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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
Bola de cristal, RODADA 35


O distinto leitor Leonardo César me mandou o comentário abaixo a respeito da última bola de cristal (na qual se previa a vitória do São Paulo sobre o Botafogo no Morumbi):
“Ó Mãe Diná, você entende tanto de futebol que é treinador, dirigente ou jogador? Você é um reporter insignificante, ninguém te conhece, para aparecer inventaram essa palhaçada de bola de cristal, eu não vou nem te falar onde colocar ela. Para você fazer um mínimo de trabalho limpo, seja mais imparcial. Só porque o São Paulo é lider ele vai sair derrotando todo mundo. O Botafogo vem demonstrando que está com um time bem estável, e você vem falando que o Aloísio vai fazer um gol trombando, ele vai fazer sim, um gol trombando a senhora sua mãe. Seu fraco.”

Caro Leonardo, e agora? O fraco insignificante aqui acertou a previsão... e sem grande mérito. O líder do campeonato ganhou jogando em casa – era uma escolha lógica. Mas torcedor mistura mesmo paixão com razão – e se sente no direito de xingar o humilde colunista só porque ele deu um palpite contrário a seu time. Mas Leonardo foi mais longe: fez recomendações pouco gentis e incluiu a nobre genitora do colunista numa trombada com Aloísio... ah, Leonardo, não deseje isso para mãe nenhuma. Seja vil com moderação. E, em vez de engolir cada palavra do seu e-mail, faça o seguinte: ajoelhe no milho e diga devagar: “Caro colunista, me desculpe. Fui mal-educado e errei ao te xingar”. Para mim, basta.

No fundo, a falta de educação e a agressividade são até engraçadas. O distinto Leonardo é apenas um – e publiquei sua ofensa aqui porque ela teve alguma inteligência (não muita), gerou algumas risadas e foi uma das poucas a não usar palavrões. É por essas e outras que o Milton Leite foi obrigado a moderar os comentários em seu blog (Milton, aliás, que foi o primeiro a dizer que o São Paulo seria campeão há uma dezena de rodadas atrás). Outro leitor, anônimo, escreveu o seguinte:

"Sua previsao é extremamente maldosa, bisonha, bizarra, intragável e sobretudo de nos causar Lípotínea, lhe xingo de novo dizendo: há coisas que so acontecem ao Botafogo”

Confesso humilde que a palavra lipotínea não me parecia existir. Ao menos não constava de meu escasso vocabulário. Então... fui atrás dela. E encontrei uma parente próxima no dicionário: lipotimia – sensação de desmaio, perda de consciência breve, transitória, causada por falta de irrigação do cérebro. Incrível. A bola de cristal, além de maldosa, bizarra, bisonha e intragável... provoca desmaios no leitor.

Em outras palavras, a coluna é uma espécie de clorofórmio virtual. Ao ler um pedacinho deste blog, o leitor cai sobre o mouse, baba sobre o teclado! Inacreditável. Não imaginava ter esse poder. Provocar o desmaio alheio é um talento raro. A internet é mesmo uma coisa fantástica. Então... vamos fazer gente desmaiar esta semana. Ei-la, remendada como sempre, a bola de cristal da rodada:


Santos x Paraná
Vila Belmiro, 11/11, 18h10m

A boa defesa do Santos encontra o perigoso ataque do Paraná... e prevalece. Reinaldo encontra o caminho das pedras... e o Santos praticamente assegura sua vaga na Libertadores.
O palpite: Santos 2 x 0 Paraná.

Vasco x Juventude
São Januário, 11/11, 18h10m

O embalado Vasco contra o modesto e inconsistente Juventude. Embora o time de Ivo Wortmann tenha um contra-ataque razoável, puxado por Alexandre, a empolgação cruz-maltina com estádio lotado deve jantar o time gaúcho.
O palpite: Vasco 3 x 0 Juventude.

Internacional x Fortaleza
Beira-Rio, 11/11, 18h10m

Pode o vegetativo Fortalezo, completamente desfalcado, roubar algum ponto do Inter em pleno Beira-Rio? Só se o empate contra o Santos, no meio de semana, tiver roubado todo o vento das asas coloradas. O Fortaleza não terá meio time. O Inter jura que ainda acredita no título. A bola de cristal continua, ora pois, caseira.
O palpite: Inter 4 x 0 Fortaleza.

Fluminense x Cruzeiro
Maracanã, 12/11, 16h

O inacreditavelmente inepto tricolor joga uma de suas últimas cartadas. Com a pior campanha do segundo turno, sem vencer há 12 rodadas, o Fluminense não terá Tuta nem Marcão nem a fé de sua torcida. Jogará contra o preguiçoso Cruzeiro de Oswaldo de Oliveira. O problema tricolor é que a goleada sofrida diante do lanterna Santa Cruz deve injetar algum sangue nas veias azuis. Além disso, o time do Cruzeiro é bem melhor que São Caetano e Ponte Preta, times que empataram com o Fluminense jogando a maior parte do jogo com um jogador a menos. A bola de cristal vê Wagner aproveitando o desespero do Flu no Maracanã.
O palpite: Fluminense 0 x 2 Cruzeiro.

Figueirense x Corinthians
Orlando Scarpelli, 12/11, 16h

O Figueirense perdeu o jogo e três jogadores em São Caetano. O Corinthians surpreendeu o Furacão na Arena da Baixada. É um jogo que vale vaga na Sul-Americana, embora o Figueira ainda sonhe com a Libertadores. A aposta aqui é que Soares cria problemas para a zaga do Timão. Mas o Timão compensa na raça.
O palpite: Figueirense 1 x 1 Corinthians.

Ponte Preta x Flamengo
Moisés Lucarelli, 12/11, 16h

E a bola de cristal teve que engolir suas visões rubro-negras... ela, que tinha visto um Fla-zumbi no campeonato... não tem sido assim, o Goiás que o diga. A Ponte Preta tem um time limitadíssimo. Ainda assim conquistou dois empates heróicos fora de casa (contra o líder São Paulo... e contra o Fluminense com um a menos no Maracanã). O problema é que, entre esses dois jogos, a Macaca conseguiu perder em casa para o São Caetano. E o Flamengo, relaxado ou motivado, é bem melhor que o Azulão. O grande problema rubro-negro é que seus laterais titulares estão suspensos (Léo Moura e Juan). Ainda assim, o Flamengo é melhor.
O palpite: Ponte Preta 1 x 2 Flamengo.

Goiás x São Paulo
Serra Dourada, 12/11, 16h

O quase-campeão São Paulo enfrenta o Goiás desprovido de Souza, seu atacante mais perigoso. Mais, um Goiás que perdeu uma partida que não esperava perder para o Flamengo. É um jogo dificílimo porque Geninho é ótimo treinador. E a grande virtude do Goiás são os bons laterais, Vítor e Jadílson. Tudo bem que o São Paulo tem Ilsinho e Júnior. Mas, no Serra Dourada, o título deve ser adiado.
O palpite: Goiás 1 x 1 São Paulo.

Atlético-PR x Grêmio
Arena da Baixada, 12/11, 18h10m

O Furacão levou uma inesperada rasteira do Corinthians na Arena... e vai querer recuperar a moral em cima do tricolor gaúcho. O Grêmio praticamente assegurou sua presença na Libertadores com a vitória – mas luta para ganhar a vaga premiada... que dispensa a fase eliminatória. O Furacão é bom no ataque mas deixa brechas defensivas. O Grêmio é consistente... mas a bola de cristal está tingida... de vermelho e preto.
O palpite: Atlético-PR 2 x 1 Grêmio

Santa Cruz x São Caetano
Estádio do Arruda, 12/11, 18h10m

O Santinha aplicou uma goleada no Cruzeiro que nem Nostradamus, o homem, o mito, teria previsto. Essa humilde bola de cristal usada, então, ficou na saudade. Será que na reta final o tricolor pernambucano resolveu massacrar todo time azul que aparecer no Arruda? As artes proféticas aqui... dizem que não. O Azulão caminha erguido em busca do milagre e tem algum talento em Élton e Leandro Lima. O Santinha, apesar do garoto Jairo, ainda é um time muito fraco.
O palpite: Santa Cruz 1 x 3 São Caetano.

Palmeiras x Botafogo
Palestra Itália, 12/11, 18h10m

A bola de cristal ainda não recebeu um mísero pedido de desculpas dos inúmeros alucinados botafoguenses que xingaram doze gerações da família do colunista por causa do palpite na partida contra o São Paulo. Também não recebeu um só afago palmeirense pelo palpite na partida contra o Fortaleza... o time de Jair Picerni já tirou um peso das costas. O rebaixamento virou miragem. O Botafogo jogou muito bem contra o São Paulo e perdeu nos detalhes. Em 2003, com Jair Picerni, o Verdão ganhou do Botafogo quando precisou. Edmundo costuma jogar bem contra o time em que começou nos juniores. Mas... o bem armado time de Cuca vem jogando bem.
O palpite: Palmeiras 1 x 2 Botafogo.
Escrito em 10/11/2006
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Muricy


Eram 40 minutos do segundo tempo. O jogo estava 2 a 0 para o São Paulo. O Botafogo continuava correndo sem ameaçar. E ali estava ele, com seu perfil de duende recém-escapado de “O senhor dos anéis”, gesticulando. Baixinho, elétrico, irritado, falante. Um mero lateral para o Botafogo e Muricy gemia. Um erro de marcação e Muricy se esgoelava. Um passe errado virava palavrão. O jogo estava ganho. Mas Muricy não tem botão "Desliga". Acompanhá-lo na beirada do campo é entender o provável campeão brasileiro de 2006: um time bem armado, concentrado e eficiente. Um time sobretudo intenso.

A vitória no Morumbi foi justa, maiúscula e decisiva. Agora faltam seis pontos para carimbar o título. E o São Paulo joga em casa contra Cruzeiro e Atlético-PR, depois de enfrentar o Goiás no domingo. Pode perder? Pode. Mas levando em conta a precisão tricolor... é mais fácil acreditar em saci-pererê. E olha que o placar o Morumbi foi pra lá de exagerado. O São Paulo quase não perdeu gols. O Botafogo, muito bem armado taticamente, esbarrou no azar e nas falhas individuais.

O gol tricolor aos 46 minutos do primeiro tempo fez diferença. Ainda assim, o Botafogo voltou jogando bem até que Cuca cometeu seu único erro: tirar Juca para lançar o inoperante Wando com suas 19 pernas. No momento em que Wando entrou, o Botafogo perdeu o meio-campo e parou de incomodar a defesa são-paulina. No São Paulo, destaque para a precisão de Leandro... e para alguma sorte. No segundo gol, a furada de Mineiro se transformou na assistência perfeita para Souza.

O Botafogo teve boas atuações individuais (Scheidt e Diguinho) e, tivesse feito um gol na frente, poderia ter complicado a vida são-paulina. Em não fazendo, o São Paulo cobrou a conta. A se lamentar alguma leniência do árbitro Evandro Rogério Roman, que deixou de dar cartões amarelos óbvios para Mineiro, Fabão e Asprilla (que depois acabou recebendo o seu). O São Paulo já pode conquistar o título no domingo. Não deve acontecer. Mas... quando Rogério Ceni levantar a taça anunciada, Muricy poderá enfim esquecer o pênalti em Tinga que Márcio Rezende de Freitas transformou em cartão vermelho.


A jumência da rodada
Fábio Brás (VAS) – Numa partida em que jogou bem e até fez gol, Fábio Brás consegue receber o troféu orelha grande da semana. No primeiro tempo, depois de um escanteio, a zaga do Paraná afastou a bola na direção da lateral. Fábio Brás deu um pique atrás da redonda, conseguindo alcançá-la sobre a linha e tocar nela antes que ela saísse, dando o lateral de graça para o tricolor paranaense. Não satisfeito ainda derrapou e caiu de quatro fora de campo.

O golaço da rodada
Martin (SCA)
- A se observar que o goleiro Andrey nem estava tão adiantado quando o colombiano chutou do meio-campo. Um golaço.

golaço da rodada 2.0
Jairo (SCR)
- Um drible sensacional e uma finalização que realmente lembrou um pouco a de Nelinho contra a Itália em 1978. O garoto Jairo... apareceu tardiamente para o Santinha. Mas... olha... parece que joga.

O passe da rodada
Enílton (PAL)
- Ele recebeu de Edmundo e, de primeira, com um toque primoroso de calcanhar, “deu” o primeiro gol para Paulo Baier.



Cinco tiros indiretos


1 – “Parece que o time está dormindo”, dizia Paulo César Gusmão durante o jogo. Depois do jogo... ele explicou: “A ansiedade provoca uma série de reações, vocês estão levando muito ao pé da letra”. O Fluminense, que não vence há 11 partidas no Brasileiro, conseguiu não ganhar da Ponte Preta com um homem a mais desde os 30 minutos do primeiro tempo. Assim como não tinha ganho do São Caetano também com um a mais. Talvez seja sono.

2 – O Corinthians jogou com muita raça e estraçalhou a bola de cristal deste humilde blog. Se aproveitou também da grande deficiência do Atlético-PR: a defesa.

3 – A briga pela Libertadores parece agora ter duas vagas para três times: Santos, Vasco e Paraná. Mas como o Santos ainda enfrenta os dois adversários... é possível que alguém do “Clube dos 49 pontos” ainda tenha chance. O Grêmio navega tranqüilo, até pelos jogos que faltam.

4 – O empate entre Ponte e Flu no Maracanã ressuscitou de vez o São Caetano (mas não o Quero-Quero abatido por uma bolada no Anacleto Campanela). Vindo de duas vitórias consecutivas, o Azulão que enfrenta o já rebaixado Santa Cruz no Arruda... pode muito bem não cair. A grande sorte do Fluminense é enfrentar o Cruzeiro, que conseguiu ser goleado pelo Santinha, em casa. Poucos times tem menos raça que o Cruzeiro de Oswaldo de Oliveira. E o Fluminense... terá que torcer para o Flamengo contra a Ponte Preta.

5 – O Palmeiras venceu fácil o Fortaleza e respirou. O Verdão agora só cai em caso de tragédia. Poucas vezes se viu uma defesa tão inepta como a do tricolor de aço.


Seleção da rodada (4-4-2)
Mauro (SCA) - Três defesas sensacionais.
Osmar (SCR) - Raçudo e ofensivo.
Luiz Alberto (SAN) - O Inter teve poucas chances.
Régis (PON) - Heróico.
Júnior (SPO) - Presença inspiradora.
Andrade (VAS) - Que curva...
Alessandro (GRE) - O melhor em campo em Caxias do Sul.
Júnior Maranhão (SCR) - Dois gols do meio da rua.
Valdívia (PAL) - Habilidoso e criativo.
Martin (SCA) - Que gol.
Leandro (SPO) - O motorzinho que nunca pára.
Técnico - Jair Picerni (PAL) – A vitória necessária.


Selebaba da rodada (3-5-2)
Fábio (CRU) - Piu, piu, piu, piu, piu...
Vinícius (FIG) - Que sarrafo...
Emerson (FOR) - O expulso líbero do queijo suíço.
Danilo (ATL-PR) - Dá muito espaço.
Joílson (BOT) - Derrapou, caiu, entregou.
Élson (CRU)Improdutivo.
Mazinho Lima (FOR) – Se jogasse o que pensa que joga...
Gabriel (CRU) – Mal demais.
Arouca (FLU) – Joga mais do que tem jogado.
Finazzi (FOR) - Um poste.
Wando (BOT) - Muito ruim.
Técnico: Oswaldo de Oliveira (CRU) - Perder para o Santa Cruz...

A frase da rodada
"Passou pela cabeça de alguns que perder o título é o fim. Não é o fim. Perguntei para eles antes do jogo quantos jogadores já tinham jogado Libertadores. Só tinham dois. E um técnico que nunca disputou e quer muito disputar” – Mano Menezes, resumindo a reação gremista.

A frase da rodada 2.0
“Saio envergonhado. Daqui até o ônibus vou de cabeça baixa. - Martinez, jogador do Cruzeiro.

A frase da rodada 3.0
"O treinador que cumpre contrato... ele acaba sendo valorizado. Tem muito técnico que receb e uma proposta... um pouquinho a mais... e sai... depois recebe um pouquinho a mais... e sai de novo. Essa linha... não está dando certo. Esse negócio de querer o lugar dos outros não está dando certo. O cara tem que ser correto. Por isso eu ando de cabeça erguida. Para alguém se aproximar para dar palpite... é ruim, meu. Comigo não tem negócio. Temos que fazer um congresso, não sei... porque nossa classe precisa de ética." - Muricy Ramalho, pondo pingos em todos os iis possíveis.
Escrito em 09/11/2006
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Bola de cristal, Rodada 34



Apesar das inúmeras sugestões menos gentis, este colunista só aposentará sua esfacelada bola de cristal no fim do campeonato. Ela é teimosa, insistente e persistente. Mas, depois do aproveitamento ridículo da última rodada (30%)... baixou um certo bode na esfera. Por isso, ela chega numa versão light, direta, seca e reta, sem muitas elaborações. Lembrando sempre ao distinto leitor que paixão e opinião não se misturam. E que a vida de Nostradamus amador não é fácil.


Juventude x Grêmio
Alfredo Jaconi, 8/11, 19h30m

O Grêmio tenta reencontrar seu rumo perdido no alçapão do Jaconi. Mas esbarra na disposição do time de Ivo Wortmann.
O palpite: Juventude 1 x 1 Grêmio.

São Caetano x Figueirense
Anacleto Campanela, 8/11, 19h30m

Depois de 14 partidas sem vitória, o São Caetano engata a segunda marcha... e vence a segunda seguida... com grande atuação de Élton, Leandro Lima e Marín.
O palpite: São Caetano 2 x 1 Figueirense.

Vasco x Paraná
São Januário, 8/11, 19h30m

Com Moraes de volta, o Vasco consegue um gol cedo e alcança o Paraná na briga pela Libertadores.
O palpite: Vasco 2 x 0 Paraná.

Palmeiras x Fortaleza
Parque Antártica, 8/11, 20h30m

A fraquíssima defesa do Fortaleza sente o peso da torcida palmeirense no Parque Antártica. É noite de alívio verde.
O palpite: Palmeiras 3 x 1 Fortaleza.

Goiás x Flamengo
Serra Dourada, 8/11, 21h45min

Jogando sem responsabilidade, o Flamengo complica a vida do Goiás, que abre o placar com Vítor. O time de Ney Franco vira com um gol de Renato de falta e outro de Obina. Mas os Geninhos empatam no fim com Souza.
O palpite: Goiás 2 x 2 Flamengo

Atlético-PR x Corinthians
Arena da Baixada, 8/11, 21h45m

O jogo com menor índice de pretensões desta rodada. Vale talvez uma vaga na Sul-Americana. Refeito da viagem de ônibus até o Rio, o Furacão passa fácil pelo já relaxado Timão.
O palpite: Atlético-PR 3 x 1 Corinthians.

Internacional x Santos
Beira-Rio, 8/11, 21h45m

O grande jogo da quarta-feira. As duas melhores defesas do Campeonato num jogo de xadrez. Reinaldo acaba com a invencibilidade da zaga colorada. Mas Iarley e Alex mantém vivo o sonho vermelho.
O palpite: Internacional 2 x 1 Santos

Fluminense x Ponte Preta
Maracanã, 9/11, 20h30m

Na outra decisão do rebaixamento, a Macaca tenta complicar. Mas Tuta faz as pazes com o gol e tira o Fluminense do sufoco.
O palpite: Fluminense 1 x 0 Ponte Preta.

Santa Cruz x Cruzeiro
Estádio do Arruda, 9/11, 20h30m

O Santinha corre pela dignidade perdida... contra um Cruzeiro sempre frio e leniente. Mesmo num Arrudão melancólico e deserto, o tricolor pernambucano consegue complicar o sonho azul da Libertadores com um golaço de Júnior Maranhão. Gabriel empata para o Cruzeiro.
O palpite: Santa Cruz 1 x 1 Cruzeiro

São Paulo x Botafogo
Morumbi, 9/11, 20h30m

O Botafogo oferece muita resistência com grande atuação de Zé Roberto e Clayton. Mas acaba vencido. Tem um pênalti sobre Leandro e um gol trombador de Aloísio.
O palpite: São Paulo 2 x 0 Botafogo
Escrito em 08/11/2006
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A revelação do Campeonato



Faltam cinco rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro. Hoje ouvindo o CBN Esporte Clube (bom programa, todo dia, às 20h na CBN) me surpreendi com um bate-papo em que tanto o Juca Kfouri quanto o Victor Birner concluíram que o goleiro do Palmeiras, Diego Cavalieri, era a revelação do Campeonato. Outro dia, Walter Casagrande Jr., comentarista da TV Globo, dissera a mesma coisa. Respeito a opinião do trio, até porque é um trio mais do que respeitável... mas me pergunto... e o Marcelo, lateral do Fluminense?

Ele pode não estar jogando nada atualmente – mas... não foi em 2006 que ele saiu do anonimato para o posto de titular da Seleção Brasileira? Não é ele que o Real Madrid está abrindo o cofre para comprar? A palavra revelação vale para os dois jogadores – mas se você fosse escolher um para o seu time hoje, você escolheria quem? Nem teria conversa, teria?

Frisemos aqui que revelação, para este blog ou coluna, é aquele jogador que apareceu ESTE ANO no Brasileirão da Série A. Pode ser jovem ou idoso – só não pode ter jogado freqüentemente no ano passado, como Edinho, do Internacional, um dos melhores volantes do Campeonato.

Diego Cavalieri fez um excelente campeonato e promete muito. Mas não é um fenômeno. E usando o critério de “se eu pudesse pegar para o meu time” há até outros jogadores que viriam antes dele, como Lucas (GRE) e Renato Augusto (FLA). E para aproveitar o tema ensaio aqui – a cinco rodadas do fim, uma seleção das revelações do Campeonato. Uma seleção que deixa muita gente boa de fora – como por exemplo dois belos laterais – Vítor (GOI) e Eltinho (PAR). Eis o time, escalado num 4-4-2:

1 - Diego Cavalieri (PAL)
2 - Ilsinho (SPO)
3 - Evaldo (GRE)
4 - William (GRE)
6 - Marcelo (FLU)
5 - Lucas (GRE)
8 - Cícero (FIG)
10 - Renato Augusto (FLA)
11 - Leandro Lima (SCA)
7 – Soares (FIG)
9 - Marcos Aurélio (ATL-PR)

A Seleção do Campeonato (e a Selebaba)... a gente faz daqui a cinco rodadas. Desde já os nobres leitores estão convidados a votar em ambas – seja por e-mail ou comentário. No fim do campeonato, publico a minha seleção... e a seleção do povo internauta.


Você sabia?
Que Soares, do Figueirense, nasceu em Manaus e se chama Hiziel? O nome completo do atacante é Hiziel Souza Soares e ele jogou apenas uma partida pelo Figueira em 2005 (contra o São Caetano).
Escrito em 07/11/2006
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O apito e a cruz


Somos cúmplices semanais de um massacre. Todos nós – comentaristas, torcedores, especialistas, jornalistas, cartolas, técnicos e jogadores. Todo domingo ou quarta-feira crucificamos, impalamos e esquartejamos juízes, auxiliares, bandeirinhas, quartos árbitros e afins. Criticamos por reflexo, sem piedade. Dizemos que este erro foi inadmissível. Que o juiz A corre pouco. Que o juiz B é arrogante. Que o bandeirinha fulano não enxerga, que o auxiliar sicrano se coloca mal. E usamos dezenas de ângulos, imagens frisadas e toda sorte de tira-teima para repetir como mantra que a arbitragem brasileira é ruim.

E essa é uma inverdade, uma inverdade profunda. A arbitragem brasileira é igual às outras – nem melhor nem pior. E sofre, como as outras, de um mal recente e curável: a desleal concorrência da televisão. O árbitro – tenha ele miopia ou visão telescópica – tem apenas um ângulo sem replay. Nós? Nós temos mais. Temos quase vinte ângulos com câmera lenta, computação gráfica, play, replay e play de novo. Hoje podemos dizer com quase absoluta certeza se o carrinho foi na bola, se a falta foi dentro da área, se fulano merecia ser expulso.

Ênfase no quase – porque o advento do replay não matou a polêmica. E é exatamente por isso que a FIFA pode espernear, agachar e adiar – mas vai acabar aceitando o uso do replay na arbitragem. Nenhum esporte pode escapar da tecnologia. O árbitro de hoje é vítima de uma covardia – ele não tem como concorrer com as inúmeras câmeras, com o zoom, com o computador. Ele sempre perde. E é sempre culpado. Até quando acerta.

Ontem na Vila Belmiro tivemos um exemplo cristalino. O bandeirinha Evandro Luiz Silveira assinalou o impedimento de Rodrigo Tiuí no que pode ter sido o lance capital do Campeonato. O tira-teima mostrou que Tiuí estava impedido por nove centímetros. Nove centímetros! Meia mão. Um naco de braço, uma fração de coxa.

Vamos exercitar aqui alguma perspectiva: acertar um impedimento desses é o nirvana do bandeirinha. Equivale a um gol de bicicleta no ângulo. O sujeito deveria comemorar dando soco no ar, fazendo "Tô doido", jogando a bandeira pro alto. Mais que isso, merecia ganhar uma placa da Associação Mundial de levantadores de bandeira. Isso depois de guardar os jornais do dia seguinte, gravar a data na memória e um dia contar para os netos: “Sabe, naquele cinco de novembro de 2006, o vovô acertou um impedimento de nove centímetros”. Mas não.

No máximo, Evandro Silveira recebeu um tapinha nas costas, acompanhado de um "foi bem naquela, hein rapaz". E deixou o estádio como chegou, identificado apenas por seu instrumento de trabalho. Foi para casa como todo auxiliar vai quando acerta - como apenas mais um anônimo bandeirinha, cuja aspiração máxima é um dia ser vaiado numa Copa do Mundo. Isso é assim porque não valorizamos o acerto de arbitragem – por mais difícil e improvável que ele seja. Para nós, ele é mera obrigação. Valorizamos, sim, o erro. O erro é sempre ilustre.

No dia em que teve o acerto de sua vida, Evandro ainda deixou a Vila Belmiro criticado. Sim, porque sua visão telescópica do lance de Tiuí se transformou em miopia no murro de Lenílson em André. E não desculpemos aqui seu erro – ele tinha a obrigação de avisar o árbitro Paulo César de Oliveira da agressão. Mas seu acerto de nove centímetros preservou a vitória do São Paulo – e de certa forma salvou o Campeonato de mais reclamação. O que vale mais?

Não existe juiz capaz de acertar tudo. Como o contraste entre o que vemos na TV e o que o juiz vê no campo só tende a aumentar, a arbitragem precisa de ajuda. Essa ajuda não vai acabar com a polêmica, pois muitas vezes o videoteipe não é conclusivo. Mas certamente vai ajudar na preservação das regras – e de seus guardiães. Nossa Senhora da Arbitragem, a Santa xingada mãe de todos os árbitros, há de agradecer a chegada deste dia.

Rodada 33 - Os premiados

O pênalti não marcado da rodada
Rodrigo Souto (FIG) pôs a perna para trás e derrubou grosseiramente Wellington (JUV) no primeiro tempo, quando a partida ainda estava 0 a 0. Jamir Garcez, o juiz, ignorou.
Como vice, a mão de Magrão no Pacaembu...

O passe da rodada
Lenílson (SPO) – Talvez ele tenha segurado Ávalos pela camisa. Mas o toque para trás deixou Mineiro na cara de Fábio Costa.

A defesa da rodada
Harley (GOI) – Finazzi cabeceou no contrapé do goleiro do Goiás. A bola já havia passado de Harley. Mas veloz e ágil... o goleiro conseguiu buscar e evitar o gol do Fortaleza.

A outra defesa da rodada
Marcos Leandro (PAR) – Logo no início do jogo, Enílton recebeu na frente e disparou um petardo que entraria... mas o goleiro parananese estendeu a mão num reflexo e fez uma defesa de almanaque.

A frase da rodada
“Demos sorte e fomos competentes” – Muricy Ramalho, realista.

A maldição da rodada
O Botafogo tinha acertado tudo com o lateral Neto quando o Fluminense entrou na jogada e levou o jogador. Ontem, aos 32 minutos, Neto foi expulso. No lance seguinte, o Botafogo fez seu primeiro gol.

O sarrafo da rodada
O murro de Lenílson (SPO) acertou um murro na cara de André (SAN). Merece gancho e gancho longo.

O gol perdido da rodada
Abedi cruza da direita... e Jean consegue furar a bola dentro da pequena área, tocando na distinta o suficiente para mandá-la pela linha de fundo pelo outro lado. Finalizar não é mesmo com Jean.

O que pouca gente viu (e pouca gente disse):

1 – No primeiro gol do Botafogo, no Maracanã, o zagueiro Henrique (FLU) escolheu marcar Lima... se adianta... e deixa Zé Roberto livre para dominar e emendar.

2 - O gol de Marcão, do Fluminense, nasceu de uma falta de Joílson (BOT) em Marcelo (FLU). Logo após o gol, na saída de bola, Joílson recebeu na direita, passou por Marcelo... e cruzou para Zé Roberto finalizar.

3 – Na melhor chance do Grêmio no Gre-Nal, Bruno Telles fez grande jogada, Herrera se posicionou certo e recebeu o passe açucarado. Mas a bola veio um pouco atrás, exatamente entre suas pernas... e o chute saiu mascado e torto. A bola sobrou para Fabiano Eller tocar para escanteio.


Cinco tiros indiretos

1 – O Atlético-PR pareceu esgotado no Maracanã. O Flamengo dominou amplamente e poderia ter ganho de mais. A desgastante viagem de ônibus de Curitiba até o Rio foi um péssimo negócio para o Furacão. Se o Flamengo jogar com seriedade... pode complicar qualquer jogo. Renato Augusto é muito bom jogador.

2 – O primeiro tempo de Botafogo x Fluminense foi deprimente. O segundo foi razoável. Impressiona a completa desorientação tricolor. O time não conseguiu se aproveitar dos inúmeros desfalques do Botafogo. Tudo bem que o tricolor anda jogando sem Petkovic e Cláudio Pitbull. Mas pelo que eles vinham jogando, será que fazem falta? O Fluminense não vence há 11 jogos no Campeonato Brasileiro.

3 – A Ponte Preta, por sua vez, resolveu ajudar Palmeiras e Fluminense, perdendo para o São Caetano, que não vencia há 14 partidas. Assim, na próxima quarta-feira, teremos uma decisão no Maracanã: Flu x Ponte Preta. Se a Ponte perder, pode arrumar as malas para a Série B. Se o Flu perder... sua situação ruim piora muito. Palmeiras x Fortaleza, aliás, é outra decisão.

4 – O São Paulo fez um excepcional primeiro tempo, dominando completamente o Santos, com destaque para as atuações de Ilsinho e Mineiro, autor do gol. No segundo tempo, o Santos se acertou, abriu o jogo e dominou. Mas o São Paulo se defendeu com extrema competência. E - como disse Muricy Ramalho - deu sorte nos dois lances decisivos – no chute de Reinaldo no travessão... e no impedimento bem assinalado pelo bandeirinha acima citado.

5 – Inter e Grêmio fizeram um jogo duríssimo e de poucas oportunidades. O Grêmio foi melhor no primeiro tempo e teve a melhor chance, na jogada de Bruno Telles acima citada. Iarley fez um gol difícil e perdeu o mais fácil – quando William desabou e a bola sobrou limpa para ele diante de Marcelo Grohe. O chute cruzado até foi bom, mas a defesa de Marcelo, dificílima, foi melhor. Impressionante é a marca colorada de seis vitórias em seis rodadas sem levar gol.



Seleção da rodada


Harley (GOI) – Três defesas espetaculares no Castelão vazio.
Ilsinho (SPO) – Que elástico foi aquele…
Fabão (SPO) – Intransponível.
Fabiano Eller (INT) – Comanda uma defesa invicta há seis jogos.
Júnior César (BOT) – Incansável.
Paulinho (FLA) – O ladrão de bolas essencial.
Mineiro (SPO) – O melhor volante do Brasil.
Sandro (PAR) – Quatro gols em dois jogos.
Zé Roberto(BOT) - Fundamental.
Iarley (INT) – Habilidoso, oportunista e decisivo.
Schwenck (FIG) – Aquele atacante limitado, chato e incansável.
Técnico: Abel Braga (INT) – Ganhar no Olímpico... não é mole.

Selebaba da rodada

Cássio (VAS) – Por mais que Marcos merecesse, o frango do Mineirão foi clássico e decisivo.
Dida (BOT) – Que coisa horrível.
Alan (FOR) – Fraco, fraco, fraco.
Preto (PON) – Nada como olhar o atacante no último minuto.
Marcelo (FLU) – O pior de um time muito ruim.
Pituca (PON) – Improdutivo e pernalta.
Marcelo Costa (PAL) – Burocracia ineficaz.
Lúcio (FOR) – Ciscou, ciscou e nada produziu.
Pedrinho (FLU) – Um zero na esquerda.
Lenny (FLU) – Vinte minutos de ruindade.
Tuto (PON) – Lento e fora do jogo.
Técnico: Vanderlei Paiva (PON) – Perder do São Caetano não dá...
Escrito em 06/11/2006
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