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Perfil

Gustavo Poli

Jornalista, 34 anos

Carioca, jornalista há 13 anos, trabalhou nos jornais O Globo e Lance! e está desde 1998 na TV Globo. Cobriu as Copas de 98 e 2002 e é co-autor do bem-humorado "Manual do mané" (Editora Planeta, 2003) e do "Almanaque do futebol" (Casa da Palavra, 2006).

E-mail: gustavo.poli@globo.com
Pequeno guia matemático


Como esta coluna é voltada primeira e enfaticamente para o Campeonato Brasileiro, ela normalmente passa ao largo de campeonatos outros. Teremos exceções, claro, quando o evento pedir. Hoje, porém, é dia de se debruçar sobre a tabela do Brasileiro.. e especular. Especular livremente. Por isso, preparamos aqui um pequeno guia matemático.

Faltam 16 jogos, 48 pontos a serem disputados. A não ser para quem teve partidas adiadas (São Paulo, Internacional, Atlético-PR e Paraná, que ainda disputarão 17 partidas e 51 pontos). O cenário do Brasileirão 2006 ainda não está muito nítido. Mas não soa nada nostradâmico dizer que o título vai ser disputado entre São Paulo, Santos e Internacional, com alguma chance menor para o Grêmio. Nostradâmico será adivinhar quem cai... e quem vai para a Libertadores – uma vez que, assumindo que o Inter acabará entre os quatro primeiros, a América se estenderá até o quinto colocado.

Para trazer uma luz sobre essas questões, não custa fazer um pequeno périplo intercontinental e dar uma olhada no histórico de outros campeonatos com 20 clubes. Campeonatos nos quais foram disputados os mesmos 114 pontos do Brasileirão-06. Viajemos então até Espanha, França e Inglaterra, começando pela parte de cima da tabela. Abaixo, os campeões recentes de cada país e seu percentual de aproveitamento:

Espanha:
2005/06 – Barcelona – 82 pontos – 71,9% de aproveitamento
2004/05 – Barcelona – 84 pontos – 73,6%
2003/04 – Valencia – 77 pontos – 67,5%
2002/03 – Real Madrid – 78 pontos – 68,4%

Inglaterra:
2005/06 – Chelsea – 91 pontos – 79,9%
2004/05 – Chelsea – 95 pontos – 83,3%
2003/04 – Arsenal – 90 pontos – 78,9%
2002/03 – Manchester United – 83 pontos – 72,8%

França:
2005/06 – Lyon - 84 pontos – 73,6%
2004/05 – Lyon – 79 pontos – 69,2%
2003/04 – Lyon – 79 pontos – 69,2%
2002/03 – Lyon – 68 pontos – 59,6%

A comparação serve como baliza, mas deve ser observada com cuidado. O Campeonato Brasileiro é muito mais equilibrado do que as ligas européias – nas quais as potências do G-14 dominam seus países financeira e tecnicamente. O percentual de aproveitamento do Chelsea em 2004/2005, por exemplo, é estratosférico. O time perdeu apenas 19 pontos em 114 possíveis.

Vejamos os índices dos campeões brasileiros por pontos corridos desde 2003 (lembrando que o número de times variou):

Brasil:
2003 – Cruzeiro – 72% (24 times)
2004 – Santos – 64% (24 times)
2005 – Corinthians – 64% (22 times)

E agora... os índices dos líderes do Brasileirão-06:

Brasileirão 2006:
1) São Paulo – 67%
2) Inter – 59%
3) Santos – 58%
4) Grêmio – 58%

O equilíbrio do Brasileirão se acentua com a redução no número de times. Com 20 equipes... a calculadora sugere (mas não garante) que o título ficará com um alguém que tenha entre 60% e 75% de aproveitamento. Apenas o São Paulo está nesse patamar. Isso significa algo entre 68 e 85 pontos. Inter, Grêmio e Santos precisam fazer um segundo turno melhor do que o primeiro... se quiserem sonhar com o caneco. Tudo bem que para chegar a essa conclusão não é necessário nem um ábaco.



Enquanto isso... no cadafalso

Outra análise interessante é a que rima aproveitamento e rebaixamento. Na França, na Espanha e na Inglaterra caem três times por ano – o que muda um pouco a matemática do desespero. Lá, o décimo-sétimo colocado não cai – enquanto aqui ele é o primeiro da degola. De todo modo, para efeito de comparação, vale dizer que a 17a posição em quase todos os torneios com 20 times oscila basicamente entre 38 e 44 pontos (entre 33% e 39% de aproveitamento).

No Brasileiro, desconsiderando 2003 (quando só foram rebaixados dois times – Bahia e Fortaleza), o primeiro time a se salvar teve respectivamente:


2004 – Botafogo – 51 pontos – 37%
2005 – Ponte Preta – 51 pontos – 40%

E o primeiro a cair:

2004 – Criciúma – 50 pontos – 36%
2005 – Coritiba – 49 pontos – 39%

Hoje, a zona de rebaixamento começa com o Flamengo e seus 24 pontos (36% de aproveitamento). Ou seja, de calculadora na mão, a sugestão para quem não quer ser rebaixado é cravar pelo menos 40% de aproveitamento (46 pontos) ou 41% (47 pontos). Mas... talvez nem isso seja suficiente... dado o equilíbrio e o nivelamento do BRasileirão. possível que as calculadoras se quebrem na reta final. Mas... consideremos que 47 pontos garantam a fuga do patíbulo.

Faixa do Desespero
Santa Cruz - 18 pontos
Precisa fazer 29 pontos em 48 possíveis. Ou seja, o Santa só pode perder 19 pontos... sendo que jogará 24 pontos em casa.... e 24 pontos fora. Uma situação, claro, pra lá de complicada.

Fortaleza – 22 pontos
Precisa de 25 pontos em 48 – 50% de aproveitamento. Não pode perder mais que oito jogos. Levando em conta que venceu apenas quatro vezes até agora... um cenário ideal seria de seis vitórias e sete empates.

Faixa do CTI
Ponte Preta e Flamengo – 24 pontos
Precisam de 23 pontos em 48. O Flamengo joga nove jogos no Rio, mas três deles são clássicos (o primeiro neste domingo contra o Botafogo), nos quais o mando de campo perde o sentido. A Ponte joga nove partidas em casa e sete fora. Mínimo de vitórias necessário para chegar a 47 pontos: cinco (com onze empates e nenhuma derrota) ou seis (com cinco empates).

Faixa da Emergência

Corinthians e São Caetano – 26 pontos
Precisam de 21 pontos ou sete vitórias. Quatro vitórias e nove empates também resolvem. Assim como cinco vitórias e seis empates.

Faixa de Transição

Palmeiras e Goiás – 27 pontos
Precisam de 20 pontos, o que não parece difícil em 16 jogos. São cinco vitórias e cinco empates. Ou quatro vitórias e oito empates. Ou seis vitórias e dois empates. O Palmeiras tem nove jogos em casa – mas dois deles são clássicos contra São Paulo e Corinthians.

Atlético-PR – 27 pontos
Tem um jogo a menos do que os rivais verdes. Precisa dos mesmos 20 pontos. Joga nove vezes na Arena da Baixada e apenas sete fora. Se conseguir seis vitórias e dois empates... chega ao número mágico.


Faixa de Relativa Tranqüilidade

Juventude – 29 pontos
Precisa de 18 pontos, seis vitórias em 16 jogos. Nas duas próximas rodadas, recebe São Caetano e Cruzeiro no Alfredo Jaconi. Duas vitórias... e a respiração em Caxias do Sul ficará bem mais tranqüila.

Botafogo e Fluminense – 30 pontos
Precisam de 17 pontos em 16 jogos. Cinco vitórias e dois empates. Ou, quem sabe, três vitórias e oito empates.



Faixa da Probabilidade Improvável


Paraná e Cruzeiro – 31 pontos
Precisam de 16 pontos. Cinco vitórias e um empate. Ou até 16 empates. Vão precisar trabalhar muito pra cair. O que demonstra a boa campanha do Paraná. Mesmo com quatro derrotas consecutivas, o time ainda está numa posição confortável.

Figueirense – 32 pontos
Precisa de 15 pontos em 16 jogos, sendo oito deles no Orlando Scarpelli... com Soares e Schwenck funcionando bem... difícil acreditar que a carruagem do Figueira vá virar abóbora.

Vasco – 34 pontos
É mais fácil um certo ex-deputado emagrecer do que a nau da colina ser torpedeada. Com 13 pontos, o time de Renato Gaúcho garante 41% de aproveitamento. Vitórias fora de casa contra Santos e Inter autorizaram o Vasco a sonhar com a Libertadores – apesar das limitações do time.
Escrito em 07/09/2006
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Vento Sul


Este humilde servo do leitor foi espancado na última semana por uma furiosa horda de gremistas, irados com o vácuo de comentários sobre a campanha do tricolor gaúcho no Brasileirão. Logo o Grêmio, que outro dia aqui foi classificado de surpresa do ano. Mas o leitor sempre tem razão. Ajoelhemos no milho virtual. O Grêmio merece atenção – não é todo dia que um time vence sete jogos em oito rodadas. Uma semana se passou e o tricolor gaúcho não mudou de marcha.

Neste domingo, a vitória sobre o Paraná na retomada do Olímpico foi aquela típica vitória gremista – sem grande brilho, com grande força. O Grêmio, como diz Eduardo Bueno, o Peninha, se orgulha de ser uma ode ao volante de contenção. Os gaúchos – como de resto todo torcedor fanático – têm particular orgulho do ladrão raçudo de bola. Esse Grêmio é baseado nisso – em jogadores que brigam e muito pela bola – volantes como Lucas e Jeovânio. Esse Grêmio, sobretudo, é curtido pela experiência da Segundona, aquele trauma que inflama pele e torcida.

E é, também, um Grêmio oportunista, especializado em bolas paradas. A vitória de ontem veio num escanteio cobrado por Tcheco. E num pênalti cobrado por... Tcheco. O Paraná marcou seu gol também de bola parada (falta cobrada por Ângelo). Com 38 pontos, é tempo de perguntar: será... que o Grêmio pode sonhar mais alto? Pode pensar em disputar o título?

A resposta é seca: dificilmente. Falta talento. O tricolor gaúcho tem, segundo seu próprio técnico, um time médio. Mas uma vaga na Libertadores já valerá o ano gremista. Não só por pular da Segundona para a América, como também para discutir em pé semelhante com uma certa outra torcida do Sul.

Essa certa outra torcida, aliás, voltou a comemorar. Desfalcado e desmontado, o Inter buscou seis pontos fora de casa na semana e recalibrou seus canhões. Abel diz que o time, Mundial à parte, vai brigar pelo título brasileiro. Título que o Beira-Rio não vê desde 1979. Mesmo sem jogar uma grande partida, o Inter venceu o Flamengo no Maracanã e segue no encalço do São Paulo. Que, aliás, recuperou fora de casa contra o lanterna... os pontos perdidos em casa para o vice-lanterna.

Com a sova do Santos sobre o Palmeiras, a briga pelo título segue acesa. O São Paulo acumulou uma mínima quantidade de gordura – quatro pontos sobre o Santos e Grêmio (que podem ser sete)... cinco sobre o Inter (que também tem um jogo atrasado). Mas, na próxima rodada, o tricolor paulista encontra o Corinthians de Leão, que certamente vai afiar as garras para tirar uma casquinha do líder.


A entregada da rodada
Empate técnico entre Paulo Baier, que armou a jogada do terceiro gol do Santos, e Juan, que perdeu a bola no meio-campo e cedeu o gol de empate ao Internacional no Maracanã.

A defesa da rodada
Com a partida empatada sem gols no Serra Dourada, Christian chutou uma bola que desviou na zaga do Goiás... e enganou Harley. Mas o goleiro do Goiás conseguiu se recuperar e espalmar no contrapé... a bola sobrou para Leandrinho que chutou forte, mas Harley se recuperou a tempo de abafar numa defesa espetacular.

O momento sincero da rodada
Aconteceu no Maracanã. O bandeirinha Roberto Braatz marcou um impedimento absolutamente inexistente contra o Internacional. Aato contínuo... olhou para o técnico Abel e balbuciou constrangido: “Errei”. Comovente.

O pênalti mandrake da rodada
Rubens Junior jogou a bola na frente e desmontou. Sálvio Spínola sucumbiu à pressão do Pacaembu e marcou, ajudando e bastante o Corinthians contra a Ponte Preta.

O pênalti jumento da rodada
Que mistério do cérebro humano fez Vinícius, do Figueirense, dar uma cortada num cruzamento despretensioso cruzamento do Cruzeiro aos 44 minutos do segundo tempo no Mineirão? O pênalti garantiu o empate para o time mineiro.

O pênalti bem marcado da rodada
O Paraná reclamou, esperneou e gritou. Mas Wallace Valente apitou com precisão o pênalti a favor do Grêmio no Estádio Olímpico. O último toque de Pierre, aquele que derrubou Rafinha, aconteceu dentro da área. O pé do jogador do Paraná deslizou no gramado e tocou no último instante, qunado o pé de Rafinha já pisava a linha da área. É aquele tipo de lance em que o juiz costuma marcar fora da área para minimizar seu risco. Parabéns para Wallace Valente.

A zebra da rodada
Nem o mais alvinegro entre os alvinegros poderia esperar a surra que o Botafogo aplicou no Atlético-PR na Arena da Baixada. Uma vitória simples já seria mais do que bem-vinda... mas 5 a 0? Lima no Botafogo: dois jogos, quatro gols. O Botafogo não só está jogando COM Lima... como está jogando SEM Felipe Adão nem Marcelinho.

O frango light da rodada
Tudo bem que a barreira abriu, a bola quicou... mas a falta cobrada por Rogério Ceni não foi muito forte... Guto, goleiro do Santa Cruz, tinha obrigação de defender.

O frango calórico da rodada
A falta cobrada por Juninho até foi forte... mas goleiro da primeira divisão não pode bater roupa como fez Kleber, do Atlético-PR, no primeiro gol do Botafogo. Lima não comemorou, mas agradeceu.

O fato nada incomum da rodada
O Corinthians ganhou com um pênalti maroto, garoto, travesso. E Leão não reclamou da arbitragem. Imagines-se o inverso.

A frase da rodada
“Jogador de Série B é jogador de Série B. Jogador de série A é jogador de Série A – renovamos todo o elenco do ano passado e isso foi um erro” – Romerito Jatobá, presidente do Santa Cruz.

A frase da rodada 2.0
“O Fluminense jogou para não perder e por isso teve melhores chances no contra-ataque” – Renato Gaúcho, técnico do Vasco. Mas peraí Renato. Não seria essa a tática que o Vasco vem usando há duzentas eras?

A colisão da rodada
Meio do segundo tempo no Pacaembu... a bola sobra na frente da área da Ponte Preta... o juiz Sálvio Spínola recua... o estiloso Roger avança... Salvio não tem retrovisor... Roger só olha para a bola... a colisão, o susto! Mais tarde, o Timão se vinga: Rafael Moura tenta aliviar a bola na defesa e acerta a cabeça do bandeirinha.

O drible da rodada
O desconcertante come de Edmundo em Maldonado antes do gol do Palmeiras na Vila Belmiro. Foi curto, seco e descadeirou o bom marcador chileno. De quebra, na seqüência, Edmundo deixou Juninho em ótimas condições para empatar o jogo.

O golaço da rodada
Chato para o Palmeiras é que, minutos depois, Luiz Alberto encontrou um raro gol com extrema inteligência e felicidade, depois da falta cobrada por Rodrigo Tabata. Um toque sutil com alguma plasticidade.

A arrancada da rodada
Zé Roberto pegou a bola no meio-campo, driblou três jogadores do Atlético-PR, e rolou para Reinaldo fazer o segundo gol do Botafogo na Arena da Baixada.

O jogo ruim da rodada
O primeiro tempo de Fluminense x Vasco do Maracanã... foi de dar sono em coelhinho da Duracell. No segundo, houve uma ligeira melhora. Bastante ligeira.

O jogo muito ruim da rodada
O espetáculo sem gols nem melhores momentos entre São Caetano e Fortaleza, no Anacleto Campanela, foi testemunhado por 765 pagantes.

A imagem da rodada
A impressionante torção de Gustavo Gaúcho, do São Caetano, no Anacleto Campanella. É aquela típica cena do tornozelo virando... dá quase para sentir a dor.

O gol perdido da rodada
Osmar, do Fluminense, aos 44 minutos... conseguiu acertar o travessão chutando quase da pequena área depois de bom passe de Tuta...

O outro gol perdido da rodada
O Internacional acabara de empatar a partida quando Walter Minhoca recebeu diante de Clemer. E resolveu encobrir o goleiro colorado com um toquinho de categoria. Jogou a bola para fora... e o Inter virou a partida logo depois.

Em queda livre
Paraná – Quatro derrotas seguidas, embora não tenha jogado mal contra o Grêmio.
Palmeiras – Últimos seis jogos: quatro empates, uma vitória e uma derrota. Sete pontos em dezoito.

Em franca ascensão:
Botafogo – Quatro vitórias consecutivas e a zona de rebaixamento está a seis pontos de distância. Que diferença um bom jogador não faz....
Corinthians – Duas vitórias seguidas... o campeão brasileiro movido a Leão respira... a Fiel tem sido o combustível da retomada.
Internacional – Passada a ressaca da Libertadores, duas vitórias fora de casa seguidas fazem o campeão da América voltar a sonhar com um título que não vê desde 1979.

A seleção da rodada:
Harley (Goiás), Dênis (Santos), Juninho (Botafogo), Luiz Alberto (Santos) e Kleber (Santos); Josué (São Paulo), Tcheco (Grêmio) e Fernandão (Internacional); Wellington Paulista (Santos), Reinaldo (Botafogo) e Thiago (São Paulo).

A baba da rodada:
Kleber (Atlético-PR), Paulo Baier (Palmeiras), Vinícius (Figueirense), André Rocha (Atlético-PR) e Juan (Flamengo); Paulinho (Flamengo), Francis (Palmeiras), Christian (Atlético-PR) e Walter Minhoca (Flamengo); Joelson (Paraná) e Faioli (Vasco)
Escrito em 04/09/2006
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