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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
O passe e a ararinha-azul


Ele é quase uma ararinha azul no futebol de hoje. Vez por outra, avistamos um e esse um informa que a espécie ainda não foi extinta. Ele, no caso, é o passe. Não o passe burocrata e funcionário público, pão-nosso-de-cada-dia de todo volante menos capaz. E sim o passe visionário e vertical, o biscoito fino do futebol, aquele lance capaz de unir as virtudes do sapo de Guimarães Rosa (que não pulava por boniteza, mas por precisão). No Brasil ele é cada vez mais raro porque vivemos a era do drible, a era da complexidade. Um tempo em que qualquer pereba siderúrgico se sente autorizado a pedalar. Um tempo em que o pior jogador da pelada ousa um elástico aqui, um três-dedos ali. Hoje, que moleque de esquina não passa o pé por cima da bola? Perdemos o pudor do drible e jogamos o passe para a lateral.

E, ao fazer isso, perdemos substância. Perdemos inteligência. O passe perfeito é de uma simplicidade geométrica. Existe pensamento na bola tocada num ângulo improvável que torce a coluna do beque e chega, servida, para o chute definitivo. É um lance que requer concepção, não apenas execução. É o elemento do jogador cerebral, , capaz de ler a jogada e todas suas variáveis. É a casa de Gérson, de Didi, de Platini, de Zico, de Sócrates e tantos outros.

É um passe que exige intuição, visão, noção de espaço. Lançar a bola no espaço vazio, calculando o ponto exato onde só seu companheiro poderá tocá-la não é fácil. Talvez contemos nos dedos de uma mão os brasileiros atuais que têm no repertório esse toque visionário. Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Felipe, Ricardinho, Alex... Jogando no Brasil... Zé Roberto e Kléber, do Santos, têm lampejos. Assim como Lúcio Flávio, do Botafogo... Ferreira do Atlético-PR, talvez Wágner do Cruzeiro.

Esta digressão que rouba seu tempo, caro leitor, é apenas isso, uma digressão. Que vem homenagear uma rodada em que o passe esteve em alta. Não que tenhamos visto assistências geniais. Vimos alguns passes simples e precisos – e não pedimos mais que isso. O passe de Jean para Abedi no primeiro gol do Vasco contra o Flamengo. O toque de Abedi para Leandro Amaral no segundo gol – sutil e eficaz. A oferenda de Reinaldo do Santos para o gol de Rodrigo Tabata contra o São Caetano... o que Tabata precisou fazer além de encostar na bola? A domiciliar entrega de Evanílson para William, no terceiro gol do Atlético-PR, um primor de cálculo e simplicidade.

Esta digressão é uma elegia ao passe. Não que vosso astuto servo aqui seja um nostálgico irrefreável, desses que ficam lamentando pelo fim de uma suposta idade dourada. Desconfio profundamente desse tempo onírico, onde não havia perna-de-pau, todos os jogadores eram craques e desfilavam em vez de jogar. Soa um ludopédio platônico, presente apenas na mente dos amantes do futebol a vapor, aquele dos anos 40, quando os goleiros corriam em vez de pular.

Há jogadores de hoje que sabem passar tão bem quanto os de ontem. O lamento aqui é pela queda da simplicidade. O verbo passar hoje foi driblado... pelo verbo driblar. Nada contra o drible, o Brasil finta e ginga por natureza. Mas permita-se aqui esta pequena elegia, esta breve homenagem aos jogadores que preferem o passe ao chute, ou mesmo ao drible. Pois se todos apreciamos o golaço sensacional (ver abaixo), há um prazer distinto, menor e sutil no passe perfeito. Um prazer de biscoito fino.


O golaço aço aço da rodada

Dênis Marques (ATL-PR) – Após o texto acima, é necessário respirar fundo por um instante para apreciar a obra-prima de Dênis Marques na Arena da Baixada. Foram três dribles diferentes e sensacionais antes do arremante certeiro. Entenda-se que o texto acima não é uma crítica ao drible, pois não há nada mais brasileiro do que driblar. E não há nada mais brasileiro do que esse gol de Dênis Marques ontem na Arena, o gol que assinou e fechou a sova atleticana no Paraná.

O outro golaço da rodada
Leandro Amaral (VAS)
– Um gol acima citado. A jogada começou com um lençol de Ramon em Paulinho, seguiu com o belo passe de Abedi... e a finalização categórica de Leandro Amaral. Muitos jogadores teriam perdido a chance, porque o goleiro Bruno fechou bem o ângulo. Mas Leandro é frio e sabe fazer gols. Seu toque preciso, cortando a bola, em diagonal, matou o goleiro e virou o jogo para o Vasco.

O gol mais feio da rodada
Rafael Marques (BOT)
- Júnior César errou o cruzamento, Wando furou e a bola sobrou para Rafael Marques chutar errado de joelho no ângulo e fazer o primeiro gol do Botafogo em Campinas. A limitação de Rafael Marques é tamanha que seu homônimo mexicano poderia entrar com uma ação qualquer para preservar sua reputação

O mico da rodada
A lamentável a presença de dois torcedores do Atlético-PR com bandeiras no campo antes do jogo. Sem camisas e tatuados, os amigáveis elementos ainda acharam por bem provocar os jogadores do Paraná. O Furacão tem que perder mandos de campo pela burrice.


Cinco tiros indiretos

1 – Os amantes do futebol a vapor adoram dizer que o nível técnico do Campeonato Brasileiro é ruim. Não é. É óbvio que as estrelas estão na Europa. Mas a matéria-prima que sai daqui continua a ser suficiente para fazer um belo campeonato. Em que campeonato europeu o amigo leitor vê gols como o de Dênis Marques ontem? Como o de William, no mesmo jogo, depois da jogada de Evanílson? Como o de Rodrigo Tabata depois da jogada de Reinaldo? Como os três primeiros gols de Vasco x Flamengo, sendo que o do Flamengo começou com uma tabelinha de cabeça? Isso sem falar em grandes jogos como São Paulo 1 x 1 Grêmio, Botafogo 4 x 3 Santos, Vasco 3 x 1 Flamengo... claro, temos aqui o Santa Cruz, o São Caetano... mas na Itália, temos o Piacenza... a Espanha tem o Getafe. E por aí vai.

2 – PC Gusmão não ganha há 14 rodadas e três times (Cruzeiro, São Caetano e Fluminense). O São Caetano não vence há 14 rodadas. Na quarta-feira teremos PC x SC no Anacleto Campanela. Será que dá empate?

3 – A Bola de Cristal teve uma rodada espetacular. Acertou nada menos do que sete palpites. Errou apenas Palmeiras x Corinthians, Botafogo x Ponte Preta (e quase acertou) e Goiás x Cruzeiro. É necessário dizer que não se exige da pobre bola mais do que acertar empate ou vencedor – e mesmo assim vez por outra ela crava o placar (como nos últimos dois jogos do Fluminense).

4 – Subitamente, o Vasco é mais que favorito para ganhar a última vaga na Libertadores. O Paraná pega seis jogos difíceis em sete. O time de Renato Gaúcho também enfrenta suas pedreiras... mas deve respirar em casa contra o Juventude e, fora de casa, contra o rebaixado São Caetano. O Botafogo corre por fora – mas sonha. Há três rodadas estava a dez pontos da Libertadores. Hoje... está a quatro. Só que pega São Paulo, Palmeiras e Cruzeiro fora. E o Inter... na quarta-feira no Maracanã. Um problema para o Vasco: pega agora, fora de casa, dois times que voltaram a sonhar: o Atlético-PR e o Cruzeiro.


5 – Algo me diz... não sei, de repente, que o São Paulo vai ser campeão. Deve ser a bola de cristal. Será uma visão? Será? Como joga este Ilsinho... e como está jogando o Souza.

Seleções

A partir desta semana, a escalação das seleções da rodada não serão tão lacônicas. Terão uma frase de lapidar explicação para cada selecionado. Comecemos pois com a ...

Seleção da rodada (4-3-3)

Rodrigo Calaça (GOI) – Mesmo na derrota foi o melhor em campo.
Evanílson (ATL-PR) – Participou de três dos quatro gols.
Luiz Alberto (SAN) – Xerife absoluto
William (GRE) – A zaga do Grêmio é outra com ele.
Kleber (SAN) – Vê o jogo como poucos.
Souza (SPO) – Pode ir longe longe como volante..
Clayton (BOT) – É a alma do meio-campo alvinegro.
Alex (INT) – Voltou decidindo.
Dênis Marques (ATL-PR) – Que gol foi esse...
Jean (VAS) – Um dos melhores jogadores do segundo turno.
Reinaldo (SAN) – Uma jogada primorosa.
Técnico: Vadão (ATL-PR) - O contra-ataque do Furacão é qualquer coisa.


Selebaba da rodada (4-4-2)

Fernando Henrique (FLU) – Redefinindo o conceito de goleiro mal-colocado.
Peter (PAR) – O mapa da mina tricolor
Alceu (PAL) – Marcelo Mattos subiu sozinho, sozinho, sozinho.
Fernando (FLA) – Teria sido abduzido e subitamente devolvido?
Juan (FLA) – Uma mãe na marcação.
Romeu (FLU) – Fiquei olhando, olhando, o cara veio e cabeceou e...
Pierre (PAR) – Missão: anular Ferreira. Não foi exatamente bem...
Almir (PON) – Penteado novo, futebol velho.
Zé Roberto (BOT) - Sua pior partida pelo Botafogo, errou tudo.
Nenê (SCR) – Como um cone consegue ser expulso?
Tuta (FLU) – Eu sei, a bola, essa moça, tem criado problemas...
Técnico: Marcelo Vilar – a atuação do Palmeiras foi muito péssima...
Escrito em 29/10/2006
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Rodada 31
(Segunda parte)



Depois de acertar quatro em cinco previsões na primeira metade da rodada (só errando o Corinthians x Palmeiras por conta da pane mental da zaga palmeirense), a bola de cristal ganhou confiança, cresceu e
bateu no peito. É com muita confiança nos três pontos que ela parte para os jogos de sábado. Apesar dos insistentes pedidos de torcedores do Botafogo para que o vidente aposte contra o alvinegro carioca (como fez nas últimas rodadas), este pseudo-profeta informa: ele só diz o que vê, só anuncia o que aparece em seu futurômetro de última geração. Vamos, pois, aos palpites:


Figueirense x São Paulo
Orlando Scarpelli, 28/10, 16h

O Figueirense ganhou suas duas últimas partidas em casa - e não convenceu em nenhuma delas. É um time que rende melhor esperando o adversário do que atacando. Contra o São Paulo, isso é bastante possível. O tricolor, que jogou bem contra o Grêmio, precisa da vitória para manter a gordura. O time de Muricy Ramalho tem a volta de Ilsinho, a excelente fase de Souza no meio-campo e a funcionalidade de seu ataque operário: Leandro e Aloísio são bons com a bola (embora não joguem bonito) e melhores ainda na marcação. A diferença de talento entre as equipes é gritante. Se vencer, o Figueira pode até voltar a pensar na Libertadores. Mas, apesar do gol do artilheiro das consoantes, Schwenck, dá São Paulo no Scarpelli.
O palpite: Figueira 1 x 2 São Paulo.


Ponte Preta x Botafogo
Moisés Lucarelli, 28/10, 16h
A bola de cristal acreditou na Ponte Preta contra o Inter... e se estrepou. Viu uma improvável derrota do Botafogo contra o São Caetano – e desandou. O jogo em Campinas é tenso – o Botafogo joga pelo distante sonho da Libertadores. A Ponte mudou seis jogadores em sua inglória briga contra o rebaixamento. No primeiro turno, o Botafogo virou e ganhou de 4 a 1, num jogo mais difícil do que o placar mostrou. O Botafogo terá de volta seu melhor jogador ( Zé Roberto) mas também seu pior (Rafael Marques). Na Ponte, Tuto não joga mas Luís Mário volta ao lado da promessa Vanderlei e de um velho conhecido alvinegro: Almir. A bola de cristal vê um jogo tenso, com Luís Mário abrindo o placar, Juninho empatando de falta... Rafael Marques marcando contra... e Reinaldo fechando po placar no fim.
O palpite: Ponte Preta 2 x 2 Botafogo


Atlético-PR x Paraná
Arena da Baixada, 28/10, 16h

O motivado Furacão silenciou este vidente ao derrotar o Fortaleza no Presidente Vargas no último domingo. E agora, embalado pela vitória na Sul-Americana, poderá até acalentar um sonho de Libertadores se derrubar o rival tricolor. Mesmo cansado, o time tem mais talento que o Paraná - que sofreu um baque ao perder para os reservas do Flamengo em casa. O trio ofensivo formado por Marcos Aurélio, Denis Marques e Ferreira tem dado trabalho, e ainda é suplementado por Pedro Oldoni e, agora, Dagoberto. Para lidar com o veloz ataque rubro-negro, Caio Júnior tirou o experiente Emerson do time, trouxe Gustavo e Edmílson de volta na zaga, e escalou Beto no meio-campo. O Paraná marca melhor que o Atlético - e tem uma defesa mais sólida. Mas o favoritismo do time da caveira arquibalda é justificado. Na Arena, o Atlético empolgado é difícil de bater.
O palpite: Atlético-PR 2 x 0 Paraná.


Goiás x Cruzeiro
Serra Dourada, 28/10, 18h10m

O Goiás penou para vencer o moribundo Santa Cruz, na última rodada. Mesmo jogando com o time completo, o time de Geninho conseguiu tomar três gols do raquítico ataque do Santinha. O Cruzeiro, por sua vez, dormiu profundamente enquanto o Corinthians jogava no Pacaembu. A letargia azul só não incomodou o super-emotivo e entusiasmado técnico Oswaldo de Oliveira, que não viu nada de menos na atuação da equipe. Oswaldo chegou a levantar uma sobrancelha ao dar entrevista, inclusive. O vencedor no Serra Dourada pode sonhar com Libertadores. A bola de cristal mostra um verde meio desbotado, numa partida meio morna, com dois gols do artilheiro Souza..
O palpite: Goiás 3 x 1 Cruzeiro.


Santos x São Caetano
Vila Belmiro, 28/10, 18h10m
A bola de cristal, enfim, desiste do Azulão. Depois de duas rodadas acreditando na recuperação azul, é hora de pular desse desenganado barco. O jogo não será fácil para o Santos, mas com Zé Roberto e Reinaldo... o Santos vence com relativa facilidade. O problema talvez seja a motivação. Com os dois pés na Libertadores... e muito longe do título, o Peixe pode relaxar. O São Caetano não merecia perder para o Botafogo no Maracanã... e tem um time melhor que sua posição na tabela. Ainda assim, a lógica indica vitória santista.
O palpite: Santos 2 x 1 São Caetano
Escrito em 27/10/2006
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Bola de cristal, Rodada 31
(primeira parte)



Palmeiras x Corinthians
Morumbi, 25/10, 22h
O jogo dos silêncios seria mais dramático se o Corinthians não tivesse derrotado o Cruzeiro (e a Ponte Preta não tivesse perdido para o Inter) na última rodada. Mas Verdão e Timão seguem nas imediações do cadafalso. E nada melhor do que puxar um rival para mais perto da forca. Sem Magrão, o Corinthians perde seu xerife. Sem Juninho Paulista, o Palmeiras perde sua válvula de escape. Amoroso, machucado, é a grande dúvida no Timão. A outra estrela de primeira grandeza do clássico será Edmundo... e sua síndrome pós-pênalti.

A retaguarda verde é melhor, a começar pelo goleiro Diego Cavalieri e Dininho. No Corinthians, nunca se sabe o que esperar de Marinho que sofre de severa junior-baianidade. Os laterais se equivalem. Paulo Baier é o lateral mais ofensivo do Brasil, mas marca mal. Depois da jumência na estréia contra o São Paulo, César vem jogando bem. O improvisado e veloz Rosinei tem talento, assim como o promissor Michael. No meio, vantagem corintiana no quesito criação, por contar com Roger e com os jovens Renato e Ramon. E vantagem palmeirense no quesito destruição. A ausência de Magrão tende a sobrecarregar Marcelo Mattos, enquanto o Palmeiras terá Marcinho Guerreiro e seus cães de guarda: Francis e Wendel.

No ataque, a volta de Enílton e o reforço em forma de desfalque de Neto Baiano aumentam sobremaneira o poderio do ataque de Marcelo Vilar. Em especial se Edmundo estiver num dia sim e superar a síndrome pós-pênalti. O Corinthians depende de Amoroso. Se ele não jogar, deve entrar Rafael Moura, raçudíssimo e limitadíssimo. A bola de cristal enxerga um jogo nervoso, disputado e com cartões vermelhos deixando o bolso de Sálvio Spinola. O Corinthians começa melhor, mas o Palmeiras reage e busca o empate.
O palpite: Palmeiras 2 x 2 Corinthians



Fluminense x Grêmio
Raulino de Oliveira, 26/10, 20h30m
O Fluminense refinou a arte de perder gols na cara do goleiro contra o Juventude. Foi um festival de pisadas na bola e chances perdidas. Mas enfrentar o Juventude com seis reservas é bem diferente de jogar contra o Grêmio de Lucas sem Hugo. O organizado tricolor gaúcho vende caro as derrotas, corre o tempo todo e costuma jogar bem fora de casa. O Fluminense depende profundamente do talento do lateral Marcelo, que tem jogado demais. O time do técnico PC Gusmão jogou bem nas duas últimas partidas no Sul... e conseguiu não vencer nenhuma das duas. O Grêmio enfrentou o São Paulo sem medo e quase venceu (apesar de levar duas bolas na trave).

O duelo do primeiro turno parece uma distante miragem. Naquele tempo, o Fluminense era aspirante ao título e o plano do Grêmio era... fugir do rebaixamento. Foi naquele jogo que os tricolores se encontraram na ladeira – um subindo, outro descendo. Jogando no Olímpico, o Fluminense conseguiu tomar dois gols nos acréscimos que transformaram um 4 x 2 num heróico 4 x 4 gremista. A bola de cristal enxerga uma grande atuação de Marcelo... mas vê o desespero do Flu sendo aproveitado pelo organizadíssimo Grêmio.
O palpite: Fluminense 1 x 2 Grêmio.


Internacional x Juventude
Beira-Rio, 26/10, 20h30m
É o jogo da zebra semi-impossível, a clássica barbada.. O embalado Inter enfrenta o decadente Juventude, que só ganha fora de casa quando os planetas se alinham. O time de Ivo Wortmann vem mergulhando fundo no Brasileirão e nos últimos seis jogos conquistou apenas quatro pontos. O sólido Colorado tem na defesa comandada por Fabiano Eller sua maior virtude (apenas 30 gols contra). Os detratores colorados da Bola de Cristal devem se preocupar – porque depois de duas apostas contra o Inter, desta vez ela mostra uma vitória do time de Abel Braga. Uma vez ligada, a cristalina esfera imediatamente foi tomada por uma neblina colorada tão densa que não foi possível ver os autores dos gols da vitória vermelha.
O palpite: Inter 2 x 0 Juventude


Santa Cruz x Fortaleza
Estádio do Arruda, 26/10, 20h30m
O encontro dos moribundos. O jogo do velório. Num emocionante preâmbulo da Série B de 2007, os tricolores nordestinos desfilarão no Mundão do Arruda, que deverá estar mais deserto do que o sertão mais árido. O Santinha já jogou a toalha – e jogou longe. Na última rodada, um melancólico Fito Neves só pedia para seu time valorizar mais a vitória do adversário. O Leão cearense ainda tem algum pulso – mas tem também uma defesa mais esburacada do que o gramado do Presidente Vargas. Como o ataque do Santa Cruz é incapaz de fazer incomodar moscas paralíticas, é um encontro que promete muito. Se vencer fora de casa, o Fortaleza pode receber uma injeção de ânimo para enfrentar o Corinthians em casa na próxima rodada. No primeiro turno, o moribundo Santa Cruz recebeu a visita da saúde no Castelão, e derrotou o Leão. Agora, a bola de cristal enxerga que a visita da saúde muda de lado.
O palpite: Santa Cruz 1 x 3 Fortaleza.


Vasco x Flamengo
Maracanã, 26/10, 20h30m
O Vasco está com o Flamengo profundamente engasgado e com razão. Depois de perder quatro decisões cariocas para o rival (1999, 2000, 2001 e 2004), veio nova derrota na final da Copa do Brasil deste ano. No primeiro turno do Brasileirão, porém, o Vasco ganhou com os reservas. Agora, o time de Renato Gaúcho precisa da vitória para sonhar justamente com o prêmio roubado pelo rubro-negro: uma vaga na Libertadores em 2007. O Flamengo, longe do rebaixamento, tem como motivação exclusiva a rivalidade.

O Vasco vem jogando bem. E Renato encontrou, em Leandro Amaral, a flecha que faltava para o arco Jean. Os dois atacantes são muito velozes e se complementam. Jean se movimenta em todas as direções, cria e ajuda na marcação. Leandro é um bom finalizador. Com os dois, o contra-ataque do Vasco ficou mais eficiente. Outro destaque vem sendo o lateral direito Thiago Maciel, que voltou da Rússia para poupar a torcida de Claudemir e Wágner Diniz. O problema de Renato é a ausência de Morais. Mas Abedi é um bom reserva.

O Flamengo do técnico, cantor e filósofo Ney Franco não costuma cair em armadilhas táticas. Contra o Vasco na Copa do Brasil, Ney não caiu na tentação de atacar gratuitamente. Segurou seu time e soube jogar com a vantagem. Com Renato e Renato Augusto, é um time forte fisicamente. O xodó Obina vem fazendo a diferença no Maracanã. Outro destaque vem sendo o lateral esquerdo Juan, que faz um belo Brasileiro (enquanto Leonardo Moura vem sendo discreto).

A bola de cristal treme, oscila... e vê Jean como herói da partida, exorcizando o calvário vascaíno e ofuscando a memória de seus três gols rubro-negros na final de 2004. Mesmo tendo seu nome gritado pela torcida do Flamengo, Jean vence a possível edmundite, dá um passe para um gol e faz outro.
O palpite: Vasco 2 x 1 Flamengo.
Escrito em 24/10/2006
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Ainda é cedo...


É evidente que o quase épico empate no Olímpico deixou o São Paulo pertinho da taça. Os sete pontos que separam o tricolor do vice-líder Internacional são uma vantagem mais do que confortável, a proverbial gordura para queimar. Mas, como diria Renato Russo, ainda é cedo, cedo, cedo... porque os próximos jogos do tricolor paulista são pra lá de espinhosos: Figueirense, no Orlando Scarpelli; Ponte Preta em casa e Santos na Vila Belmiro). Com nove pontos nesses jogos, o título só não vai para o Morumbi em caso de cataclisma. Mas... se empatar um deles e perder do Santos... o campeonato recomeça.

Ontem, no Olímpico, o São Paulo mostrou credenciais de campeão. Foi melhor que o Grêmio no primeiro tempo, com excepcionais atuações de Souza e Danilo. O primeiro poderia ter feito dois golaços em jogadas individuais – em ambas parou na trave. O Grêmio, jogando com sua força habitual, mas sentindo os desfalques de Patrício e Jeovânio, acusou o gol no início mas não desanimou. Quando acertou o pé, esbarrou na ótima atuação de Rogério Ceni. A defesa do goleiro são-paulino no tirambaço de Hugo, no primeiro tempo, talvez tenha sido a mais importante do Campeonato.

O tricolor gaúcho foi melhor no segundo tempo, empatou a partida e teve chance de vencer. O Grêmio mostrou que sua campanha nada tem de casual. A festa azul na arquibancada deu combustível para um time que brigou por cada centímetro e, não fosse isso, um centímetro... poderia ter vencido no chute do mesmo Hugo, no finzinho da partida. O destaque são-paulino na segunda etapa foi Aloísio, um trombador na acepção da palavra. Aloísio parece uma força da natureza. Tromba com a bola, com os adversários, com a grama... e vai levando, vai seguindo em frente, como se nada fosse capaz de pará-lo. Jogou muito ontem. Foi um jogo diferente, com clima de decisão e estádio cheio. Valeu o ingresso e talvez tenha valido a taça.


A grande briga

Se o título parece cada vez mais próximo do Morumbi, ficou aberta a briga pela última vaga na Libertadores. É uma briga que promete encher estádios. Paraná (49 pontos) e Vasco (47) ainda se enfrentam. A derrota de ontem para o Flamengo-B foi muito custosa para o time de Caio Júnior... porque nas oito últimas rodadas o Paraná só joga três vezes em casa. Também por isso, Botafogo (43), Figueirense (43), Goiás (42), Cruzeiro (42) e Atlético-PR (42) e Cruzeiro (40 ) podem sonhar. Paraná e Vasco têm clássicos regionais na próxima rodada. O Vasco enfrenta o Flamengo titular no Maracanã (na próxima quinta-feira). No sábado, o Paraná enfrenta o Furacão na Arena da Baixada. O Goiás recebe o Cruzeiro, o Figueira recebe o São Paulo... e o Botafogo... se mete na briga do próximo tópico.


O último vagão


Ai de ti, Ponte Preta. Além de derrubar minha bolinha de cristal, a Macaca está cada vez mais perto da Série B. A Ponte enfrenta agora Botafogo (em casa) e São Paulo (fora) antes de fazer seu tour contra outros dois rebaixáveis: São Caetano (em casa) e Fluminense (fora). O Corinthians enfrenta o Palmeiras e depois o moribundo Santa Cruz. Já o Fluminense... pega o Grêmio no Maracanã e, a seguir, o São Caetano no Anacleto Campanela.


Bola de cristal


Por falar nela... é hora de avaliar a perfomance do Nostradamus particular do blog nesta rodada. E o resultado é... o mesmo da última rodada: 40%! A bola de cristal manteve sua média. A análise aqui, claro, não leva em conta placares absolutos.

Nostrapoli cravou o empate na Serra Gaúcha (acertando até o placar: 1 a 1). Acertou nas vitórias do Corinthians e do Goiás (tudo bem, essa era fácil). E não acertou, mas pode ser elogiado ao prever os jogos difíceis no Maracanã (Botafogo 2 x 1 São Caetano) e no Presidente Vargas (Fortaleza 3 x 4 Atlético-PR). Esteve pertinho de acertar no último caso... e também quase acertou o jogo do Olímpico. Só errou, fragorosamente, ao apostar na Ponte contra o Colorado... e ao não enxergar a zebra rubro-negra trotando no Paraná. Vamos, pois, aos troféus da rodada:


A observação cristalina da rodada
Minha zebra especial da rodada (o palpite de vitória do São Caetano no Maracanã) provocou um recorde de xingamentos nos comentários. Ofenas animais, vegetais e minerais. Fui chamado de palhaço, de anta, de paquiderme manco e até de mané (isso não é xingamento, certo?)... isso, claro, sem listar palavras toscas e impublicáveis. A verdade, que me parece até engraçada, é que torcedores são capazes de encarar como ofensa um mero palpite. E, no caso de Botafogo x São Caetano), um palpite que se mostrou razoável. A partida foi dificílima e qualquer um poderia ter vencido. E o Botafogo ainda estava sem Zé Roberto, Diguinho e Asprilla.

Mais engraçado é perceber como, na internet, as pessoas perdem a educação com facilidade. Talvez porque a falta de educação seja uma característica do torcedor brasileiro. Não existe arquibaldo que não xingue. Não existe mãe pura para o juiz de futebol. E o xingamento no estádio é primo, me parece, do xingamento anônimo virtual.

Em suma, a opinião aqui é livre. Mas o xingamento banal, não. O palavrão gratuito será deletado. Este é um blog familiar que só irá aceitar ofensas elaboradas. O que nos leva... a nosso próximo tópico.


A ofensa cristalina da rodada

O troféu de xingamento original da semana vai para o internauta Willians Raposo. Eis o comentário que vale o prêmio:


“Incrível como um site como "Globo . com " permite a um sacripanta como vc ficar aqui chutando resultados...seja repórter de verdade e arrume uma coluna decente.”


Sobre a coluna, Raposo, vou tentar, prometo. Enquanto isso, apresento aos leitores o que você pensa de mim:

Sacripanta – diz-se de pessoa desprezível, capaz de qualquer violência e indignidades. 2. Pessoa falsamente beata.

Vosso amigo sacripanta passa, então, aos outros prêmios da rodada:

O golaço da rodada
Romeu (FLU) – Um chutaço de fora da área, no ângulo, sem chance para o goleiro André.

A frase da rodada
"O juiz estava muito bem... e resolveu dar quatro minutos a mais. E nestes quatro minutos ele se perdeu. Deixou de dar um pênalti, deixou de expulsar um jogador do Cruzeiro e quase mudou o jogo” Emerson Leão, como sempre arrumando um jeito de reclamar da arbitragem. E, como sempre, perdendo sua tradicional chance de ficar calado. Os acréscimos saíram até baratos depois que os gandulas, também como sempre, sumiram no Pacaembu. E no tal pênalti... Gustavo Nery deu um salto ornamental (e se contundiu) tentando cavar um pênalti na área do Cruzeiro.

Pior técnico da rodada
Oswaldo de Oliveira (CRU) – O Cruzeiro jogou com a empolgação de um alface. Um time desligado, sem raça, parecia refletir em campo o temperamento glacial de seu treinador. A moleza azul foi tão flagrante que o meia Élson desabafou no fim do jogo dizendo textualmente que “sem vontade não dá”.

A frase da rodada 2.0
"O empate caiu do céu” Ivo Wortmann, técnico sincero do Juventude.

A frase da rodada 3.0
“Temos que ligar o pisca-alerta para os próximos jogos”Pierre, volante do Paraná. Aguarda-se tradução.

A estatística da rodada
Finalizações no Pacaembu:
Corinthians – 16
Cruzeiro – 3

Melhor técnico da rodada
Ney Franco (FLA) – Quem diria que o Flamengo iria até o Paraná com o time reserva e derrubaria o quinto colocado do Brasileirão? Méritos para Ney Franco, que é especialista em armar times para jogar no contra-ataque.

O erro de arbitragem da rodada
Alício Pena Júnior – No gol do São Caetano, Marín estava completamente impedido e atrapalhou o goleiro Max. Alício acho que o jogador colombiano, que pulou para sair da bola, não participou da jogada. Realmente, Alício...

O passe da rodada
Kléber (SAN
) – Para Rodrigo Tabata no primeiro gol do Santos. Foi um lançamento primoroso e perfeito do lateral. E vale dizer que Tabata também deu um ótimo passe para Wellington Paulista no segundo gol do Peixe.

A frase triste da rodada
“Há um momento em que baixa uma sonolência nos jogadores, não dá pra entender” Fito Neves, técnico do Santa Cruz, depois de dizer que seu time precisa vender mais caro as derrotas. Deve ser uma das declarações mais melancólicas da história. Fito basicamente disse que o time está dormindo em campo e entregando os pontos. Dá pena do Santinha. Mas a Série B não é o fim do mundo.

O (s) gol (s) perdido (s) da rodada
Empate técnico – Entre Tuta (FLU) que pisou na bola na cara do goleiro, Marcelo (FLU) que chutou mal na cara do goleiro, Lenny (FLU) que também pisou na bola na cara do goleiro, Amoroso (COR) que chutou para fora a meio metro do gol e Reinaldo (BOT) que chutou para fora na cara do goleiro.


Cinco tiros indiretos


1 – O Atlético-PR cimentou o destino do Fortaleza, que voltará para a Série B por causa de sua pavorosa defesa. Mesmo enchendo o Presidente Vargas, o Tricolor de Aço deixou escapar uma vitória fundamental por causa do queijo suíço que finge proteger a meta de Édson Bastos. O Furacão pode se dedicar com calma à Sul-Americana e, quem sabe, até sonhar com Libertadores.

2 – Os torcedores do Botafogo, que ameaçaram devorar o fígado do colunista por causa da previsão de zebra no Maracanã, podiam dar algum crédito à bola de cristal e entender que análise e palpite são coisas distintas. O Botafogo sofreu e suou dez bocados para ganhar do São Caetano. O campeão carioca correu sério risco de derrota, como admitiu o técnico Cuca. Foi um jogo dificílimo em que o goleiro Max fez quatro excelentes defesas. Duas delas no mesmo lance, abafando um chute de Dinélson e outro de Leandro Lima quando já estava 2 a 1. Max só não entrou na Seleção da semana porque as defesas de Rogério Ceni foram fundamentais para o provável título são-paulino.

3 – Será que o Corinthians não deveria contratar o Inmetro para medir o nível de prepotência nas entrevistas de Leão? Ou cobrar ingresso, quem sabe. É sempre um espetáculo. O marrômetro vira ventilador a cada palavra.

4 – Poucas vezes um time perdeu tantos gols cara-a-cara quanto o Fluminense, ontem, contra o Juventude. A quantidade de pisadas na bola na cara do gol deve ter batido algum recorde. As chances foram tão cristalinas que o técnico Ivo Wortmann agradeceu o empate. O tricolor carioca merecia ter vencido. Agora encara o Grêmio, que não sabemos como reagirá ao empate de ontem no Olímpico.

5 – O Santos deu um grande passo para assegurar a vaga na Libertadores. E o Inter, com sue time renovado, teve um fim-de-semana agradável. Ganhou fora de casa, viu o Grêmio empatar no Olímpico... e ultrapassou o rival. Será que algum Colorado diria hoje... que era melhor o Grêmio ter vencido?


Seleção da rodada (3-5-2)
Rogério Ceni (SPO), Dudart (VAS), Aldo (GOI), Fabiano Eller (INT); Souza (SPO), Lucas (GRE), Kléber (SAN), Danilo (SPO) e Hugo (GRE); Jean (VAS) e Marcos Aurélio (ATL-PR).

Selebaba da rodada (4-4-2)
Navarro Montoya (ATL-PR), Ivan (FOR), Emerson (PAR), Thiago (SCA) e Edinho (PAR); Wilson Surubim (SCR), Wellington (JUV), Jorge Mutt (FOR) e Maicon (BOT); Márcio Mexerica (SCR) e Edmundo (PAL)
Escrito em 23/10/2006
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