacidade de acertar na hora H.

Na hora H, a hora em que a vitória parece próxima, os nervos traem as brasileiras. Farejar a glória parece atrapalhar, como se entrassem em quadra a frustração contida, a antecipação da justa euforia. O time perde a concentração. E, quando o adversário se recupera, vem o medo de perder. No segundo set, o Brasil ganhava por 23 a 21... e perdeu quatro pontos seguidos. História que se repetiu no quinto e decisivo set. Não tiremos o mérito das russas, que jogaram muito, melhoraram durante a partida, acertaram o passe e o bloqueio (fundamento que o Brasil só começou a encaixar nos últimos sets). Mas o Brasil perdeu porque sentiu.

Com 13 a 11, o Brasil teve um contra-ataque. Sheila ficou no bloqueio (13 a 12). Teve um ataque com uma bola bem levantada por Fofão, Sheila cortou para fora (13 a 13). Veio o saque russo... Jacqueline ficou no bloqueio da levantadora Akulova. E então, já amedrontado, o time errou pela última vez – na recepção. A reação natural do torcedor foi de cólera. Mas a decepção não pode nublar a perspectiva.

A história indica que toda vitória é construída com derrotas. Esta seleção não é a seleção que perdeu em Atenas, uma derrota trágica e retumbante. Esta é uma equipe renovada que pode e deve brigar pelo ouro em Pequim. Mas, para subir o último degrau, vai precisar vencer sua batalha íntima. Mundial, infelizmente, só daqui a quatro anos. E aí o cenário pode ser completamente outro. Por isso, esse amargo e prateado sabor da oportunidade perdida... demora um pouco a ir embora.
Escrito em 16/11/2006
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Eleição no Vasco: modo de usar - 2



Mais uma prova de que algo estranho aconteceu em São Januário. A reportagem de hoje aqui do site... que mostra um eleitor que quitou apenas um mês... e conseguiu votar. Inicialmente ele se apresentou como eleitor de Roberto Dinamite. E foi barrado. Depois... disse que votaria na situação. E foi autorizado. Confira aqui a reportagem de Cristiano Barbosa Lima.

Mas o blog recebeu também o comentário abaixo do internauta Oscar Figueira, que diz ser sócio do Vasco e que votou na situação. Vale a pena transcrevê-lo:

“Eu sou sócio do Vasco e meu nome não estava na lista. Tive de mostrar na tesouraria os recibos para ser autorizado a votar. Ninguém me liberou a entrada, e eu também estava usando um adesivo da chapa do Eurico. Muito interessante a matéria (que acompanha essa nova e duvidosa tendência de transformar jornalista em notícia, com foto, depoimento pessoal e tudo mais), mas o texto só não explica um detalhe: De acordo com o estatuto do Vasco, não é o presidente que manda no clube durante as eleições, e sim o presidente da Assembléia Geral, no caso o José Cabral, o mesmo que disse que a eleição estava sub judice enquanto o Eurico disse que não estava, e digo isso só pra mostrar que o cara não é pau mandado do Eurico, ou pelo menos não aparenta ser. No local da votação, presidido pelo José Cabral, o eleitor apresentava a carteira e recebia a autorização para votar dos fiscais da situação e, claro, também dos fiscais da oposição. E os fiscais da oposição suspeitaram de pelo menos três eleitores na minha frente. De mim, não, talvez porque eu tivesse mostrado os tais recibos na entrada. Depositei meu voto na urna, uma caixa de madeira ladeada por um fiscal da situação e outro da oposição, e saí. Só acho estranho que os fiscais da oposição, tão atuantes, tivessem deixado passar um eleitor do Eurico inadimplente, já que, no local a votação, eles eram tão numerosos e tinham tanto poder de veto quanto os da situação. Mas quem elogia a matéria do Lance não quer saber disso, como também não quer saber da absurda liminar da oposição, que chegou a transferir a eleição para o calabouço, pequena e bucólica sede do Vasco ao lado do MAM, alegando falta de segurança em São Januário.. Mas deixa pra lá. A imprensa perdeu a segunda eleição este ano e isso aqui é só o depoimento de um vascaíno fã de Roberto, lógico, mas que preferiu votar no Eurico, como a maioria dos sócios.”

O depoimento é educado e sugere uma questão: se o sócio pôde votar e seu nome também não estava na lista – para que serviam as listas então?

E, caro Oscar, a imprensa não perdeu nem ganhou eleição nenhuma. A função da imprensa é mostrar a verdade. E é isso que os repórteres tentaram fazer em São Januário. E por isso, e só por isso, é que permanece a dúvida: quem foi realmente eleito pela maioria dos sócios?

Escrito em 16/11/2006
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Eleição no Vasco: modo de usar


Recomendo a reportagem de Guilherme de Paula hoje no “Lance!”. Ela ajuda a explicar como Eurico Miranda conseguiu se reeleger no Vasco. Uma breve prévia: o repórter do jornal, que não pagava mensalidade há dez anos, entrou no clube com sua velha carteirinha, botou um adesivo da situação no peito e chegou até a mesa de votação. Lá, constatou que seu nome não constava na lista de votantes e disse baixinho “Poxa, jurava que meu nome estava na lista... queria dar uma força para o Eurico". Foi impedido de votar? Muito pelo contrário. Foi autorizadíssimo.

A curiosa “urna dos não-cadastrados” é um testemunho concreto de que algo estranho aconteceu. Se em todas outras houve equilíbrio, por que justamente naquela – com eleitores que não estavam na lista fornecida à oposição - Eurico ganhou por 654 a 172 votos? Mas a reportagem de Guilherme de Paula dá um passo além – ela demonstra que até gente que não estava em lista nenhuma pôde votar. Ela, sozinha, mostra como e porquê a situação venceu.

Clique aqui para ler a reportagem.

Escrito em 14/11/2006
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Em aberto


O São Paulo já pôs a faixa no peito. Precisa de uma vitória. Ela pode vir contra os reservas do Atlético-PR. Ou contra o Moleza Azul E.C., também conhecido como Cruzeiro, o time-desfibrilador, que ressuscitou Santa Cruz e Fluminense. Se por uma zebra do tamanho de dez morumbis... o tricolor não ganhar uma dessas partidas... ainda haverá a chance de bater o Paraná na última rodada. O time de Muricy pode ser campeão até com três empates. Agora, e até o mais vermelho dos colorados sabe, o São Paulo só perde o tetra num cataclisma.

Mas, a três rodadas do fim, as outras brigas do Campeonato estão abertas. Santos e Grêmio se engalfinham pela vaga na Libertadores sem “pré”. Vasco e Paraná são favoritos para segurar a vaga restante – mas Figueirense, Botafogo e até o Cruzeiro ainda tem alguma chance. Na zona de rebaixamento, o Fluminense pôs a cabeça fora d’água. O Palmeiras pôs meio corpo. Mas ambos ainda correm risco ao lado de Juventude, Ponte Preta e do subitamente vivo São Caetano.

Na briga pela Libertadores sem eliminatórias, o Grêmio tem dois pontos e uma vitória a mais. Mas o saldo de gols do Santos é melhor. Ou seja, o Peixe pode ultrapassar o rival se ganhar uma... e o Grêmio empatar. Mas os jogos do tricolor gaúcho são mais fáceis (Santa Cruz e Flamengo em casa, Fortaleza fora). O Santos pega o Cruzeiro e o Vasco fora... e o Santa Cruz no Arruda.

Vasco e Paraná, por sua vez, só pegam pedreiras. Por isso, os outros ainda conservam uma pequena chance. O Vasco enfrenta o São Caetano (fora), o Santos (em casa) e o Figueirense (fora). O Paraná tem dois jogos em casa – Inter e São Paulo. E também enfrenta o São Caetano no Anacleto Campanela. A tabela dos dois é um alento para o Figueirense (que pega o Flamengo no Maracanã, o Atlético-PR na Arena da Baixada e o Vasco em casa) e Botafogo (dois jogos em casa – Goiás e Corinthians – e um fora, Cruzeiro). Imagine o torcedor do Cruzeiro... se o time tivesse ganho de Santa Cruz e Fluminense... estaria com 55 pontos e na cara do gol – o time pega Santos e Botafogo em casa... (e o São Paulo fora).

Na briga pelo cadafalso, a tabela mais agradável é a do Fluminense. O São Caetano respira... mas tem vida dura pela frente. Pega Vasco e Paraná, que brigam pela Libertadores, em casa. E, na última rodada, joga contra o Flamengo no Maracanã. A Ponte pega o Fortaleza e Goiás (fora)... e o Atlético-PR em casa. O Fluminense sai duas vezes – mas contra times que não aspiram quase nada: Corinthians e Santa Cruz. Depois disso fecha seu martírio contra o Palmeiras em casa. Aliás, Palmeiras e Juventude jogam na próxima rodada... e um empate deve salvar o pescoço de ambos.

A jumência da rodada
O carrinho de Carlinhos Bala... tirando o gol de Diego e salvando a pele do Fluminense. Bala, impedido, tinha acabado de entrar.

O penoso da rodada
Flávio (PAR) está até agora com as penas da bola chutada por Rodrigo Tabata nas mãos.

A frase da rodada
"Fui levantar as mãos para marcar o cara, a bola bateu..." - Fernando, zagueiro do Flamengo.

O golaço da rodada
Marcelinho (SCA) recebe o lançamento de Élton, dribla dois zagueiros e sela, com um chute no ângulo, o destino do Santa Cruz no deserto do Arruda

O erro de arbitragem da rodada
O bandeirinha José Carlos de Souza não viu Enílton impedido, bastante impedido, no segundo gol do Palmeiras. O atacante estava impedido no cruzamento de Paulo Baier... e no toque errado de Edmundo. Não era um lance fácil – foi uma jogada rápida – mas acabou decidindo a partida a favor do Palmeiras.

O comentário ofensivo da rodada
“Meu Deus, isto é bem coisa de carioca!!! Um blog de palpites de jogos com o nome "Bola de Cristal", só podia ser coisa da Globo mesmo....rídiculo!!! Ainda escrito por um daqueles jornalistas que acham que entendem de futebol sem ao menos saber chutar uma bola. Acham quem sabem o que se passa dentro de campo, sem ao menos terem jogado uma partida de um torneio colegial que seja. Álias, inventar coisas rídiculas é a especialidade da Globo! A promoção que fizeram do Obina comparando-o com Eto, colocando notícias diárias e enquetes pífias (ex: "Qual deve ser o apelido ou nome (sei lá) da filha do Obina?", somente para gerar grana ao Flamengo na hora de uma venda. Digam-me, caros jornalistas globais: quanto a Globo levará numa futura negociação do Obina para o Barcelona??? (para desbancar o Eto e ser titular). Deixo aqui o meu repúdio ao eixo Rio-São Paulo!!! - Eduardo Paiva

Comentário sobre o comentário:
Caro Eduardo, seu repúdio ao famigerado eixo está anotado. Chamar a bola de cristal de ridícula - é opinião, cada um tem a sua. Achar que dizer “isso é coisa de carioca” vai agredir alguém... direito seu. Agora, o que realmente ofende – e gravemente – é dizer que nunca chutei uma bola. De onde você tirou isso? O pessoal das peladas que jogo aqui no Rio há de me defender. Também acho que tem muita gente que fala de futebol sem nunca ter entrado em campo. Como tem gente que fala sobre jornalismo se achando genial... e no fundo é de uma ignorância zebrada. Peguemos o exemplo de sua teoria conspiratória – você não acha, do alto de sua aparentemente vasta sabedoria – que a Globo tem mais o que fazer além de exaltar jogador? Sua ilação de que a Globo poderia ganhar dinheiro com a venda do Obina (do Obina!!!!) ganhou o prêmio OVNI na Área 51 da semana - um ticket-internação na instituição psiquiátrica mais próxima.


O que pouca gente viu (ou disse):

1 - O gol do Palmeiras começa num passe errado de Diguinho... a bola sobra para Valdívia, que lança Juninho. Juninho cruza, Max se afoba e a bola sobra para Edmundo.

2 - Uma falha individual às vezes é fatal: x xx estava marcando Fabão no lance do segundo gol do São Paulo. Ou não estava?

3 – No gol do Botafogo, William é quem sai da barreira no chute de Juninho que vence Diego Cavalieri. Foi provavelmente a melhor jogada do atacante no Botafogo – sair da frente da bola.

4 – Foi constrangedora a marcha trôpega e vagarosa de Fábio Santos (CRU) no meio-campo no contra-ataque que deu origem ao gol do Fluminense. Enquanto ele observava, André Moritz dava um bom lançamento para Evando. A se comentar também a leniência de André Luiz, que deixou a avenida aberta para o atacante tricolor.



Cinco tiros indiretos


1 – Foi impressionante a disposição do São Paulo no Serra Dourada. O tricolor almoçou um Goiás raçudo, que não se entregou. No segundo tempo, as chances se multiplicaram... e o time de Muricy não aumentou. Elogios também para o goleiro Bosco que fez uma grande defesa no primeiro tempo num chute de Wheliton.

2 – A contusão de Alex talvez seja a pior notícia possível para o Inter antes do Mundial. Alex não é craque mas é um facilitador – faz o desarme necessário, dá o passe certeiro...

3 – O Fluminense correu dez vezes mais do que o Cruzeiro e mereceu a vitória. Mas o time é muito inconsistente ainda... e está com os nervos em frangalhos. Deve, porém, agradecer a uma família peculiar Oliveira sua sobrevivência no Campeonato. Suas duas últimas vitórias vieram contra os irmãos Oswaldo e Waldemar.

4 – Bastou um pouco de papo e Jair Picerni pôs o Palmeiras para correr – e correr para longe do rebaixamento. No Palestra Itália, bastou isso para vencer o Botafogo que, sem Reinaldo, não tem ataque. A tática de Picerni é a de sempre – marcar muito e furar a bola em caso de vantagem. O torcedor do Botafogo, por sua vez, devia se colocar no lugar de Cuca – que é obrigado a escolher entre Wando, Felipe Adão e William no ataque. Isso porque Marcelinho está machucado. Se estivesse bem, seriam quatro opções horríveis em vez de três.

5 – O São Caetano não é tão ruim como sua posição na tabela... já dizíamos isso aqui. O time tem Anderson Lima, Triguinho, Élton, Leandro Lima e Marcelinho. Tem zagueiros experientes como Thiago e Gustavo. Com a estabilidade trazida por Dorival Júnior, o Azulão pode operar o milagre. Precisa de três vitórias. Tem dois jogos em casa. É difícil. Mas não é impossível.



Seleção da rodada (3-6-1)

Diego Cavalieri (PAL) – Três ótimas defesas
Índio (INT) – Não deixa fazer e ainda faz.
Fabiano Eller (INT) - O comandante da zaga invicta.
Fabão (SPO)Que cabeçada!
Kleber (SAN) - Que canetas
Mineiro (SPO) - Que gol.
Tcheco (GRE) - Eficiente.
Alex (INT) - Duas assistências e um gol.
Pedrinho (FLU) - Correu tudo e mais um pouco.
Valdívia (PAL) - O melhor em campo no Palestra Itália.
Aloísio (SPO) - Um leão.
Técnico - Muricy Ramalho – Campeão com justiça.


Selebaba da rodada (3-5-2)

Flavio (PAR)Piu, piu, piu, piu, piu...
Marinho (COR) - Dois amarelos e um vermelho em oito minutos.
Gladstone (CRU) - Vai pra seleção de onde mesmo?
Fernando (FLA) - Jogador de vôlei?
Ivan (FOR) - O mapa da mina.
Júnior César (BOT) - Duas bolas nas costas, dois gols.
Élson (CRU) - Capitão do Moleza F.C. nesta rodada.
Fábio Santos (CRU) - Muito devagar.
Lúcio (FOR) - Muita farofa, pouco angu.
Nenê (SCR) - Freguês deste espaço.
Kerlon(CRU) - Parece junior.
Técnico - Oswaldo de Oliveira – agora com o poder de ressuscitar os desenganados.
Escrito em 13/11/2006
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