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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com

Bola de cristal - RODADA 30



Derrotada e esfarelada pelo Vasco no meio de semana, ela não se
intimida. Ela não se abate. Ela volta. Ela, no caso, é a bola de cristal da coluna, que arrisca aqui seu cristalino pescoço mais uma vez. Na semana passada, o resultado foi digno (quatro acertos, seis erros). Agora, como diria qualquer jogador em qualquer entrevista antes de qualquer jogo, vamos com muita raça e humildade em busca de um resultado positivo.


Goiás x Santa Cruz
Serra Dourada, 21/10, 16h

Ganha um Geninho de pelúcia quem apostar (e ganhar) contra o Goiás. Com sua habitual fala mansa, o técnico estabilizou o time goiano, acertou o meio-campo e se afastou do cadafalso. Por isso é favoritíssimo contra o desenganado Santa Cruz que praticou nas duas últimas rodadas o arremesso de toalha. Com duas derrotas em casa, o Santinha assinou seu atestado de óbito na primeira divisão. O tricolor pernambucano tem um elenco lastimável, horrível e horroroso. O técnico Fito Neves tenta gritar, berrar, substituir... e minimizar as limitações com um 3-5-2. Mas a dupla de ataque que compete com cones de treino em matéria de mobilidade (Nenê e Márcio Mexerica) deve seguir titular. É dose para mamute fossilizado. O Goiás, que jogou fora o empate contra o Paraná na última rodada numa bobagem de Cléber Goiano, terá a volta de Welitton ao ataque. E deve ganhar sem problemas. O Santinha, pelo menos, pode lançar mais um nome lindo no cenário do futebol brasileiro: o volante Jadeílson.
O palpite: Goiás 3 x 0 Santa Cruz.


Ponte Preta x Inter
Moisés Lucarelli, 21/10, 18h10m

É um jogo fundamental para a Ponte, que joga duas partidas em casa (a outra é contra o Botafogo). Duas vitórias podem tirar a Macaca do CTI, mas o time jogará desfalcado de Luís Mário (expulso contra o Figueirense) e não sabe se terá Tuto (tornozelo). O meio-campo campineiro melhorou com a entrada de Pituca (ex-Brasiliense). Fábio Baiano descalçou seu habitual chinelo e vem jogando decentemente ao lado de Danilo. A Ponte não jogou mal contra o Figueira e foi prejudicada por um pênalti fantasma. O problema do técnico Wanderley Paiva está na retaguarda – Iran vai jogar improvisado na lateral direita. A última vez que isso aconteceu foi contra o Paraná... e o jogador só não foi expulso no primeiro tempo por piedade do árbitro Leonardo Gaciba. O Inter não tem feito grandes partidas e continuará sem Fernandão. Mas poderá ter a volta de Alex. O suspenso técnico Abel Braga vai buscar explorar a velocidade de Iarley e Rentería para surpreender a não exatamente segura zaga da Macaca. A motivação da Ponte parece maior.
O palpite: Ponte Preta 2 x 1 Inter.


Santos x Figueirense
Vila Belmiro, 21/10, 18h10m

Um jogo perfeito para que o Santos se recupere do baque do Maracanã, que o deixou longe da briga pelo título. Com Zé Roberto jogando o fino e Reinaldo acabando com a anemia do ataque, o Peixe não deve ter problemas na Vila Belmiro. O Figueirense vem de duas vitórias pouco convincentes em casa. Ganhou do Botafogo graças a uma falha do goleiro adversário... e da Ponte graças a um pênalti fanstasmagórico (por mais que o Figueira reclame de outros não marcados). O time de Waldemar Lemos é organizado, marca bem e poderá contar a velocidade de Soares no ataque. Pode até engrossar, mas o que se vê na bola de cristal é vitória do time de branco.
O palpite: Santos 2 x 0 Figueirense


Grêmio x São Paulo
Olímpico, 22/10, 16h

O jogo da rodada. O jogo do campeonato. O Olímpico transbordará de orgulho gaúcho antes, durante e depois do jogo. Ter a chance de disputar um título nacional um ano depois da humilhação da Série B parecia impossível. Mas aí está o Grêmio. O tricolor gaúcho Grêmio entrará a mil por hora, mordendo cada sombra, tomando cada espaço. O São Paulo, que já perdeu um título no Sul este ano, tem um time mais equilibrado e experiente, que sabe jogar fora de casa. A guerra de nervos já começou. Muricy falou da pressão extra-campo. O Grêmio reclamou que as arbitragens vem ajudando o São Paulo. Vale tudo para ganhar um naco de vantagem, mexer com a cabeça do juiz Heber Roberto Lopes (que por vezes entra em parafuso) e tentar influenciá-lo.

Talvez o jogo seja decidido num sarau de duplas caipiras - o confronto dos volantes. De azul, preto e branco, Lucas e Sandro Goiano; de branco, preto e vermelho, Josué e Mineiro. São os homens de recuperação de bola...e de chegada no ataque. Josué e Mineiro se completam, atacam e marcam. Sandro Goiano marca menos que o suspenso Jeovânio, mas ataca melhor. Lucas chega na frente com força e alguma habilidade. O Grêmio terá Tcheco, seu homem da bola parada, e Hugo. O São Paulo terá seu ataque operário, Leandro e Aloísio. Promete ser um jogão. A bola de cristal apresenta uma ligeira nuvem azul. É uma previsão das mais arriscadas, mas... o trabalho aqui é botar o pescoço na mira.
O palpite: Grêmio 2 x 1 São Paulo.


Paraná x Flamengo
Durival do Brito, 22/10, 16h

O Flamengo estafado, esfalfado e cansado não tem muito mais o que fazer no Campeonato Brasileiro. Com 39 pontos, está a uma distância aparentemente segura do rebaixamento. E, como o título da Copa do Brasil garantiu a vaga na Libertadores, o time viajou para ganhar um dinheirinho nos EUA. Depois da viagem desgastante, novo embarque, agora para enfrentar o embalado Paraná na Vila Capanema. A lógica diz que o Flamengo não resiste. O Paraná reencontrou seu futebol com as entradas de Peter, Eltinho, Pierre e Batista no time e obteve cinco vitórias nos últimos seis jogos. O sonho da Libertadores está perto.
O palpite: Paraná 2 x 0 Flamengo


Fortaleza x Atlético-PR
Castelão, 22/10, 16h

Outro rubro-negro cansado enfrentando outro tricolor motivado. O Fortaleza precisa desesperadamente da vitória para recuperar a fé. Se vencer, o tricolor de aço se aproxima dos outros rebaixáveis. O time do técnico Roberval Davino não vem jogando mal, apesar de ter um queijo suíço em forma de defesa. Lúcio e Finazzi têm feito boas partidas. O Furacão chega de moral alta, mas deve sofrer com o supracitado desgaste físico. Jogou no Uruguai na quarta-feira... e viajou até o Ceará. Com 38 pontos, o time de Vadão parece longe do rebaixamento e não terá o lateral Jancarlos, que segue machucado. Mas é perigoso nos contra-ataques puxados por Ferreira e Christian, e concluídos por Denis Marques e Marcos Aurélio. É o jogo da vida do Fortaleza que, em caso de derrota, se despede da Série A.
O palpite: Fortaleza 3 x 2 Atlético-PR

Juventude x Fluminense
Alfredo Jaconi, 22/10, 18h10

O proverbial jogo de seis pontos. O Juventude sofre de Jaconi-dependência. Ganhou 31 de seus 38 pontos em seu estádio. Parece longe do rebaixamento, mas uma derrota para o Fluminense pode representar perigo. O Juventude tem vários desfalques. Antonio Carlos e Lauro estão suspensos. Renan e Walker estão contundidos. Alexandre, o meia criativo do time, é dúvida. Raulen e Fabrício voltam, mas talvez sejam desfalques demais para talento de menos no elenco de Ivo Wortmann. Talvez seja exatamente o elixir necessário para a recuperação do desgovernado Fluminense, que precisa urgentemente de uma vitória. Outra derrota injetaria mais peçonha no já conturbado ambiente administrado por PC Gusmão.
O palpite: Juventude 1 x 1 Fluminense.


Corinthians x Cruzeiro
Pacaembu, 22/10, 18h10m

E por falar em drama... a novela anglo-russo-leonina chamada Corinthians tem mais um capítulo, e desta vez é no Pacaembu e não na Polícia Federal. Uma vitória é o extintor de incêndio sonhado por Leão e o Cruzeiro parece uma presa administrável. O time mineiro sonha com a Libertadores sem muita ênfase e vem de um empate em casa com o Fortaleza.
O problema para o Corinthians é o clima. Com tanta crise e tanta pressão, a paciência da torcida se reduz. A margem de erro do Timão se reduz a cada jogo. O Cruzeiro tentará esfriar o jogo, influenciado pelo temperamento mineral de seu técnico, Oswaldo de Oliveira, incapaz de erguer meia sobrancelha durante as partidas. Desfalcado, Oswaldo deve escalar Jonatas, um grandalhão de 17 anos, ao lado de Diego no ataque. Jonílson retorna depois de dois meses, melhorando a marcação no meio. Mas o melhor jogador do time, Wagner, é dúvida. Já o silencioso Corinthians precisa esquecer de Carlos Alberto e jogar organizadamente. Talento, o time tem. Roger e Amoroso podem resolver qualquer partida.
O palpite: Corinthians 2 x 0 Cruzeiro.

Botafogo x São Caetano
Maracanã, 22/10, 18h10m

Esse é um jogo traiçoeiro para o Botafogo. Dorival Júnior estréia como técnico do Azulão, que não vence há 12 rodadas. Os supertisciosos botafoguenses devem lembrar que, em 2004, o Botafogo ficou 11 rodadas sem vencer... e acabou com o jejum justamente contra o São Caetano no Anacleto Campanela. Mais do que isso, o técnico Cuca teve uma semana de inferno astral. Já tinha Asprilla e Diguinho suspensos. E pode perder Clayton e Zé Roberto, ou seja, quase todo seu meio-campo. O time do São Caetano é melhor do que sua posição na tabela e, mesmo sem Triguinho, suspenso, pode surpreender o Botafogo. Até porque lidar com o sucesso é uma dificuldade alvinegra. Por isso, que me perdoem os botafoguenses, essa é minha zebra especial da rodada.
O palpite: Botafogo 1 x 2 São Caetano
.

Escrito em 20/10/2006
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Elite em formação


Estamos atualmente na nona rodada do Campeonato Francês. E o pentacampeão Lyon já abriu cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado (o Olympique de Marselha). A hegemonia do Lyon na França conta uma história de sucesso – há seis anos, o time nunca tinha sido campeão. Hoje domina o país e é uma força na Europa. Seu sucesso é uma história de excelente administração e visão estratégica. O presidente Jean-Michel Aulas faturou mais de 70 milhões de euros ao vender duas revelações africanas (o ganês Essien para o Chelsea e o malinês Diarra para o Real Madrid) – ambos volantes.

Abaixo do Lyon, porém, nada é certo. O Campeonato Francês sempre foi o mais equilibrado dos “grandes” europeus. O fenômeno Lyon é provavelmente passageiro porque na França existe equilíbrio financeiro na divisão de cotas televisivas. Em campeonatos de pontos corridos é muito difícil o melhor não ganhar. E o melhor no esporte profissional, em geral, é quem tem mais dinheiro (e sabe usá-lo). Os esportes americanos são equilibrados por causa disso: os times têm orçamentos parecidos. No futebol, não é assim. Na Espanha, Real Madri e Barcelona recebem muito mais dinheiro que os rivais. Na Itália, Milan, Inter e Juventus também. Na Inglaterra, o campeonato começa com três candidatos ao título: os ricos Manchester United, Chelsea e Arsenal.

E no Brasil? Os defensores dos pontos corridos (o colunista incluído) sempre disseram que a grande virtude do Brasileirão era ser o campeonato mais equilibrado do mundo. Mas, quatro campeonatos depois, é forçoso reconhecer que não é bem assim. Há uma elite em formação. Vejamos os seis primeiros colocados dos Brasileiros desde 2003:






TIMES2003200420052006
1CruzeiroSantosCorinthiansSão Paulo
2SantosAtlético-PRInterGrêmio
3São PauloSão PauloGoiásInter
4S. CaetanoPalmeirasPalmeirasParaná
5CoritibaCorinthiansFluminenseSantos
6InterGoiásAtlético-PRVasco


Vemos o embrião de elite com um certo tom paulista. Santos, São Paulo e Internacional só deixaram de figurar entre os primeiros em um dos campeonatos. Santos e São Paulo ficaram fora apenas em 2005 (quando ambos disputaram a Libertadores). O Inter ficou fora em 2004, mas não muito: foi oitavo.

O São Paulo é o único dos três a fazer parte da “elite monetária” nacional, o grupo dos times que recebe a maior fatia das cotas televisivas. Como o Brasil é um formador de talentos nato, quem souber trabalhar com jovens (e se adaptar à Lei Pelé) leva grande vantagem. Essa foi a percepção de Fernando Carvalho, presidente do Internacional, que pegou um time quase rebaixado e deixará seu mandato campeão da América. Vender jogadores é o que equilibra o balanço do clube e traz fôlego para que ele se valha de sua vitrine como entreposto comercial. Comprar dos mais pobres para vender aos mais ricos.

Foi o que o São Paulo fez ao predar meio time do Goiás – trazendo Josué, Danilo e Grafite. Saudável e disputando títulos, o time se torna atraente. Cicinho perambulou jogando bem por Botafogo e Atlético-MG, mas só virou jogador de Seleção no Morumbi (e foi vendido a peso de ouro). O Inter vende bem suas revelações (Daniel Carvalho, Nilmar, Rafael Sóbis) mas também investe em promessas nacionais (Márcio Mossoró) e em bons jogadores repatriáveis (Fernandão). Em breve teremos a nova leva de revelações coloradas: Caio, Luiz Adriano, Rodrigo Pato... É, mal comparando, o que faz o Lyon – investe na base (Benzema, Ben Arfa) e, ao mesmo tempo, busca na África, na Bélgica e na Holanda (ou em campeonatos menores) valores como Essien... que depois equilibram o caixa.

Para onde vai caminhar nossa elite embrionária? É cedo para dizer. Os clubes do Rio, por exemplo, têm dívidas gigantescas que atrapalham seus planejamentos (e costumam vender mal suas revelações). Já clubes saneados como Paraná, Atlético-PR, Cruzeiro e Goiás (“a classe média organizada” como diz Telmo Zanini) podem crescer. O Grêmio precisa fazer de 2006 uma plataforma para melhorar suas divisões de base. Corinthians e Palmeiras dependem de competência, artigo que anda escasso nos dois parques. Uma verdade parece cristalina: com pontos corridos, quem não investir em divisões de base sabendo lidar com a Lei Pelé... tende ao brejo.
Escrito em 19/10/2006
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Bairrismos


Vão foi o momento em que vosso humilde servo ousou mencionar - mencionar - um fato. Um fato simples: em 2007, é possível que tenhamos pela primeira vez em muito tempo o mesmo número de times paulistas e cariocas na Série A. Essa singela informação bastou para que desabasse uma torrente de comentários menos gentis. "Bairrista", "Chefe de torcida carioca", “Cabeçudo”, “Parcial”... só para citar os publicáveis.

Não sei exatamente como uma informação pode ser bairrista. Ela é apenas isso - uma informação. Quem ler o post anterior "A Seletiva Zumbi" saberá o que vosso servo aqui pensa sobre o futebol carioca. É um futebol que não vive, sobrevive. Mas a polêmica tem alguma serventia. É útil para analisar o passado recente do futebol brasileiro.

Pesquisando todos os campeonatos desde 1997 (e excluindo a Copa João Havelange e seus 116 times em 2000)... fica meio evidente que o nome "Brasileiro" é um certo exagero. O Brasileirão vem sendo dominado por cinco estados (SP, RJ, MG, RS e PR) que, nos últimos dez anos, nunca tiveram menos do que 16 times na Série A. Vejam a tabela abaixo (com a ressalva de que 2007 é uma projeção):






ESTADOS19971998199920002001200220032004200520062007(hoje)
SP888X9867664
RJ433X4434444
MG232X3222212
RS333X3333233
PR333X3333323
OUTROS643X6675544


Santa Catarina (Figueirense) e Goiás (Goiás) vem mantendo ao menos um time na elite há algum tempo. Pernambuco vive na gangorra entre as Séries A e B. E o futebol baiano afundou da Série A para a Série C nos últimos quatro anos. A redução de paulistas sinaliza uma queda do futebol do interior mais rico do país. É bom ter cuidado ao interpretar esses dados - seria uma jumência extrema dizer que o futebol paulista está em decadência. Os times de São Paulo conquistaram cinco dos últimos dez títulos e o sexto parece encaminhado (com a palavra, o Grêmio no Olímpico, neste domingo). Além disso, na Série B, os paulistas são maioria (seis times em 2006, sendo que o Paulista tem chance de subir). A Segundona, aliás, é um torneio bem mais nacional. Em 2006 teve times de 11 estados diferentes e de todas as regiões do país (sete do Sudeste, cinco do Nordeste, três do Centro-Oeste, três do Norte e dois do Sul).

Escrito em 18/10/2006
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Bola de cristal, jogo isolado


VASCO X PALMEIRAS
São Januário, 18/10 22h, 22h

O Vasco ganhou muito com a entrada de Leandro Amaral no ataque. Ele é rápido, se posiciona bem e finaliza melhor que Jean (não que isso seja graande virtude). Com Leandro, o rapidíssimo contra-ataque do Vasco ficou mais eficiente. E o Palmeiras não é um time que tenha uma boa recomposição, como mostrou o jogo contra o Atlético-PR. Só que o jogo é em São Januário. E em São Januário, o Vasco tem que tomar a iniciativa e expor sua limitadíssima zaga. Contra o Fortaleza, por exemplo, poderia ter tomado dois gols antes de fazer o primeiro. O desfalcado Verdão dependerá muito de Juninho e Edmundo, que nem sempre falam o mesmo idioma, e de Paulo Baier. Mas, no 4-4-2, Baier pode ser também um problema, porque o esquema expõe suas deficiências na marcação. Ironicamente, Edmundo poderá ultrapassar Zico e se tornar o terceiro maior artilheiro de Brasileiros (atrás de Roberto Dinamite e Romário) justamente em São Januário. Basta fazer dois gols. A bola de cristal aqui enxerga apenas um gol verde. E outro cruz-maltino.
O palpite: Vasco 1 x 1 Palmeiras.


Escrito em 17/10/2006
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Leão e os cariocas


Depois de ganhar do Botafogo, há dois meses, no Pacaembu, o técnico Emerson Leão derramou empáfia sobre a juba. Disse que já tinha ganho duas "de cariocas" (Botafogo e Fluminense). Ontem, depois da derrota no Maracanã, alfinetou o Flamengo por algo que (não) aconteceu quase 20 anos atrás. Leão, que já foi goleiro do Vasco, é um expert em cortinas de fumaça. O que ele fez ontem é o que faz sempre: usou o bairrismo a seu favor.Trabalhando em São Paulo, ele sempre faz questão de implicar com o Rio.

Diz que a sede da CBF é no Rio de Janeiro, levanta suspeitas sobre arbitragem, cria factóides, diz que adora ganhar de cariocas. Ontem, dado o placar, não dava para posar de herói e vestir o uniforme de Exterminador de cariocas. Qual a saída? Apelar para o passado, mexer com o orgulho do Flamengo. Criar um factóide, tirando o foco do poço corintiano. Aplausos para Leão. O Flamengo acusou o golpe e respondeu com nota oficial, chamando Leão de surtado. A crise do Timão por um instante ficou em segundo plano.

O bairrismo fake de Leão, porém, pede uma observação. A liderança do São Paulo, mantém a impressão de hegemonia paulista no Campeonato Brasileiro. Mas apesar das diferenças econômicas, a primeira divisão de 2007 pode ter tantos paulistas quanto cariocas. Se o Fluminense não cair... e um paulista (Ponte Preta ou Corinthians) for rebaixado ao lado do São Caetano (e o Paulista de Jundiaí não subir) teremos quatro paulistas e quatro cariocas na Série A. Por ora, é mera especulação mas a diferença entre os estados parece menor.

Enquanto isso, o futebol do Sul mantém a trajetória ascendentea. Os gaúchos devem manter três times na Série A (o Juventude é a dúvida)... e ainda disputar a Libertadores com Grêmio e Inter. E o futebol paranaense depende do Coritiba para ter três times na primeira divisão (o Furacão ainda pode cair, mas não deve). Se Sport e Náutico subirem (e o Fortaleza cair junto com o Santa Cruz), o Nordeste continuará com dois representantes na primeira divisão.


A língua carbonizada


Minha primeira jornada pelo campo da profecia foi uma tragédia quase absoluta. A bola de cristal já começou a se estilhaçar no sábado. Só acertei a vitória do São Paulo mas isso, convenhamos, não exigia nenhuma vidência. O São Caetano continuou seu mergulho rumo às profundezas e me levou junto, perdendo para o Grêmio. E, enquanto o colunista era acusado de carioca, o Botafogo derrotava o Santos no Maracanã, carbonizando minha língua (e minha previsão de empate). De quebra, a zebra passeou no Independência e o Cruzeiro ficou no empate sem gols com um aguerrido Fortaleza (que jogou melhor).

No domingo, a bola cristalina se recuperou ligeiramente. Acertou as vitórias de Flamengo, Vasco e Paraná. Foi prejudicada pelo árbitro... que enxergou um ectoplásmico pênalti a favor do Figueirense no Orlando Scarpelli. E errou feio ao mirar na zebra no Beira-Rio: o Inter passou com relativa facilidade por Fluminense guerreiro, mas desconjuntado. O derradeiro erro veio no Parque Antártica... o Atlético-PR jogou bem e, não fosse o cansaço, poderia ter derrotado o Palmeiras (a previsão aqui era de goleada verde).

Nos comentários pós-previsões fui devidamente espancado pelos torcedores do Sul. Espancamento, pelo visto, justo. Agradeço as palavras doces e ternas, as recomendações de destino menos próprios e as referências familiares. A opinião aqui é livre. Por outro lado, Zé Neto, do Recife, me recomendou um curso com a Mãe Diná por conta de minha previsão de vitória do Vasco no Arruda. É, Zé Neto... a gente nem sempre acerta, mas às vezes...

Meu parabéns para o Hira, que não deixou e-mail e acertou oito em dez resultados... em especial acertou Cruzeiro 0 x 0 Fortaleza. Como o jogo no Independência começou às 16h... e o comentário com o palpite foi escrito às 17h57m... temos aqui um caso clássico de previsão a posteriori. Mas suas outras previsões o credenciaram como o profeta da rodada. Diante dessa humilhação, constrangidamente, exibo meu placar da semana:

Acertos: 4
Erros: 6

Reformada e turbinada, a bola de cristal volta na próxima sexta-feira. Mas hoje ela já é capaz de antever uma verdade universal: se o São Paulo empatar – o verbo é empatar – no Olímpico no próximo domingo, babau. O campeonato acaba. Mas... ainda não acabou. Por mais que, com oito pontos de vantagem, a entrega do título pareça mera formalidade. É tão absurdo assim pensar que o tricolor paulista possa: perder do Grêmio, empatar com o Figueirense (em Florianópolis) e depois perder do Santos? Se isso acontecer (e o Grêmio continuar ganhando)... a vantagem se desfaz. Mas isso.. é especulação. Por ora, vamos aos destaques da rodada:

O pênalti mal marcado da rodada
Thiago Mathias (PON) sobre Cícero (FIG) – Um ligeiríssimo esbarrão, uma queda teatral e um pênalti decisivo. Cícero desmontou no campo ao receber o contato, leve, do zagueiro da Macaca e levou o árbitro Leandro Vuaden (RS) na conversa.

O pênalti burro da rodada
Allan (FOR) sobre Ferreira (CRU) - Aos 39 minutos do primeiro tempo, a bola subiu na área cearense... e Allan resolveu atropelar Ferreira na área. Uma jogada muito desnecessária. Sorte de Allan que Édson Bastos defendeu o pênalti cobrado por Wagner.

O penoso da rodada
Felipe (SAN) – A falta foi até bem cobrada por Juca. A bola fez uma curva inesperada... mas entrou no meio do gol. O jovem goleiro do Santos foi muito mal na bola.

A expulsão exagerada da rodada
Augusto Recife (SCR) – Tudo bem que Augusto Recife merece ser expulso por definição. Mas ontem Giuliano Bozzano exagerou. O jogador do Santa parou uma jogada no meio-campo e merecia apenas cartão amarelo. O vermelho decidiu a partida a favor do Vasco e virtualmente rebaixou o Santa Cruz. Com 24 pontos... o Santinha só poderia perder um jogo (e ganhar os outros oito) para permanecer na Série A. Nem Fito Neves acredita nisso.

O passe da rodada
Zé Roberto (SAN) – O lance do terceiro gol do Santos foi inteiramente dele. Ele começou a jogada antes do meio-campo, tabelou com Rodrigo Tabata e achou um passe diagonal perfeito, no ponto futuro, deixando Reinaldo na cara do goleiro do Botafogo, Max. O que nos leva ao item seguinte.

O golaço da rodada
Reinaldo (SAN) – É golaço por causa da jogada acima citada. O toquinho de Reinaldo, por cima de Max, foi apenas a cereja no bolo.

O erro de arbitragem da rodada
Caro Leonardo Gaciba, a bola logo antes do primeiro gol do Flamengo. Por mais que meu amigo José Roberto Wright discorde... dizendo que a bola tem que sair "inteira", que a parte da bola no chão saiu mas a outra não.... na prática, os juízes sempre marcam a sensação. Normalmente, se 1/3 de bola cruza a linha... ela está fora. O erro, no caso, foi do auxiliar (que estava do outro lado com as redes a atrapalhá-lo). Em outras palavras - era complicado ver direito, há atenuantes. Mas se Gaciba e o auxiliar tivessem visto onde a bola realmente esteve... teriam marcado a saída dela.

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A entregada da rodada
Cléber Goiano (GOI) – O Goiás conseguiria manter sua invencibilidade se o volante não sofresse um lapso aos 40 minutos do segundo tempo... dominando a bola distraidamente, perdendo a redonda e permitindo o belo gol de Henrique.

O melhor jogador ofensivo da rodada
Ferreira (ATL-PR) – Uma atuação espetacular do colombiano no Parque Antártica. Correu o tempo todo, criando um inacreditável salseiro na defesa palmeirense. Hábil, veloz e inteligente, foi o melhor jogador em campo na rodada.

O pior jogador ofensivo da rodada
Nenê (SCR) – Dificilmente há alguém jogando pior na primeira divisão. Estático, letárgico e ruim... o atacante não tem acertado nem mesmo as cabeçadas. Os chutes então... que tristeza.

O melhor jogador defensivo da rodada
Fabiano Eller (INT) – Ele é o esteio da defesa do Internacional, que vem se recuperando no Campeonato Brasileiro. Eller tem excelente antecipação e tira perfeitamente os espaços adversários. E sabe sair para o ataque. Menção honrosa aqui para Fábio Brás (VAS), que é limitado tecnicamente, não prima pela flexibilidade... mas fez um gol de categoria contra o Santa Cruz. Tudo bem que no Arruda ele teve que marcar...

O pior jogador defensivo da rodada
Marinho (COR) – É um zagueiro que tem autoconfiança demais e atenção de menos. Falhou nos primeiro e no segundo gols do Flamengo. Zagueiro não pode ser distraído. Marinho tem um ar de Domingos da Guia e um currículo de Junior Baiano.

A frase da rodada
“Sou o jogador que mais arrisca e vou continuar arriscando”
Wagner, do Cruzeiro, comentando o pênalti que perdeu contra o Fortaleza ainda no primeiro tempo. Wagner é inteligente e tem personalidade... mas bateu mal.

A defesa da rodada
Bruno (FLA) - Uma defesa dificílima que poderia passar despercebida... porque não fez diferença. No meio do segundo tempo, o Flamengo vencia por 2 a 0 quando Gustavo Nery deu um chute cruzado, rasteiro, por entre as pernas do zagueiro Renato Silva. Bruno, o goleiro que o Corinthians não quis, lançou a mão no chão para desviar a bola... uma defesa rara.

O sarrafo da rodada
Triguinho (SCA) – Aos 23 minutos do primeiro tempo, o lateral do Azulão entrou de sola na barriga de Lucas, do Grêmio. Uma jogada violentíssima de uma burrice impressionante. O Grêmio agradeceu.

A estatística da rodada
Currículo de Hélio dos Anjos no São Caetano. Sete jogos, sete derrotas.

Cinco tiros indiretos

1 – A rodada teve dois belos jogos. O emocionante Botafogo 4 x 3 Santos no Maracanã (quem diria que a defesa do Santos, a menos vazada, levaria quatro gols sendo três de cabeça?) foi repleto de alternativas e teve grandes participações dos Zés Robertos. No Parque Antártica o Palmeiras foi buscar o empate no finzinho de uma partida de arrepiar.


2 – A briga pelas vagas na Libertadores pode parecer restrita a Santos, Paraná e Vasco. Mas esses times jogam entre si e ainda enfrentam Inter, São Paulo e Cruzeiro. Ou seja, a luta ainda está mais aberta do que parece. O Paraná, aliás, só tem mais um jogo fácil – contra o São Caetano, na penúltima rodada.

3 – Por falar no Azulão... esse silêncio tumular no Anacleto Campanela não é mais um jogo do São Caetano em casa... e sim a trilha sonora do rebaixamento anunciado. É hora de dizer que o estádio do São Caetano não terá a chance de ficar vazio na primeira divisão de 2007. O deserto arquibaldo do ABC ecoará seu silêncio na Segundona. O Azulão vem de sete derrotas consecutivas e não ganha desde 16 de agosto (Vasco 1 x 2 em São Januário). São 12 jogos sem vitória. O próximo jogo do São Caetano é contra o Botafogo no Maracanã. Em 2004, o Botafogo começou o Brasileirão com 11 jogos sem vitória, jejum quebrado justamente na 12a rodada contra... o Azulão no Anacleto. Para a torcida mais supertisciosa do planeta... não parece bom prenúncio.

4 – Mais desenganado que o São Caetano está o Santa Cruz. Duas derrotas em casa seguidas encomendaram o mausoléu do Santinha, que será oficialmente rebaixado em breve. Para evitar a queda, o tricolor pernambucano precisaria vencer nada menos do que oito dos nove jogos restantes. Se vencer sete... tem alguma chance. É milagre demais em que pese o nome do time.

5 – Em tese, Fluminense, Corinthians e Ponte Preta brigam para escapar da última vaga da degola. Mas o Fortaleza, com seus 28 pontos, é o rebaixável que vem jogando melhor. O time de Roberval Davino tem cinco jogos em casa e enfrenta nas próximas rodadas o Atlético-PR (provavelmente cansado) no Ceará... e o desanimado Santa Cruz em Recife. Depois, pega o Corinthians... em casa, no que promete ser um daqueles chamados jogos “de seis pontos”.


Seleção da rodada
Kleber (ATL-PR), Paulo Baier (PAL), Neguette (PAR), Fabiano Eller (INT) e Júnior César (BOT); Lucas (GRE), Zé Roberto (SAN), Ferreira (ATL-PR) e Zé Roberto (BOT); Aloísio (SPO) e Obina (FLA),

Selebaba da rodada
Felipe (SAN), Osmar (SCR), Marinho (COR), Sidraílson (SCR) e Triguinho (SCA); Cléber Goiano (GOI), Diguinho (BOT), Marabá (SCA) e Rosinei (COR); Rentería (INT) e Nenê (SCR).
Escrito em 16/10/2006
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