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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
Punição exemplar



Na próxima segunda-feira, em Nova Orleans, o Superdome (foto ao lado) receberá o primeiro jogo de futebol desde a tragédia provocada pelo furacão Katrina. Futebol americano, claro. Será uma partida emocional e emocionante – o New Orleans Saints receberá o Atlanta Falcons no estádio que serviu de abrigo para 15 mil pessoas durante a passagem do Katrina. Será uma celebração do resgate de New Orleans, do patriotismo americano, com o esporte servindo como cimento de uma cidade traumatizada que submergiu... e voltou à tona.

Para o intervalo, a NFL (National Football League) encomendou shows de astros do primeiro time: U2 e Green Day. O jogo e seus eventos são um pequeno exemplo de como os americanos exploram bem os significados do esporte profissional. Após o 11 de setembro, todos os times de futebol americano passaram a usar bandeirinhas do país desenhadas nos capacetes. Faço esse preâmbulo para comparar o profissionalismo de lá... com o de cá.

Se um atleta de qualquer liga profissional americana atacasse torcedores (e seus próprios seguranças) com cacos de vidro... ele dificilmente voltaria a jogar na temporada. Na esfera criminal, seria processado e provavelmente preso. Koren Robinson, wide receiver, era a principal contratação do Minessotta Vikings para a temporada. Flagrado dirigindo bêbado, foi sumariamente demitido. Afora as óbvias diferenças entre os sistemas penais lá e cá, os americanos levam bastante a sério a idéia de que os atletas são exemplos para a sociedade. São heróis modernos. São espelhos para inúmeros jovens que começam a formar suas idéias sobre o mundo.

Por isso foi inadmissível o comportamento de Fábio Costa na noite de ontem na Vila Belmiro. A começar pelo gesto ofensivo em campo – que por si só já mereceria expulsão e suspensão. Jogador de futebol tem que saber aturar vaias e ofensas. Faz parte de sua vida profissional. Seu erro mexe com a paixão alheia – algo irracional por definição. É compreensível que ele busque defender sua família. Mas não é compreensível atacar quem quer que seja – e acabar ferindo um segurança do próprio Santos.

Fábio Costa merece uma punição exemplar do STJD. Mas, como sabemos, esse é o mesmo tribunal que puniu o Grêmio (com a perda de oito mandos de campo) pelo vandalismo incendiário no Beira-Rio... e depois gentilmente reduziu a pena. A mensagem do tribunal foi simples: botar fogo no estádio adversário durante a partida vale três jogos sem torcida. Qual será a mensagem desta vez?

P.S. Nas ligas profissionais americanas, não há justiça esportiva. Cada liga tem um responsável pela área disciplinar que avalia cada caso e dá o veredicto. O acordo entre Liga e sindicato de atletas prevê que, quando um atleta se sentir injustiçado por alguma punição, ele poderá recorrer a um “árbitro” independente, que ouvirá as partes e mudará ou não a decisão. Aqui, temos nossa nobre, lenta e leniente marcha dos auditores. São 42 pessoas (nove do STJD, 19 das quatro comissões disciplinares e 14 procuradores) que servem de baliza para o esporte brasileiro.

O pênalti desnecessário da rodada
Foi a falta infantil de Renan (JUV) sobre Thiago Marin (BOT) no início do segundo tempo. Thiago, no máximo, iria cruzar pra área... foi aquela faltinha, que muito juiz ignora. Mas Antonio Hora Filho marcou.

A propaganda da rodada

Na noite chuvosa de quarta-feira no Maracanã, a camisa do Juventude anunciava a venda do DVD “A Profecia”. Os supersticiosos alvinegros talvez tenham se lembrado da final da Copa do Brasil de 1999.

O mico da rodada
Clemer foi traído pelo breve levantar de bandeira do auxiliar Roberto Braatz. Mas não poderia ter parado no lance... enquanto Marquinhos Paraná fazia o gol que deixou o Inter mais longe do título.

O golaço da rodada
Lançamento de Hugo para Lucas. O volante, grande revelação do Grêmio no campeonato, driblou o zagueiro... e bateu no canto. A fase é boa... e Lucas ainda ganhou uma amarelinha de presente.

A furada da rodada
Aos 25 minutos do segundo tempo em São Caetano do Sul, Thiago chutou... Mauro rebateu nos pés de Alex Dias... que conseguiu furar bisonhamente dentro da pequena área. Alex nem jogou mal... mas quando a fase é braba...

Gol estranho da rodada
Em quantos jogadores a bola bateu antes que o Corinthians empatesse o jogo contra o Vasco? Deve ter sido o gol mais coletivamente insólito da história... Bota bate-rebate nisso. Menção honrosa para o gol de Richarlysson contra o São Caetano... num lance, aliás, em que Thiago atrapalhou o goleiro Mauro... e me pareceu impedido.

O penoso da rodada
O “catar-borboletas” de Fábio Costa pôs o gol contra na conta de Luiz Alberto. Mas a falha foi do goleiro. Que aliás ganha outros troféus:

A frase da rodada
O Tite tem que calar a boca e parar de reclamar do árbitro. O Palmeiras jogou um futebol medíocre” – Salvador Palaia, dirigente palmeirense. Com um apoio desses, Tite não precisa de inimigos.

A frase da rodada 2.0

“Não falo a respeito pela grandeza que o Palmeiras tem” – Tite, respondendo sem responder com luva de pelica.

O gol perdido da rodada
Geovanni recebeu livre, cara-a-cara com o goleiro Bruno... e chutou mal. Bruno defendeu, a bola subiu e voltou na cabeça de Wagner... que de primeira mandou... raspando a trave. O Flamengo agradeceu a gentileza cruzeirense e, pouco depois, fez 1 a 0.

A defesa da rodada
Cruzamento de Juan, cabeçada de Obina à queima-roupa... e Fábio conseguiu fazer um milagre. Na sobra, Fernando ainda chutou para fora. Apesar da derrota do Cruzeiro, Fábio teve ótima atuação no Maracanã. Menção honrosa para a espetacular defensa de ponta de dedo de Marcelo, goleiro do Corinthians, numa cabeçada de Ramon no segundo tempo no Pacaembu.

Cinco tiros indiretos

1 – O gol do Flamengo saiu... nas costas de Gabriel. Um lance em que o lateral deixou a brecha exata para o avanço de Léo Medeiros.

2 – Para manter a esperança no milagre, o Santa Cruz tem que vencer o Juventude, no domingo, no Mundão do Arruda. O time vem brigando muito, jogando com raça... e ontem mereceu o resultado contra o Palmeiras.

3 – Foi impressionante a leniência do Goiás no segundo tempo contra o Atlético-PR. O time paranaense dominou amplamente o meio-campo, ganhou quase todos os rebotes. O empate foi mais do que justo.

4 – Se os atacanttes do Vasco tivessem um pouquinho mais de pontaria, o time carioca teria vencido o Corinthians. Destaque mais uma vez para o incansável Jean, que tem jogado bem com... e sem a bola. Ele é peça fundamental no esquema de marcação carrapato de Renato Gaúcho, pois é um raro atacante que marca bem e perturba o início das jogadas do adversário.

5 – O Grêmio dirá se vai brigar mesmo pelo título nas próximas cinco rodadas, onde só terá jogos dificílimos.O primeiro será domingo, no Serra Dourada, contra um desesperado Goiás. Depois virão Palmeiras (em casa), Santos e São Caetano (ambos fora) e o esperado confronto contra o São Paulo... no Olímpico.

Seleção da rodada:
Fábio (CRU), Peter (PAR), Juninho (BOT), Fabão (SPO) e Jadílson (GOI); Andrade (VAS), Lucas (Grêmio), Renato (Flamengo) e Hugo (GRE); Jean (VAS) e Soares (FIG).

Selebaba da rodada:
Fábio Costa (Santos), Emerson (FOR), André Luiz (CRU) e Patrick (FOR); Nei (PON), Renan (JUV), Fernando (FLU), Juliano (GOI) e Bill (BOT); Geovanni (CRU) e Vélber (PON).

Escrito em 22/09/2006
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Os melhores cambistas do mundo



Nesta segunda-feira, este espaço muda um pouco de foco para falar de ética. Ou da falta dela. No último sábado uma notinha no GLOBO e uma reportagem na FOLHA DE S.PAULO deram conta do mais recente pepino ético da Fifa. Há algum tempo, o repórter inglês Andrew Jennings vem publicando provas do abismo moral em que militam alguns membros da entidade, em especial pelo presidente da Concacaf (a confederação que reúne Américas Central e do Norte), Jack Warner. Pouco antes da Copa, Jennings publicou “Foul!”, um livro devastador sobre a alta cartolagem. O livro (imagem ao lado) se chama "Falta! Como cartolas armam, embolsam subornos, forjam eleições e ganham dinheiro vendendo ingressos da Copa do Mundo". Não por acaso, Jennings foi declarado persona non grata pela FIFA.

Na semana passada, o repórter inglês publicou duas páginas no Daily Mail, provando que Warner e seu filho Daryan ganharam nada menos que US$ 500 mil vendendo ingressos da última Copa do Mundo. A reportagem, que pode ser lida aqui (Reportagem.pdf), mostra que a auditoria da Ernst & Young, contratada pela própria Fifa, apanhou Warner com a goela na botija. E olha... é uma goela enorme.

Em 2005, Warner (foto ao lado) foi obrigado a se explicar numa reunião do Comitê Executivo da Fifa porque, muito distintamente, a Federação de Trinidad y Tobago (a TTFF, presidida por ele) deu a exclusividade da venda de pacotes da Copa para a agência de turismo Simpaul – cujo dono... era ele mesmo. No Comitê, Warner disse que tinha cometido um erro. Um errinho. E que se afastou prontamente da companhia. Tudo bem que a relação entre a Sinpaul e a TTFF tinha 19 anos, um detalhe. Tudo bem também que seu filho, Daryan Warner, continuou como diretor-geral da Sinpaul – outro detalhe. O Comitê de Ética não se importou tanto.

Então 2006 chegou. E Jennings descobriu que a Simpaul foi utilizada pelos Warners para vender ingressos no mercado negro. Venderam ingressos para o Japão, para a Inglaterra e para o México. A Ernst & Young obteve e-mails de Daryan Warner comprovando as transações. Mas o apetite monetário não estava saciado. Durante a Copa, Warner pai pediu 292 ingressos à Fifa que foram revendidos por Warner filho sem a menor preocupação. Não há um cambista no mundo melhor que Warner pai e Warner filho.

A reportagem de Jennings serve um fresco pepino para o Comitê de Ética da Fifa. Durante a Copa na Alemanha, a Fifa puniu o africano Ismail Bhamjee, presidente de honra da Federação de Botswana, flagrado vendendo ingressos sem a menor vergonha. Bhamjee era membro do Comitê Executivo da entidade - foi forçado a renunciar e instado a "deixar a Alemanha o mais rápido possível".

Mas Bhamjee, embora membro do comitê executivo da entidade, era um peixe menor. Warner é um tubarão que controla os 35 votos da Concacaf, votos estes que sempre estiveram depositados na urna de Joseph Blatter. O que acontecerá com ele? Provavelmente nada. Em 2002, Jennings já havia demonstrado que Warner embolsou US$ 350 mil vendendo ingressos. E nada aconteceu. O porta-voz da Fifa informou ao Daily Mail, jornal de Jennings, que o assunto seria debatido pelo novo Comitê de Ética a pedido do próprio Warner.

Quem se interessar mais pelo tema, recomendo uma visita ao ótimo site www.transparencyinsport.org. Lá é possível baixar os relatórios da Ernst & Young e também a transcrição do encontro do Comitê de Ética da Fifa, em fevereiro de 2005, em que as explicações mais inacreditáveis são fornecidas, aceitas e comentadas. Andrew Jennings (foto ao lado) é o jornalista que publicou três livros sobre a corrupção no Comitê Olímpico Internacional (a começar por Lords of the Rings – Os Senhores dos Anéis) na década passada.


Escrito em 19/09/2006
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A enorme massa intermediária



Faltam 14 rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro. E se podemos desconfiar que o título ficará entre São Paulo, Grêmio, Inter e Santos... o resto do campeonato permanece uma enorme interrogação. O equilíbrio da massa intermediária que começa no Vasco (36 pontos) e termina no São Caetano(26 pontos) é impressionante. São 13 times que podem estar disputando vagas na Libertadores, na Sul-Americana e na primeira divisão.

São treze times separados por apenas dez pontos. Em quatro rodadas, o São Caetano, antepenúltimo colocado, pode ultrapassar o Vasco, quinto colocado. Nada menos que seis times estão empatados com 30 pontos. O Botafogo, que há duas rodadas era o nono colocado, hoje é o décimo-sexto, o primeiro com a cabeça fora d’água. Se o Campeonato Brasileiro terminasse hoje, o Vasco estaria classificado para a Libertadores da América. O Goiás, com apenas sete pontos a menos, estaria rebaixado para a segunda divisão.

O Brasileirão-2006 redefiniu o conceito de equilíbrio. É razoável concluir que Santa Cruz e Fortaleza dificilmente escaparão da degola. O Santa, em especial, precisa de uma coleção de milagres – está a 12 pontos da superfície. Em tese, em quatro rodadas... o time pernambucano pode chegar aos 30 pontos – que é a pontuação atual do Botafogo. Mas o Santa precisaria reagir ontem.

Os matemáticos indicam que com 48 pontos... a salvação é garantida. Com 47, as chances são muito grandes. O Santa precisaria de dez vitórias em 14 jogos. Difícil acreditar na possibilidade. Mas, se a receita matemática está correta, os times que têm 30 pontos... precisariam fazer apenas 18 nos 42 restantes para se safar. Seis vitórias. Cinco vitórias e três empates. Ou quatro vitórias e seis empates. O Goiás, então, precisaria de um pouco mais: seis vitórias e um empate.

Mas... será que os “48 mágicos pontos” valerão mesmo? No Campeonato do equilíbrio, nada é certo. Muito por isso, Botafogo e Goiás – que tem empates demais e vitórias de menos – devem botar as barbas profundamente de molho.


O zero-a-zero emocionante da rodada

Vasco x Goiás não teve gols, mas não foi por falta de oportunidade. Moraes e Diego perderam gols inacreditáveis. Harley e Cássio tiveram grandes atuações.

O passe da rodada
O toque de letra de Amoroso que inventou o gol da vitória corintiana no Pacaembu. O gol pode ter sido de Magrão, mas seu autor intelectual foi Amoroso. O passe de Léo Lima para o segundo gol de Rômulo, do Grêmio, merece menção honrosa. E a assistência de Ilsinho para Júnior, no segundo gol do São Paulo, completa o pódio.

O sarrafo da rodada
O chute de Júnior César no peito de Hugo. Um segundo de cólera... e o Botafogo perdeu seu lateral esquerdo para a próxima rodada. O arrependimento de Júnior César foi instantâneo... e ainda assim tardio.

O time inacreditavelmente sortudo da rodada
Atlético-PR. Dois gols improváveis, sendo o segundo aos 48 minutos do segundo tempo, garantiram uma vitória até certo ponto injusta contra o lanterna guerreiro, o Santa Cruz. No primeiro gol, Michel chutou prensado, a bola bateu na canela de Marcos Aurélio e entrou. No segundo, Danilo parou a bola (involuntariamente) com a mão... e deu um toque de calcanhar que acabou nos pés de William. E os torcedores do Santa ainda enxergam Sport e Náutico liderando a Série B.

O time inacreditavelmente azarado da rodada
Três bolas na trave do Cruzeiro só no segundo tempo. O Palmeiras não merecia perder no Mineirão.

O golaço da rodada
Marcelo fez grande jogada, tocou de calcanhar nos pés de Petkovic, que driblou dois jogadores do Figueirense e tocou de leve, de leve... na saída do goleiro do Figueirense.

A jogada bisonha da rodada
O bico pro alto de Fábio Costa no fim do jogo contra a Ponte Preta. O goleiro do Santos, que fez duas ótimas defesas antes, esteve perto de fazer uma lambança que deixaria William do Botafogo com inveja.

O outro golaço da rodada
Rinaldo driblou três zagueiros do Flamengo e bateu no ângulo de Bruno. Um golaço do artilheiro carequinha do Fortaleza.

A frase da rodada
“Os dois melhores times, que vem jogando o melhor futebol, são Figueirense e Grêmio. Não estou falando de ganhar, mas sim de jogar futebol, com time acertado, peças encaixadas. O Grêmio não é surpresa nenhuma, é um time mais que perigoso” – Muricy Ramalho, técnico do São Paulo.

A frase da rodada 2.0
“Comigo, ele vai ter um pouco de problema se continuar muito enfeitado” – Mano Menezes, técnico do Grêmio, comentando sobre Léo Lima.

A frase da rodada 3.0
“Agora aprendi, não vou mais ser cordeirinho” – Tite, técnico do Palmeiras, dizendo que de agora em diante passará a reclamar da arbitragem.

A entregada inacreditável da rodada
O Fortaleza sofreu três gols do Flamengo mas não desistiu. Correu atrás, fez dois gols... e Gláuber bateu um lateral nos pés de Obina, gentilmente cedendo o quarto gol para o Flamengo – que acabou sendo o gol da vitória.

O pênalti não marcado da rodada
No último minuto no Castelão, Fernando deu uma banda em Dezinho na área do Flamengo. Uma pessoa não viu no estádio: o juiz Paulo César de Oliveira. Ele também não viu o pênalti de Allan em Renato Augusto, no primeiro tempo. Mas a pernada de Fernando foi aquele pênalti de jogador grosso – que PC Oliveira só não marcou porque não quis.

O pênalti criminosamente não marcado da rodada
Mas... os pênaltis no Castelão nem foram os piores da rodada. No Moisés Lucarelli, Alício Pena Júnior conseguiu não ver pênalti no carrinho de Thiago Mathias sobre Rodrigo Tiuí na área da Ponte Preta. O jogo estava 0 a 0... e o Santos foi prejudicadíssimo. Foi um dos pênaltis mais clamorosos do Campeonato.

A frase da rodada 4.0
“A gestão dos cartões foi danosa para o nosso time” – Marco Aurélio Cunha, supervisor do São Paulo, fazendo uso de seu melhor lazarês.

O melhor atacante da rodada
Rômulo, do Grêmio, fez três gols e infernizou a zaga do Botafogo.

O pior atacante da rodada
Wando, do Botafogo. Durante 45 minutos conseguiu uma proeza: 100% de ruindade. Perdeu todas as bolas que teve nos pés. Que coisa horrorosa.

O melhor zagueiro da rodada
Evaldo, do Grêmio, com seu rosto de gárgula da Catedral de Notre-Dame, tem mostrado potencial ofensivo e segurança defensiva.

O pior zagueiro da rodada
Gláuber, do Fortaleza, o homem do lateral, ganha o troféu com vários corpos de vantagem, deixando Asprilla, do Botafogo, que falhou nos dois gols de escanteio do Grêmio, na segunda posição. André Luiz, do Santos, pela estupidez no pênalti... fica num distante terceiro lugar.


Cinco tiros indiretos

1 – O Flamengo tentou muito perder um jogo ganho no Castelão. E, não fosse a gentil interpretação de PC Oliveira no último lance do jogo, provavelmente conseguiria. E terminaria a rodada na zona de rebaixamento.

2 – Ao que parece, o único time com embalo suficiente para tirar o título do São Paulo é o Grêmio. O tricolor gaúcho enfrenta a Ponte Preta em casa na próxima rodada, enquanto o tricolor paulista pega um fio desencapado em São Caetano. Depois das derrotas de ontem, Inter e Santos correm por fora. O Inter, que tinha jogado tão bem contra o Atlético-PR, perdeu ontem a partida que não poderia perder. O São Paulo, mesmo com dez, ganhou todas as divididas que não havia ganho contra o Corinthians. E foi oportunista - no gol de Lenílson, três zagueiros do Inter não conseguiram impedir a cabeçada do único atacante tricolor na área. E Iarley perdeu um gol que não poderia perder.

3 – Há duas rodadas, o Botafogo estava a seis pontos da zona de rebaixamento na nona posição. Duas rodadas são mesmo uma eternidade. Para fugir do fantasma, o campeão carioca vai precisar vencer nas próximas rodadas – quando terá três partidas no Rio de Janeiro

4 – A queda livre do Figueirense: nas últimas oito rodadas, apenas uma vitória. E sobre o Santa Cruz. O remédio caseiro para os males do Figueira está a caminho: nas próximas cinco rodadas, o alvinegro joga quatro vezes no Orlando Scarpelli.

5 – E... quem diria... o Corinthians pode começar a sonhar com Libertadores. O time, afinal, tem elenco e talento. Ao que parece, as apostas em Amoroso e Magrão já deram certo. Mas... assim como seus outros cinco companheiros de 30 pontos... é bom tomar cuidado com qualquer empolgação.


Seleção da rodada:
Harley (Goiás), Ilsinho (São Paulo), Evaldo (Grêmio), Fabão (São Paulo) e Diego (Vasco); Josué (São Paulo), Lenílson (São Paulo) e Hugo (Grêmio); Tuto (Ponte Preta), Rômulo (Grêmio) e Obina (Flamengo).

Selebaba da rodada:
Albérico (Fortaleza), Domingos (Santos), Gláuber (Fortaleza), Dezinho (Fortaleza); Anderson Lima (São Caetano), Alê (Botafogo), Bruno Lança (Santa Cruz), André Luiz (Santos)Júnior César (Botafogo); Wando (Botafogo) e Schwenck (Figueirense).
Escrito em 17/09/2006
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