O futuro 2.0, uma atualização
Depois de 40 dias na Alemanha, a memória anda falhando. Agradeço aos recentes amigos do blog pela lembrança de alguns nomes de futuro para a Seleção. Entre parêntesis, vale repetir, a idade que o jogador terá em 2010.
Volantes: Dudu Cearense (CSKA - 27 anos) e Lucas Leiva (Grêmio - 23 anos).
Apoiadores: Morais (Vasco - 26 anos).
Atacantes: Vágner Love (CSKA - 26 anos) e Daniel Carvalho (CSKA - 27 anos) e Kerlon (Cruzeiro - 22 anos).
Escrito em 02/07/2006
Bola de cristal vitaminada
Num exercício de futurologia, especulemos. Aticemos a bola de cristal virtual para tentar ver o que será da Seleção Brasileira na Copa da África do Sul. Faltam quatro anos. O treinador, qualquer Nostradamus de botequim dirá que não vai se chamar Carlos Alberto. Mas isso é tema para depois. Vamos falar de quem entra em campo. Comecemos pelos 24 jogadores selecionados para 2006 (Edmílson + 23). Entre parêntesis, a idade do jogador na próxima Copa (em junho de 2010).
Quem sai: Cafu (40), Roberto Carlos (37), Gilberto (34)
Quem dificilmente fica: Juninho (35), Cris (33), Emerson (34), Rogério Ceni (37), Zé Roberto (36), Gilberto Silva (34), Edmílson (34), Ricardinho (34) e Mineiro (34).
Quem até pode ficar: Dida (37), Ronaldo (33), Luisão (29)
Quem deve ficar: Lúcio (32), Juan (31), Ronaldinho Gaúcho (30) Adriano (28), Cicinho (30), Fred (27), Júlio César (31)
Quem fica: Kaká (28) e Robinho (26)
Lendo a lista acima, é evidente a passagem da tocha. Tudo leva a crer que pelo menos metade da Seleção será renovada para o Mundial sul-africano. O que nos leva...
Ao futuro...
Quem pode vir? Quem são as possíveis revelações? Abaixo, uma lista de alguns jogadores que poderão, quem sabe, vestir a camisa amarela na primeira Copa africana. Entre parêntesis, o clube atual e a idade do jogador em junho de 2010. Esse sim é um exercício de tremenda chutologia. Mas, como hoje é dia de olhar pra frente, vamos lá:
Goleiros: Gomes (PSV – 29 anos), Moretto (Benfica – 31 anos), Fábio (Cruzeiro – 30 anos), Lopes (Botafogo - 27 anos), Jefferson (Trabzonopor - 27 anos) e Bruno (Atlético-MG - 25 anos).
Lateral direito: Gabriel (Málaga – 29 anos) Eduardo Ratinho (Corinthians – 22 anos), Amaral (Palmeiras – 22 anos), Daniel Alves (Sevilla – 29 anos), Rafinha (Schalke 04 – 25 anos).
Lateral esquerdo: Michel Bastos (Atlético-PR - 27 anos), Marcelo (Fluminense – 22 anos) e Adriano (Sevilla – 25 anos).
Zagueiros: Alex (PSV – 28 anos), Alcides (Benfica – 25 anos), Gladstone (Juventus – 25 anos), Luisão (Cruzeiro – 23 anos), Moisés (Sporting - 31 anos), Fabiano Eller (Internacional – 33 anos), Anderson Polga (Sporting – 31 anos), Moisés (Sporting – 30 anos).
Volantes: Arouca (Fluminense – 24 anos), Rosinei (Corinthians – 27 anos), Renato (Sevilla – 31 anos), Júlio Baptista (Real Madrid – 29 anos), Thiago Motta (Barcelona – 27 anos), Josué (São Paulo – 30 anos), Denílson (São Paulo – 22 anos), Jonathas (Flamengo – 27 anos), Cléber Santana (Santos – 29 anos).
Apoiadores: Diego (Werder Bremen – 25 anos), Ramon (Atlético-MG – 22 anos), Carlos Alberto (Corinthians – 26 anos), Rodrigo Tabata (Santos – 29 anos), Ibson (Porto – 26 anos), Fernandinho (Shaktar Donetsk - 25 anos), Evandro (Atlético-PR – 23 anos), Elano (Shaktar Donetsk – 29 anos), Jádson (Shaktar Donetsk – 26 anos).
Atacantes: Thiago (São Paulo – 24 anos), Lenny (Fluminense – 22 anos), Nilmar (Corinthians – 25 anos), Anderson (Porto - 22 anos), Danilinho (Atlético-MG – 23 anos), Rafael Sóbis (Internacional – 25 anos), Deivid (Sporting – 31 anos), Luís Fabiano (Sevilla – 29 anos), Paulo Barreto (Udinese – 24 anos), Ricardo Oliveira (São Paulo - 30 anos), Whelliton (Goiás – 24 anos), Márcio Mossoró (Internacional – 27 anos).>
Escrito em 02/07/2006
Verdades e espelhos
Como de hábito, bastou uma migalha de arte, uma esmola de bom futebol, e o brasileiro já recuperou a auto-estima futebolística, esse nosso orgulho de ser-o-melhor-do-mundo-em-alguma-coisa, que antes da Copa andou esbarrando na empáfia. Todo o farol em cima dos argentinos estava, confessemos, nos irritando um pouco. Ouvíamos com um sorrisinho cínico as repetidas menções a
toco y me voy, a Saviola, Messi, Riquelme, Tevez & Cia, enquanto nossos pretensos craques exibiam um futebol tedioso e previsível.
E então veio o jogo contra o Japão. E Parreira lançou um time mais do que ofensivo. E fez o que precisava. Testou Robinho desde o início, com sucesso. Testou os laterais reservas – com sucesso ofensivo e problemas defensivos. Deu jogo a Juninho Pernambucano e a Ronaldo, que pulverizou os comentários sobre sua relação com a balança. O Brasil jogou bem, jogou como Brasil, mostrou talento, velocidade, movimentação. Mostrou que está na Copa e que pode dar espetáculo de forma competitiva.
A boa atuação inflou novamente o peito verde-e-amarelo e multiplicou os inúteis clamores para Parreira manter o time de ontem. Até a camisa que o Zagallo não tentou trocar ontem com um adversário sabe que Parreira não vai mudar muito o time. Mais do que isso não cometerá a sandice de jogar uma partida eliminatória com um cabeça-de-área e meio (meio é uma gentileza com Juninho Pernambucano). Mas isso tudo importa menos. O que importa é o foco. Ontem recuperamos o foco – e o respeito.
Agora vem Gana, um time forte fisicamente, que atuará entre deslumbrado e boquiaberto contra o Brasil. Deslumbrado, boquiaberto e desfalcado de seu melhor jogador – Michael Essien. Mas amanhã falamos de Gana. Hoje, reconheçamos baixinhio uma coisa: que brasileiro ontem não esfregou silenciosamente as mãos, esperando a hora de dar uma lição na arrogância argentina?
Em termos de futebol, não há nada mais parecido com um argentino do que um brasileiro. Eles têm técnica, raça, categoria e competência. A Alemanha pode ter eficácia, a Inglaterra pode ter glamour, a Holanda pode jogar pra frente... mas os únicos rivais que realmente respeitamos são os argentinos. E com razão. Na bola, nunca houve um jogo fácil entre Brasil e Argentina.
Para cada grama de empáfia platina... há outra, espelhada, de empáfia brasileira. A sutil diferença é que temos cinco títulos mundiais e o indisputável atleta do século, por mais que eles tentem disputá-lo. Nossa mitologia futebolística é planetária, o mundo enxerga o futebol brasileiro como sinônimo de arte. Já a Argentina é uma espécie de George Harrison do futebol mundial, enquanto o Brasil é Lennon e McCartney. Todo mundo sabe que eles têm um talento imenso. Mas um talento destinado a ficar em segundo plano.
Em outras palavras, encontrar com o Brasil é exatamente o que os argentinos querem. Eles atualmente sonham acordados com uma final entre Brasil e Argentina – e esse agora é o único encontro possível na Alemanha. Porque se a empáfia argentina nos irrita, imagine o contrário... imagine o que eles pensam e sentem diante da supremacia brasileira – que eles juram que é injusta. Se nem pensamos em discutir nossa superioridade, isso é tudo o que eles querem. E alimentam. E acalentam.
E hoje eles têm argumentos. Argumentos como Riquelme, Sorín, Saviola, Tévez e sobretudo Messi. Qual o cenário ideal para que eles possam desafiar nosso domínio incontestável sobre o mundo da bola? Ganhar do Brasil na final da Copa. Mas o velho adágio que diz “tenha cuidado com o que você deseja” aqui vale tanto para eles como para nós. Seria um jogo eterno antes de começar.
Hoje, claro, isso não passa de especulação, e especulação distante. O que importa é que o Brasil enfim entrou em campo na Alemanha. Agora, é tempo de enfrentar a surpresa africana da vez. E esquecer de que continente vêm as zebras.
Dito isso, vamos ao que de melhor aconteceu neste
22 de junho:
O gol do dia – Ronaldinho enfia uma bola de almanaque para Gilberto, no chamado ponto futuro. O lateral avança, domina e, em vez de passar, dá um chute cruzado, fortíssimo e seco. É o terceiro gol do Brasil.
O quase gol do dia – A tabela entre os Ronaldos que passou a um fiapo da trave seria a assinatura que faltava para a Copa brasileira. O toque de calcanhar de Ronaldinho para Ronaldo foi um primor.
O frango do dia – Fica com o goleiro australiano Zeljko Kalac, descendente de croatas, que quase deu de presente para a Croácia a classificação ao aceitar um chute fraquinho de Niko Kovac.
O erro de arbitragem em forma de gente do dia – O juiz inglês Graham Poll conseguiu não ver um tapa de Dario Simic na bola na área no segundo tempo. Não viu também um abraço agarrado de Tudor em Viduka no primeiro tempo. E ainda conseguiu a proeza de pagar o mico da Copa em termos de apito. Deu três amarelos para o mesmo jogador – Dario Simunic. O primeiro aos 18 minutos do segundo tempo. O segundo aos 44 minutos. E o terceiro depois da partida, só aí temperado pelo cartão vermelho. Mr. Graham Poll entra assim para a galeria da fama dos árbitros horrorosos.
A estatística útil do dia – Com os dois gols marcados contra o Japão, Ronaldo chegou a 14 gols em Copa, igualando o recorde de Gerd Muller. Quando fez o primeiro, ele ultrapassou Pelé como o brasileiro com mais gols em Mundiais. Não por acaso, aquele sorriso de dentes separados apareceu de novo no fim do jogo.
O preparo físico do dia – Há quem diga que desde os tempos em que treinou o Valencia, na Espanha, os times de Guus Hiddink voam baixo sobre o gramado. Fato é que a Coréia do Sul corria sem parar em 2002. E a Austrália em 2006 não pára de correr. Ontem, atropelou fisicamente a Croácia. Impressionante o combustível australiano.
O cala-boca do dia – Para todos os apressados que promoveram o enterro e o velório precoces de Ronaldo, os dois gols serviram como silenciador imediato. Ronaldo não é mais o fenômeno de outrora – mas ainda é um atacante diferente dos outros, especialmente pela precisão dos chutes.
O cattenaccio do dia – Até agora a Itália não levou um gol marcado por adversário na Copa. O sistema defensivo italiano usa ao menos 10 jogadores sempre. Duas linhas de quatro organizadíssimas reduzindo o espaço adversário. Um dos atacantes recua sempre para ajudar na marcação. E o outro se posiciona para ajudar do outro lado caso haja virada de jogo. Os adversários sentem dificuldade em penetrar o sistema... e em geral chutam de longe. Aí aparece o bom goleiro Buffon. O único gol que a Itália levou até agora foi contra.
A frase do dia – “Tira ele? Tira ele?
&%$#@$@#$# ((palavrão impublicável de encaminhamento)) – Carlos Alberto Parreira, após o quarto gol do Brasil, comentando ironicamente com Cafu sobre as pressões para tirar Ronaldo.
A defesa do dia – Empate técnico entre a mão espalmada de Kawaguchi no chute fortíssimo de Juninho Pernambucano no primeiro tempo... e o reflexo de Pletikosa, no segundo tempo de Austrália x Croácia... no chute de Harry Kewell. Infelizmente para os dois goleiros, em lances posteriores... tanto Juninho quanto Kewell acertaram o pé. E, Kawaguchi em particular, errou na mão.
Escrito em 22/06/2006
32 jogos depois
Com o fim da segunda rodada, vamos ao que melhor de aconteceu na Copa do Mundo até agora. O bom, o mau, o feio, o mais distinto, o mais simpático...
A defesa da Copa (até agora) – Ebrahim Mirzapour, goleiro do Irã, que com um misto de reflexo e elasticidade evitou que um chute fortíssimo à queima-roupa de Deco entrasse ainda no primeiro tempo de Portugal x Irã. Não deu para evitar a derrota, porque Deco arrumou outro chute fantástico no segundo tempo, mas foi uma senhora defesa.
O golaço da Copa (até agora) – Vinte quatro toques em cinqüenta e cinco segundos, sendo que o penúltimo toque, de Crespo, foi de calcanhar. O segundo gol argentino contra Sérvia & Montenegro foi uma obra-prima coletiva. Apenas um jogador de linha não tocou na bola – o lateral Burdizzo. Talvez para compensar ele foi abraçar Cambiasso com tanta ênfase que quase sapecou um beijo na boca do companheiro. Menção honrosas para o gol de Tevez na mesma partida. E para o gol de Fernando Torres (Espanha) contra a Ucrânia, em grande jogada de Puyol.
A surpresa da Copa (até agora) – Foram duas. O empate de Trinidad y Tobago contra a Suécia. E o empate da Coréia do Sul contra a França.
A injustiça da Copa (até agora) – A eliminação da Costa do Marfim. O time de Didier Drogba fez dois dos melhores jogos do Mundial e merecia sorte melhor em ambos. Dominou a Argentina e a Holanda... e acabou levando quatro gols – dois em bolas paradas, dois em erros de execução na linha de impedimento.
O erro de arbitragem da Copa (até agora) – A quantidade de pênaltis não marcados já ultrapassa uma dezena. Os mais grotescos foram três: De Rossi empurrando com duas mãos Asamoah Gyan (Itália 2 x 0 Gana); Patrick Muller derrubando acintosamente o togolês Adebayor (Suíça 2 x 0 Togo); o carrinho criminoso de Cahill na canela de Komano (Austrália 3 x 1 Japão). E os pênaltis “marcados” foram apenas três.
O mico da Copa (até agora) – A gol-contra-de-canela-com-efeito do italiano Zaccardo a favor dos Estados Unidos. Foi aquele gol contra clássico.
A imagem da Copa (até agora) - A comemoração emocionada dos jogadores de Trinidad y Tobago depois do empate contra a Suécia.
O carniceiro da Copa (até agora) – Vitória fácil do italiano Daniele De Rossi, que exibe como obra sua cotovelada no nariz do italiano McBride. Correu sangue americano, vermelho como o cartão que De Rossi recebeu de imediato. Chuveiro óbvio.
O penteado da Copa (até agora) – Alguns candidatos. O turbinado ruivo-moicano do japonês Takahara, as trancinhas-Cascão do angolano Loko, o redemoinho psicodlélico do ganes Muntari... mas o troféu, por ora, fica com o sul-coreano Lee Chun Soo, com seu arbusto louro temperado pelo bigodinho latino.
O constrangimento da Copa (até agora) – A imagem de Zagallo tentando trocar camisas após os jogos – e ouvindo recusas do croata Prso e do australiano Chipperfield. Tudo bem que o não é democrático – mas ficou a impressão de que eles não sabiam com quem estavam falando.
A camisa mais bonita da Copa (até agora) – A camisa laranja da Costa do Marfim. Belíssima. A laranja da Holanda, com seu estilo algo retrô, fica em segundo lugar.
A frase da Copa (até agora) – “Não parece um campeão, precisa jogar mais” –
Guus Hiddink, técnico da Austrália, analisando a Seleção Brasileira.
Seleção da Copa (até agora)Goleiro: Peter Cech (República Tcheca)
Laterais: De La Cruz (Equador) e Lahn (Alemanha)
Zagueiros: John Terry (Inglaterra) e Ayala (Argentina)
Meio: Pirlo (Itália), Deco (Portugal), Riquelme (Argentina) e Kaká (Brasil)
Atacantes: Tenório (Equador) e Saviola (Argentina)
Técnico da Copa (até agora): Luis Suarez (Equador)
O reserva da Copa (até agora): Cesc Fábregas (Espanha)
e Saviola (Argentina)
Técnico da Copa (até agora): Luis Suarez (Equador)
O reserva da Copa (até agora): Cesc Fábregas (Espanha)
Escrito em 20/06/2006